A conversa de ontem à noite

Nós nos acostumamos a querer a recompensa sem no entanto cumprir com a contra-partida, que é o esforço. Em maior ou menor grau somos todos assim. Conheço alguns poucos iluminados que se dão muito bem na vida porque escaparam desta profecia, investiram em esforços sem saber ao certo o que os esperava como recompensa no futuro, e em algum momento encontraram a sorte, que segundo ouvi falar, no ideograma chinês, é representada pelo encontro do preparo com a oportunidade.

Ontem à noite estava conversando com minha filha sobre isso. Não exatamente nestes termos, pois na primeira frase usando palavras dos meus textos ela abandonaria a conversa. Mas o fio condutor da conversa era mais ou menos este. Era uma conversa sobre idiomas. Porque aprendemos um novo idioma? Ou melhor colocado, porque nem todo mundo, mesmo podendo, mesmo tendo condições, não se dedica a aprender fluentemente um novo idioma?

Vamos combinar que com o avanço da internet e da universalização do uso de smartphones o aprendizado de um novo idioma está cada vez mais acessível. E vamos deixar de hipocrisia e estabelecer de uma vez por todas que o primeiro idioma a ser aprendido por qualquer cidadão ocidental é o inglês. Quer aprender francês, italiano, ok. Mas primeiro o inglês.

A conversa era sobre estudar fora do país, sobre opções de escolas, de países. Uma discussão saudável. Fico muito feliz que ela tenha interesse em ir estudar fora, vivenciar novas coisas, conhecer novas pessoas, expandir seus horizontes, sentir alguma dificuldade, sair da zona de conforto, crescer e amadurecer, enfim. Fico feliz que isto parta dela, sem que tenhamos que insistir como se fosse coisa nossa.

Mas aí chegamos na segunda parte da conversa, onde a beleza e o idealismo do momento futuro, aquele que você deseja, é substituído pela inconveniência daquele tipo de pergunta que nós pais somos obrigados a fazer. Aquela pergunta que os amigos não fazem porque eles tampouco tem a resposta para os seus próprios desafios. A pergunta é: o que você está fazendo hoje para tornar realidade um ideal de futuro que você tem para si?

Faço esta pergunta para minha filha para tentar ajudá-la a clarear um pouco as idéias, ajudá-la a desenhar um “road map” de 2, 3 anos a frente. Beleza, você quer estar neste ponto, neste lugar, daqui a 3 anos, então vamos dar uma pensada no que você deveria estar fazendo hoje – e não o que deveria começar a pensar em fazer; repare a diferença, isso chama-se pressão incontrolável e talvez desnecessária de um pai controlador – que te deixará preparada para chegar neste lugar daqui a 2 ou 3 anos.

A conversa de ontem à noite era sobre aprendizado de idiomas e a relação disso com a vontade de estudar fora do país, o que me parece uma correlação evidente. Mas pensando hoje de manhã com meus botões, fica cada vez mais evidente esta relação entre esforços e resultados em tudo o que a gente se propõe a fazer na vida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s