5 Lições do Futevolei para o Mundo dos Negócios

A IMPORTANCIA DA PARCERIA

Futevolei é jogado em times de 2. As vezes de 4, mas é bem menos comum.

Ninguém faz nada sozinho. Bill Gates tinha o Paul Allen, Steve Jobs tinha o Wozniac, Sergey Brin tinha o Larry Page e assim por diante.

O primeiro critério na escolha do parceiro no futevolei é a posição. Você deve escolher alguém que jogue na posição contrária a sua. Se você é direita, vai escolher um parceiro que joga na esquerda.

Se os 2 são muito bons na defesa e nenhum é bom de ataque, sua dupla não vai muito longe.

Quantos negócios vemos fracassar porque os sócios são escolhidos por critérios de afinidades e não de complementariedade? No FV isso pode ser mortal. Nunca vou escolher um parceiro que joga na mesma posição que a minha só porque é meu amigo. Nos negócios deveria ser assim também.

Uma vez escolhido o parceiro, saiba “usá-lo”. Se você está cansado porque o jogo está sendo jogado todo em você, converse com o parceiro. Deixe que ele ocupe mais espaço de quadra, até que você recupere o fôlego. Preste atenção em como ele se movimenta. Principalmente na defesa. Se o atacante da dupla adversária estiver grudado na rede para atacar e você percebe que seu parceiro correu “para o pingo” próximo à rede, é sua obrigação fazer a cobertura das costas dele. Você passa a ter responsabilidade sobre uma área maior de quadra.

Esta estratégia deve ser pensada em nano segundos à partir do momento que você percebeu seu parceiro dando um passo a frente no momento do ataque adversário. Pra que isso aconteça você tem estar ligadaço no jogo, não pode estar pensando em outra coisa. O que nos traz a idéia do foco. Que também é importantíssima no mundo dos negócios. Quantas vezes nos pegamos no trabalho fazendo alguma coisa mas com a cabeça em outra? Quando não estamos ligadaços no que estamos fazendo neste exato momento, nosso jogo é prejudicado. E o FV não perdoa. Aqui não é tênis. Seu parceiro vai te xingar.

Assim como no FV, parceiros de negócios também devem manter o diálogo, saber quando é hora de um deles dar um passo atrás para dar uma respirada enquanto o outro cuida do resto da “quadra”. E saber quando é hora de os 2 darem gás máximo porque estão em um momento decisivo da partida.

E quando as coisas não dão certo, quando perdemos a partida, não adianta querer jogar a culpa no parceiro. A tentação é muito grande mas tem que ser resistida. É inerente ao ser humano lembrar dos pontos em que o parceiro errou a bola e minimizar o impacto dos nossos próprios erros. É até um ato automático nosso, do ser humano. Mas este pensamento não é construtivo. Assim como não é construtivo buscar as falhas nos nossos parceiros de negócios. E quando falo em parceiros não me refiro somente a sócios, mas também a funcionários, fornecedores.

Erros devem ser corrigidos, os problemas devem ser discutidos, mas o momento dessa discussão deve ser muito bem pensado. No futevolei este momento não deve nunca ser imediatamente após o término da partida, quando as cabeças estão quentes, o sangue fervilhando dentro do corpo. Melhor discutir no bar, com um copo de cerveja na mão. Nos negócios é a mesma coisa. Temos que resistir ao esporro no momento da “cagada”. A pessoa que pisou na bola sabe que pisou. Mas se o jogo ainda está rolando, o esporro naquele momento afeta a sua motivação e consequentemente o resultado daquela atividade/partida. Tudo tem sua hora. No futevolei é a mesma coisa.

A LEITURA DO CENÁRIO

Mesmo que você jogue muito bem, dificilmente ganhará o jogo se se concentrar somente no seu jogo. Parte da sua atenção deve estar sim, na execução correta das fundamentos, mas não podemos nos esquecer de que a maior parte da sua atenção deve estar na leitura da quadra. Na movimentção dos outros 3 jogadores – seu parceiro e os 2 adversários.

Assim como no mundo dos negócios, sua empresa não é uma célula independente. Mesmo que você execute muito bem todos os “fundamentos” a que se propôs, ainda assim um sem número de variáveis podem aparecer no cenário e afetar o desempenho do seu negócio. A começar pelos concorrentes. Você sabe como cada um deles está se movimentando? Já sabemos que o mercado está mais para lodaçal do que terra firme, mais para quadra de areia do que de concreto.

