Eataly

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Terminou na semana retrasada o Salone del Gusto e Terra Madre, que acontece a cada 2 anos em Turim, na Itália.

Vale uma reflexão sobre os propósitos deste evento e sua relevância para todos aqueles que dão importância àquilo que colocam para dentro do seu organismo em forma de comida. E também para aqueles que tem algum tipo de preocupação com as 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo enquanto 40% da produção mundial de alimentos é desperdiçada, jogada fora.

Não é um evento de culinária onde chefs renomados demonstram receitas para convidados que pagaram ingresso para admirá-los.

O evento começou a ser realizado há vinte anos, iniciativa do Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food e seu objetivo inicial era promover um encontro entre os agricultores orgânicos, aqueles que produzem em pequena escala um alimento não massificado. E dar voz a esses agricultores, dar a eles visibilidade, alguma via de comercialização paralela ao sistema “mainstream” de distribuição de alimentos industrializados.

Carlo Petrini é de Alba, cidadezinha no Piemonte, terra do Barolo. E tem como amigo de infância Oscar Farinetti, fundador do Eataly.

Oscar era dono de uma cadeia de eletrodomésticos chamada Unieuro, que vendeu para um grupo inglês por 400 milhões de euros. Apaixonado pela gastronomia, cheio de energia aos 50 e poucos anos e com muito dinheiro no bolso, Oscar foi ao encontro de Carlo. E começaram a pensar neste grande problema que afeta a todos os pequenos produtores: como distribuir? Como chegar aos consumidores das grandes cidades a um custo que seja razoável?

Outro amigo em comum era o prefeito de Turim, Sergio Chiamparino, que estava com um pepino nas mãos. Uma fábrica da antiga fabricante de bebidas Carpano, abandonada no meio da cidade, de 11 mil metros quadrados. O local ideal para a implantação do novo negócio de Oscar. Um centro de distribuição de orgânicos e outras iguarias que só a Itália oferece. Mas Oscar queria mais do que isso. Queria que as pessoas pudessem comer no local, que pudessem comprar livros de comida e de culinária, utensílios, que pudessem participar de treinamentos, comprar vinho e cerveja (artesanal, produzida ali mesmo). E que os preços fosse razoáveis. Um lugar que simplesmente não existia.

Carlo tinha todos os contatos, afinal havia criado o movimento slow food, o salonne del gusto, etc. Montaram uma equipe e foram atrás de 10.000 pequenos fornecedores em toda a Itália com o objetivo de selecionar 3.000 para serem fornecedores do novo local. Que foi batizado de Eataly. Carlo foi contra o nome “inglezado”, mas não teve argumentos quando Oscar mencionou o próprio “slow food”, criado por Carlo.

No dia da inauguração, em Janeiro de 2007, Oscar estava tenso. Será que a população iria abraçar a ideia. Uma ideia que nunca havia sido testada? Sim, a população de Turim abraçou. Desde o primeiro dia. A notícia se espalhou. Veio gente de todos os cantos. E o Eataly foi também para todos os cantos, América, Asia e até pra o Brasil, onde abriu uma loja linda em São Paulo. É o maior case de sucesso do varejo gastronômico da atualidade, tirando da conta o Whole Foods, que prospera muito na pegada saudável, mas que só está nos Estados Unidos. Por isso não ponho nesta conta.

Vida longa ao Farinetti!

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