Work 9 to 5 – Porque acho que não devemos nos impor limites

9-to-5

Minha esposa comentou ontem à noite a respeito de uma matéria no Fantástico sobre a legislação trabalhista francesa. Parece que foi aprovado por lá uma lei que proíbe que as empresas peçam aos seus funcionários que abram seus emails fora do horário de expediente. Me perguntou o que eu achava. Morrendo de sono, eu disse: não acho nada. E fui dormir. Como bom marido que sou…

Mas acordei pensando nisso. Também sou a favor de que a empresa não deva pedir aos seus funcionários para abrirem seus email fora do expediente, afinal de contas o descanso não só é fundamental para a saúde psicológica da pessoa como também é uma maneira de “recarregar a bateria”. O que supostamente ajuda a manter a produtividade em um bom nível durante o trabalho. Uma típica situação ganha-ganha.

Mas minha análise não termina por aqui. Penso que devemos definir um pouco melhor o significado de trabalho após o expediente. Para mim está claro que um chefe que exige que seu funcionário complete uma planilha de análise de dados no domingo para ser apresentada em uma reunião na segunda pela manhã está fora de sintonia com o mundo.

Caso aquele relatório seja realmente fundamental para a equipe e o chefe se esqueceu de solicitar antes, durante a semana, ou a necessidade só apareceu em sua cabeça no sábado a noite, ok ele pedir um help ao funcionário no domingo. Mas tem que ter claro algumas premissas: 1. Isso não pode acontecer mais de 2 vezes por ano. 2. O cara tem que aceitar “de boa” caso o funcionário não atenda o telefone, não responda o email, esteja isolado em uma ilha..isso não deve ser motivo para cara feia na manhã de segunda. 3. Antes até da solicitação ele tem que ter a humildade de dizer que está errado, que o funcionário tem o direito de mandar ele às favas, e quando fizer o pedido, deveria fazê-lo de joelhos, sabendo que isso não é coisa que se peça.

Cumprir ou não a solicitação do chefe cabe ao funcionário e a mais ninguém. Conheço muitas pessoas que não se estressam com isso, fazem o trabalho de bom grado, com um resultado até melhor do a expectativa que o chefe tinha.

Aliás, em muitos momentos da minha vida profissional estive do lado de lá da solicitação. Às vezes cumpri a missão empolgadíssimo, as vezes a cumpri contrariado e outras vezes me fingi de morto e deixei o chefe a ver navios. Sim, uma mesma pessoa enxerga sua relação com o trabalho de maneira diferente, conforme o momentos que está vivendo na sua vida ou na sua carreira, e conforme a relação que ele tem com a empresa e com o chefe.

Acho muito estranho que deva existir uma lei para regular este assunto.

Tem outra questão que eu acredito que seja importante quando se trata de trabalho fora do horário do expediente. O aprendizado. Não importa o nível hierárquico, do topo ao fundo da pirâmide (eu sei, é ridículo falar de pirâmide hoje em dia), todo mundo tem que aprender novas habilidades quase todos os dias. E as habilidades que aprendemos, nós levamos conosco para o resto da vida, elas se incorporam ao nosso ser. Elas serão úteis no nosso trabalho atual mas também o serão em trabalhos futuros ou até em uma transicão de funcionário para empresário. Estas habilidades passam a constituir o nosso patrimônio pessoal.

Aí eu pergunto: estas habilidades, que servirão para o nosso trabalho atual mas que também serão incorporadas ao nosso patrimônio pessoal, elas deveriam ser aprendidas somente no horário de expediente? Vou dar minha opinião pessoal: lógico que não! A pessoa que pensa desta maneira não acredita que a educação é um veículo para o desenvolvimento pessoal.

Conheço pessoas que fazem uma pós graduação noturna contando que isso a levará a uma evolução na carreira mas se recusam a aprender a lidar com um novo software ou aprender uma habilidade qualquer que é fundamental para a execução de alguma atividade na empresa que ela trabalha. Aliás, conheço muitas pessoas que tem esta mentalidade. O que sempre me choca. Como assim? A pessoa estuda de bom grado para uma matéria na pós graduação que não terá nenhuma aplicabilidade imediata e quando tem a oportunidade de aprender alguma coisa nova, que será imediatamente aplicada em seu trabalho, ela diz: “ou é das 9h as 17h ou eu não vou aprender isso aí não”.

Quando me deparo com pessoas de 50 anos com esta mentalidade, fico menos chocado. Pessoas nessa idade muitas vezes não acreditam que o aprendizado de algo novo possa levá-las a patamares mais altos em suas carreiras. O que considero um erro de avaliação. Mas compreensível.

O que eu não acho que seja compreensível é como uma pessoa de 25/30 anos limita suas atividades de aprendizado ao período 9-17h e considera que qualquer coisa fora disso é a empresa querendo abusar do funcionário em seu horário de descanso.

Pessoas com esta mentalidade limitam o teto do seu crescimento e isso é triste de se constatar nesta faixa etária. Aliás, em qualquer faixa etária.

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