Vocação, leitura do cenário e a importância das decisões

Tenho uma filha de 14 anos que no ano que vem entra no colegial. O que muda na vida dela daqui pra frente? Ela terá que tomar decisões. E todos sabemos, por experiência própria, que são as decisões que tomamos que moldam as nossas vidas, que determinam nosso sucesso.

Nós, pais, temos a obrigação de alimenta-las com dados e opiniões para que elas tomem as melhores decisões possíveis para suas vidas. Reparem o sublinhado no suas. No sentido de “delas” e não “nossas”. Aliás, nossas opiniões refletem as nossas crenças, então, pensando bem, não sei se deveríamos ser muito enfáticos neste compartilhamento.

Mas ajuda-las a fazer a leitura do cenário com certeza é nossa obrigação. Então vamos a ela, a leitura..

Menor necessidade de recursos

Nossos filhos precisarão de menos recursos materiais do que nós necessitávamos. A economia do compartilhamento está aí. Casa, carro, viagens, tudo que nos custava o “olho da cara” (entrega a minha idade?) tende a custar muito menos quando minha filha entrar no mercado de trabalho.

Ela e seu parceiro (ou sua parceira, sei lá..) dividirão a responsabilidade pela geração destes recursos de maneira mais equânime do que nós, das gerações anteriores, dividíamos. Isso tira um certo peso dos ombros.

Desconfio até que a cerimônia do casamento em si poderá um dia ser algo compartilhado, inclusive com os convidados da festa, como já ocorre na Inglaterra. Acho que fará cada vez menos sentido os pais se endividarem para dar às filhas uma cerimônia “memorável”. Coisa do passado. Uma coisa é os pais disporem de dinheiro sobrando e querer fazer um agrado em uma ocasião que é realmente especial. Outra, muito diferente, é esta obrigatoriedade de fazê-lo a qualquer custo, independentemente da condição financeira dos pais.

No que esta necessidade menor de recursos impacta nas decisões que minha filha tem que tomar daqui pra frente?

É simples. Dá a ela a possibilita de ir atrás das suas paixões e vocações, independentemente do potencial de estas serem convertidas em fonte de renda. Isso é muito libertador. Ela pode se entregar às artes circenses, aos malabares, à dança do ventre, à esgrima ou o que seja. E quer saber? Geralmente é a entrega da pessoa a estas paixões que afloram espontaneamente que levam a pessoa ao sucesso. Só para constar, o fundador do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, jogava malabares nos sinais de Montreal antes de fundar a companhia circense.

Mais libertador ainda é a ciência de que suas escolhas não precisam se restringir somente aos clássicos medicina, engenharia, direito, etc. Existe hoje uma gama enorme de possibilidades que surgiram com a evolução do digital, do terceiro setor e da economia do compartilhamento. Se ela tiver um pouco de espírito empreendedor, nem faculdade ela precisará fazer. Me dói dizer isso porque ainda tenho uma visão muito careta da formação de uma pessoa. Por alguma razão que eu nem sei mais como explicar, ainda acho que um diploma, do que quer que seja, é importante. Mas as fontes de aprendizado são tantas e tão acessíveis para quem dispõe de curiosidade intelectual que, sinceramente, o diploma será cada vez mais uma ínfima parte dos conhecimentos que ela adquirirá ao longo da vida.

Muita gente já acredita, inclusive, que esta escolha inicial, qual faculdade cursar, nem é assim tão importante, uma vez que existe uma grande probabilidade de que o emprego ao qual ela irá se candidatar aos 28 anos ainda nem foi inventado. Já pensou nisso?

O mundo a um click de distância

O acesso a todas as informações em tempo real impacta as decisões que ela terá que tomar? Claro que sim, uma vez que não é mais o acesso privilegiado às informações que determinará as chances de sucesso dos indivíduos, como acontecia no passado. O acesso se democratizou. Quantidade de informação não é mais um diferencial. Quantidade de ação, sim, assim como qualidade das decisões à partir das informações disponíveis. Até o tão reverenciado QI foi superado de longe pelo até recentemente pouco valorizado QE, o quociente emocional.

O cenário para a tomada de decisões da minha filha à partir dos 15 anos é muito diferente do cenário no momento em que eu tive que tomar estas decisões. Considero minha obrigação ajuda-la a ler a conjuntura. Agradeço se mais alguém quiser colocar mais alguns “inputs” nessa discussão. Tenho certeza de existem muitas outras mudanças que eu não citei e que também podem ajuda-la. Caso um dia ela comece a ler meus posts…. rsrs

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