Alguma coisa está mudando no mundo dos negócios

Assisti a palestra do Facundo Guerra no Festival Path deste ano, que aconteceu no Rooftop 5. Para quem não o conhece ele é considerado o atual rei da noite em São Paulo, com vários empreendimentos, muitos deles no centro da cidade.

Ele falou basicamente sobre empreendedorismo, ocupação do espaço urbano e estilo de gestão. Participa de uns 8 empreendimentos e tem mais 8 no “pipeline”. Gerencia tudo pelo whatsapp. Em cada um dos negócios conta com um “paladino” responsável. Descentralização total, comunicação direta e instantânea, pouca burocracia. Mas sua formação é em finanças, é bem amigo dos números. E não bebe, o que deve ser decisivo para o sucesso de alguém da noite. Dá pra aprender algumas coisas com ele. Nos faz pensar sobre quais são os fatores determinantes do sucesso no mundo dos negócios. Tenho a impressão que era essa a principal motivação das pessoas que estavam ali para assistí-lo.

Muitos jovens na platéia, ávidos por encontrar um modelo ao qual se agarrar na esperança de obter o mesmo sucesso.

Li recentemente o livro do James Watt, fundador da Brewdog, uma fabricante de cerveja artesanal no reino unido fundada por 2 escoceses muito loucos, apaixonados pela cerveja pura (leia-se ainda não prostituída pela rápida fermentação e pela adição de um monte de outros elementos que não o lúpulo) que tiveram enorme sucesso indo contra praticamente todos preceitos dos tradicionais manuais de boas práticas corporativas. O livro de chama “Business for Punks”. Recomendo muito a leitura.

James e seu sócio lançaram um crowdfunding para que as pessoas comprassem ações da sua empresa. No dia do lançamento da ação, vestiram um capacete, subiram em um tanque da segunda guerra e o conduziram pelas ruas até o centro financeiro de Londres, onde fincaram a bandeira da cervejaria.

A ação foi tão ousada e a mensagem tão clara (nós contra o sistema) que as pessoas comuns começaram a comprar as ações simplesmente para fazer parte do movimento. Rapidamente arrecadaram milhões para financiar a expansão da empresa.

Cash is King

Facundo e James, cada qual a seu modo, vem obtendo sucesso nos negócios indo contra quase todos os preceitos da cartilha tradicional. Digo quase porque tem um que não dá pra abrir mão. James deixa muito claro em seu livro e Facundo em sua palestra: nada substitui os princípios matemáticos das finanças empresariais.

Você pode ser ousado e inovador em tudo o mais. Aliás, aparentemente só o que tem dado certo nos dias de hoje é a ousadia e a inovação. Mas…sempre que acompanhadas de perto pelas práticas “imexíveis” da boa gestão dos recursos financeiros. “Cash is king” e deve ser tratado como tal.

Estilo

Vejo amigos pulando do barco de negócios tradicionais para se dedicar a start-ups e vivenciar uma cultura de negócios mais informal, mais dinâmica, rodeado de gente mais nova e motivada, simplesmente porque estão de saco cheio da chatice, da caretice, que reina no chamado mundo corporativo.

Vejo o sucesso dos eventos sobre inovação e a curiosidade que geram novas abordagens no relacionamento entre as pessoas, no trabalho.

Vejo a tendência das pessoas de deixar de possuir as coisas, compartilhar tudo e pagar somente pelo uso efetivo dos recursos, e não mais pela propriedade dos bens.

Vejo grandes conglomerados tradicionais, que aparentavam ter a solidez de uma rocha, se desfacelando diante das evidências de que seus procedimentos e políticas, tão bem traçados no papel, na prática só serviam para alimentar negócios escusos, atalhos clandestinos e corrupção.

E então vejo as pessoas de camiseta e tatuagens se encontrando em bancos de praças, em cafés, fazendo negócios no celular. Pessoas que nunca terão uma descrição de cargo que imponha limites à sua atuação. Pessoas que desconhecem os protocolos e não estão nem aí com o lindo título do seu cartão de visita. Cartão de visita? O que é isso? Anota o meu nome aí e dá um google que você me acha.

Diferencial

Facundo vem obtendo sucesso com uma mensagem muito clara: ocupação inovadora de espaços urbanos tradicionais.

James Watt também centra sua artilharia em uma mensagem muito clara: guerra as cervejas industrializadas.

Ninguém me pediu, mas se tivesse que dar algum conselho para aqueles jovens na platéia do Facundo, ávidos por saber o que dá certo, eu diria: aprenda finanças, adote o seu estilo (e o de mais ninguém), encontre o seu diferencial e foco nele.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s