Economia compartilhada e um mundo sem chefe

compartilhamento

O post da semana passada onde eu pergunto que tipo de chefe seria mais efetivo gerou muita discussão. Se você não leu, leia antes de voltar para cá, please.

Almoçando no dia seguinte com um amigo, no clube, ele me perguntou. Ok, mas e você? Qual a tua opinião?

Ele está passando por uma transformação geracional na sua empresa e comentou que um dos principais pontos de fricção nesta mudança é justamente o relacionamento com a chefia. Uma das funcionárias, com 20 anos de casa, está desanimadíssima com as constantes “patadas” que toma do sócio mais velho.

Ela comentou com meu amigo, o sócio mais novo, que não vê solução para o seu caso, que o dinheiro fala sempre mais alto, que quem tem dinheiro tem poder, e que, portanto, só restava a ela a resignação de passar seus dias odiando o trabalho e tomando patadas de seu chefe.

Antes de dar minha opinião pessoal, conversamos sobre os vários comentários que as pessoas ofereceram e destaquei um, que me chamou à atenção pela simplicidade, pela economia de palavras e pelo teor desruptivo (uma cobrinha vermelha embaixo da palavra me diz que ela não existe, mas vou deixar assim mesmo) – Ele disse: Marcelo, no futuro não haverá mais chefes.

Aquela frase me fez pensar muito. Faz sentido que no futuro não hajam mais chefes? Pensemos juntos.

A galera que está entrando no mercado de trabalho, ou que já está no mercado e tem entre 20 e 30 anos não tolera a grosseria, não estão acostumados a ela e tem um mar de opções e de possibilidades de trabalho que surgem todos os dias a partir de projetos os mais variados. Startups, crowdsourcing, economia compartilhada, apps, plataformas digitais, ongs, comunidades com propósito, redes virtuais, são apenas alguns exemplos das possibilidades que as pessoas tem hoje em dia de se engajar em trabalhos que não dependam de uma estrutura hierárquica rígida.

Meu sobrinho Daniel fundou o Atados, um portal que une pessoas que querem participar como voluntário de algum projeto social, com projetos que necessitem de voluntários. Durante muito tempo me chamou a atenção que todas as pessoas que eles contratavam para trabalhar no projeto eram oferecidos exatamente o mesmo salário que os sócios fundadores. É estranho para muita gente, mas representativo de como pensa uma geração que não liga para… chefes. Qual a chance de o Daniel ser grosseiro com alguém que trabalha com ele? Zero!

Esta turma não tem o mesmo apego a posses e a coisas que nós tínhamos quando começamos (nós de 50+). Eles não precisam de carro, muitos não querem nem tirar a carteira de motorista. Eles dividem a casa, o escritório, a comida…compartilhamento é a palavra de ordem. Isso é muito importante para entendermos a nova relação que se cria no mundo do trabalho porque a economia do compartilhamento cria uma espécie de colchão de proteção para as pessoas. Primeiro porque as pessoas precisam de menos recursos para sobreviver. Isso significa que falar VTNC para o chefe grosseiro deixou de representar um risco tão grande de sobrevivência.

Meu sobrinho foi de São Paulo para o Rio para implantar o Atados por lá e logo descobriu uma senhora que tinha um apartamento “inoperante”, digamos assim. Ele propôs à senhora que deixasse ele morar ali de graça com a contra-partida de tornar o apartamento “operante”. O colocou como opção no Airbnb e desde então a senhora está faturando muito mais do que quando o alugava. E o Daniel ocupou o quarta da empregada e nunca mais saiu dali. Todos felizes, vida a custo zero. Outro dia veio para São Paulo mas não queria gastar com táxi, além do que já havia gasto com o avião. Escreveu em uma folha de papel sulfite “Preciso de Carona para Pinheiros” e ficou ali na saída dos carros, com o papel à mostra. Não demorou 3 minutos para conseguir uma carona.

Não é só a atitude das pessoas que está mudando em direção a uma vida mais simples e mais barata. O acesso a informação e ao conhecimento, que representa a real riqueza nos dias de hoje, nunca esteve tão fácil e tão barato. Com um smartphone de 600,00 nós temos acesso a muito mais conhecimento e aprendizado do que conseguimos absorver. E que nem sonhávamos em ter a 10 anos atrás.

Esta geração já entra no mercado de trabalho com esta vantagem. De um lado com um mundo de conhecimento e informação na ponta dos dedos e de outro, com pouquíssima necessidade de recursos para sobreviver.

Qual a chance de aceitar um chefe grosseiro?

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