Entrou vento na praia? Como isso pode afetar o meu jogo? Temos que mudar a estratégia? Como nosso adversário está enfrentando a turbulência? Sempre teremos mil argumentos para nos fechar em nossos casulos com a desculpa de melhorar nossos processos, de estarmos melhor preparados para a jogo. Mas estudar o cenário e a movimentação dos adversários, nos negócios e no futevolei, é tão importante quanto treinar fundamentos para a partida.

E a ventania que chegou no nosso ambiente de negócios? Temos que mudar de estratégia? Ser criativos, modificar nossa política comercial? Rever nossos custos.

A RESPIRAÇÃO PROFUNDA

Tanto no futevolei quanto nos negócios, é incrível como as pessoas se esquecem de…respirar. Sim, parece estranho, mas é a primeira coisa que nos esquecemos de fazer quando “a coisa pega”, quando estamos sob pressão.

A respiração profunda, com propósito, nos acalma e clareia a mente. Funciona nos esportes e nas situações de estresse no mundo corporativo.

Aproveite todos os momentos que você não está na ação para praticar respirações profundas, ganhar oxigênio. Inspire e solte a barriga, expire e comprima o abdômen. Isso te deixa melhor preparado, mais descansado para a próxima jogada.

No FV tem muito malandrinho. O cara fica 10 minutos discutindo um ponto só para ganhar tempo para poder respirar.

Nos negócios é a mesma coisa. Acho que foi Abrahan Lincoln quem disse que se lhe dessem 3 horas para cortar um tronco de árvore ele gastaria 2 afiando a serra.

No trabalho, o dia a dia atribulado, o entra e sai de reuniões, nos deixa muitas vezes com a respiração rasa. Não devemos nunca nos esquecer dos benefícios que uma boa puxada de ar para os pulmões e um bom copo de água gelada podem nos trazer. Lição das areias.

SAIA DO CASULO

Futevolei não é um esporte de gentleman. Tanto os adversários quanto a torcida fazem de tudo para desestabilizar quem está jogando. Vale tudo. Gritos, apostas, xingamento. Sim, o futevolei pode ser cruel, não é para os fracos. Para os iniciantes pode ser traumático. Leia meu post sobre a iniciação no futevolei e a importância da persistência.

O mundo dos negócios também pode ser cruel. Assim como no futevolei, sucessos passados não garantem vitória futura. A falta de inovação pode te arrastar rapidamente para a irrelevância. E a concorrência não vai te dar trégua. Já vi muita rasteira, dedo no olho, situações que nem no futevolei acontecem.

Estar preparado é fundamental. Sair da zona de conforto te deixa mais preparado. Jogar em outras redes, outras cidades, é uma ótima maneira de ganhar mais confiança no seu jogo. Assim como abraçar a adversidade no trabalho, conhecer outras culturas, também te deixa mais preparado para os negócios. Não desperdice as oportunidades de mudança que surgem no seu caminho. O acúmulo de experiências diversas te tornará um profissional mais preparado. Jogue em outras redes.

MAIS RESENHA

Ninguém chega na praia e começa imediatamente a jogar. Mais do que em outros esportes, o futevolei tem a “resenha”. Antes, depois e até durante as partidas, é um falatório generalizado. As pessoas avacalham uns aos outros, falam mal de quem está presente e de quem não está presente. Ninguém escapa. A discussão sobre quem é melhor que quem é infindável. Assuntos totalmente irrelevantes são tratados em profundidade. Nos grupos de whatsapp do futevolei não costuma haver nenhum comentário sério, que mereça qualquer atenção do leitor. Isso é o que se chama de “resenha”.

E é justamente um pouco de “resenha” o que falta no mundo dos negócios. As pessoas se levam muito a sério, acham que tudo o que tem a dizer é muito importante. Iniciam reuniões indo diretamente ao assunto, sem dar nem uma “esquentada”, como fazemos na quadra. Tudo está se tornando muito chato, muito certinho. As palavras são muito pensadas, medidas. Na atual marcha contra o “bullying” nas escolas, a favor da ética e do respeito no trabalho, o futevolei é uma ilha de “desopilação” social onde vale tudo. O mais fraco será ridicularizado, não deixarão ele jogar, e levará meses até que ele supere os primeiros traumas da rejeição na rede. Mas ele superará e sairá fortalecido. E descontará no próximo novato. Assim é a vida.

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