Gisele – porque você ainda não tem uma conta no Facebook?

sem facebook-Por volta de 1998 eu e meus irmãos convencemos minha mãe a usar um computador e lá por 2006/2007 a convencemos a entrar no Facebook. Ela estava em uma fase mais reclusa de sua vida, depois da descoberta de um tumor, ficava muito em casa, saia pouco. Era viúva. Por alguma razão que eu não me lembro, começou a usar na rede o codinome Yara. Seu nome era Cecília. Em pouco tempo, a comunidade virtual da minha mãe se transferiu para o mundo real. Seus amigos eram muito mais jovens do que ela, e promoviam encontros físicos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ela chegou a alugar um apartamento no Rio para ficar mais perto dos novos amigos.

Sua melhor amiga, a Edith, é mais nova que eu, e também a chamava de Yara. Quando nos encontrávamos achava muito estranho que a chamassem de Yara, mas como tudo na vida, vamos nos acostumando, e o que importava mesmo era a grande amizade das duas, muito intensa, até o final da sua vida. Uma amizade que começou atrás da tela do computador, veio para o mundo físico e se tornou muito, muito real.

Eu tenho alguns poucos amigos que não usam o Facebook. Quando pergunto porquê, a maioria me diz que é por convicção. Mas eu nunca me convenci desta “convicção”. Acho que é por ignorância. Não no sentido de falta de cultura ou inteligência, mas no sentido de ignorar, de não levar em conta, os benefícios de ter uma conta no face.

Não, eu não recebo um tostão para fazer esta apologia mas tenho este triste hábito de me meter onde não sou chamado. Neste caso, o faço porque fui desafiado por uma amiga a convencê-la a criar uma conta no Facebook. A chamarei pelo pseudônimo Gisele, o nome da cachorrinha calma e tranquila de uma amiga. Vamos a esta tentativa.

Posso parecer demasiadamente mercantilista, mas eu daria uma séria atenção a qualquer empresa que vale centenas de bilhões de dólares e me oferece alguma coisa totalmente gratuita. Quando imagino quantos engenheiros estão trabalhando nos Estados Unidos e no mundo todo para me oferecer algo para o qual eu não precise desembolsar um centavo, eu não sou destes céticos que pensam: aí tem coisa! Não, minha primeira reação é: tô dentro. Ok, este sou eu, e não pretendo convencer ninguém a seguir esta filosofia.

Penso a mesma coisa com relação ao Google. A segunda empresa mais valiosa do mundo investe bilhões de dólares todos os anos para que quando eu tenha qualquer questionamento na vida, eu digite uma linha no meu celular e “bang”, a resposta apareça. Como posso não me interessar?

OK, concordo, nem tudo são dólares e nem todos são santos. Estas empresas te dão de graça aqui mas te cobram acolá. Mas e daí? Benvindo ao mundo atual, onde só vou me interessar por algo se tiver um claro benefício para mim. Porque não me interessaria pelo Uber se ele me oferece um deslocamento do ponto A para o ponto B em um veículo limpinho, novo, conduzido por um cara educado, sem precisar colocar a mão no bolso na hora de pagar, vem me buscar em casa, sai mais barato e ainda me oferece água e balinhas? Por convicção? De que? De que os taxistas ficarão desempregados? Ora, a maior categoria de trabalhadores dos EUA são os caminhoneiros. Alguém tem alguma dúvida de daqui a 10 anos eles também estarão desempregados? Que as cargas serão transportadas de uma maneira diferente da atual? Ou que qualquer trabalho repetitivo e mecânico será substituído por um robô ou por um sistema de inteligência artificial? Não acredita? Espere mais 10 anos.

Voltemos ao Facebook. Vou citar apenas 2 benefícios gratuitos que sustentam meu argumento.

1. Saber o que está rolando por aí – como se fosse um jornal customizado, com notícias que você recebe somente de fontes que te interessam e às quais você buscou acesso – e, diga-se de passagem, pode remover este acesso a qualquer momento, caso esta fonte passe a não te interessar mais. E diga-se, de novo de passagem, você só recebe estas atualizações se e onde você quiser. Não é que o Facebook baterá a sua porta no meio do seu jantar em família para te entregar as atualizações. Você é que vai bater na porta deles, através do teu computador ou do teu celular, se fôr vontade sua. Ninguém está invadindo a tua privacidade.

Estas fontes de conteúdo podem ser seus amigos, seus conhecidos, os grupos aos quais vc se inscreveu para participar, ou as páginas de negócios ou associações pelas quais você se interessa. Somos nós quem decidimos de que grupos queremos participar, de quem queremos ser amigos, que canais de notícias nos interessam.

2. É uma ótimo meio para mantermos contato com as pessoas com as quais você se relacionou em algum momento. Tudo bem, voce pode ser uma pessoa do tipo reclusa e dizer que não quer ter mais nenhum contato com as pessoas com as quais já se relacionou na vida. Neste caso, este benefício não é para você. Mas se você não tem este perfil, porque não gostaria de saber onde estão as pessoas com as quais um dia já teve contato? Saber o que estão fazendo? Eu mantenho, através do face, contato com muita gente que de outra forma teria desaparecido para sempre de minha vida. Talvez eu seja um ser excessivamente social, mas não fosse o face não estaria indo para o Kenya no final do ano visitar 2 amigos que estudaram comigo há 30 anos. Muito melhor que chegar lá sem conhecer ninguém, não?

Outro argumento que escuto dos “resistentes” é: minha vida não é um livro aberto e eu não gosto de ficar me expondo. Não é meu estilo, mas compreendo perfeitamente quem pensa desta maneira. Agora, não usar o face por conta disso é ignorar o funcionamento do mecanismo. Você pode usá-lo sem expor 1 mm da sua intimidade, sem postar uma foto que seja. Pode usufruir dos benefícios que eu citei e continuar no anonimato. Conheço muita gente que usa o face desta forma. Alguns nao se manifestam de jeito nenhum e alguns curtem alguns posts mas não publicam nada. Justamente aí é que está a vantagem do aplicativo. Você escolhe como quer interagir.

Mas se isolar do mundo, perder estas oportunidades de conexão e de absorver conteúdos que te interessam, ainda por cima, de graça, sem ter que pagar nadinha? Ah não, Gisele. Você é muito mais esperta do que isso.

Te convenci? Ou você não vai dar o braço a torcer? Deixe seu comentário.

5 comentários em “Gisele – porque você ainda não tem uma conta no Facebook?”

  1. Concordo, mas tenho alguns princípios: 1) Só adiciono quem conheço ou cruzei alguma vez na vida: 2) Não gosto quem promove onde trabalha, não o seu negócio pessoal mas onde voce trabalha, é prestador de serviço ou funcionário. Isto acontece com frequência com alguns que ainda estão na empresa que trabalhamos no passado – se quiser saber o que acontece lá sigo a empresa. Estas pessoas estou bloqueando!

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