Rethinking Business

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Conversando com uma amiga na semana passada, ela me contou que sua filha acaba de retornar dos EUA onde fez a faculdade e logo em seguida trabalhou durante um ano, prazo em que é possível se trabalhar legalmente por lá, depois que o estudante sai da faculdade. Mas teve que voltar ao Brasil. Foi obrigada.

Aqui chegando logo arrumou o emprego dos sonhos para a grande maioria dos estudantes que saem das faculdades brasileiras: no departamento de marketing de uma grande empresa. No caso, uma seguradora.

Lhe deram um crachá para pendurar no pescoço, uma baia para se sentar e um notebook formatado com todos os softwares que ela necessitaria para executar seu trabalho. Fizeram o tour da empresa no primeiro dia, participou de uma reunião de integração e até foi convidada para almoçar junto com o pessoal no quilo de preço justo que fica a 2 quadras do escritório.

O que o jovem que sai da faculdade está procurando? Um propósito, uma razão para sair de casa e ir mudar o mundo. Levando seu cérebro consigo e não somente seus braços e pernas. E o que estão oferecendo a eles? Uma baia e um crachá.

Todas as empresas estão operando nesta mesma “vibe”? Quais empresas conseguem escapar da chatice e oferecer um trabalho legal e desafiador? O que isso tem tem a ver com o consumismo desenfreado pelo qual estamos passando em escala mundial? De que forma a onda do compartilhamento afeta o modelo de negócio das empresas? O que configura a economia da inovação? Que relações de trabalho queremos e quais não queremos mais? Como a legislação atual impede a implantação de relações humanas mais saudáveis nas empresas? O que significa ser criativo no ambiente corporativo? Como é possível empreender sem as amarras da formalidade, através de projetos temporários e sem os riscos da ilegalidade?

Pára tudo!

Estava pensando em tudo isso mas tive que parar de escrever porque havia marcado um café com uma amiga, criadora da Conferencia Rethink Business, que ocorre agora em Novembro e está na 6ª edição. Comentei sobre este texto que estava escrevendo, muito entusiasmado porque acredito que isso seja “rethinking business”.

Ela me olhou com olhar cético e fez algumas colocações que me deixou pensando…será que não estamos criando jovens pouco resilientes às durezas da vida? Será que todas as empresas tem que ter como objetivo oferecer este tipo de ambiente de trabalho? Nós todos já não trabalhamos em ambientes não criativos e não tão legais? E não sobrevivemos?

Dá o que pensar, né? É verdade que existe um movimento forte das indústrias ditas criativas, que o campo é cada vez mais fértil para iniciativas de inovação e de colaboração. E que este ambiente exerce um forte poder de atração aos que saem das faculdades.

Mas também é fato que parafusos tem que continuar a ser produzidos. E que não deve haver muito espaço para criatividade e ambiente “cool” em uma fábrica de parafusos. Ou será que há?

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