O mito do carisma

É uma unanimidade: todo mundo quer ter carisma. E não é pra menos. As pessoas carismáticas parecem se dar melhor na vida, se sair melhor nos negócios, contornar melhor situações constrangedoras. Elas parecem derreter o gelo de um ambiente tenso somente com o seu sorriso aberto.

Mas afinal, o carisma é algo que nasce com a pessoa ou é algo que se aprende?

Recomendo muito o livro da Simone Cox Cabane sobre o assunto, chamado “The Charisma Mith”. Ela dá boas dicas aos interessados e responde a questão acima com um sonoro “sim”.

O que faz de alguém uma pessoa carismática?

Estar presente – quer dizer, a pessoa está prestando atenção total naquilo que está rolando. Não se distrai com pensamentos do passado ou do futuro. Se está falando com você, está 100% concentrada naquilo que você está falando. Não tenta te interromper ao menor suspiro que você dá entre uma sentença e outra. Quando somos interrompidos deste jeito, temos a impressão de que a pessoa não estava prestando atenção naquilo que estávamos falando, mas sim elaborando a sua próxima fala. Quando nosso interlocutor demonstra estar presente, nos sentimos ouvidos, valorizados e respeitados, não é mesmo?

A autora sugere a técnica dos 2 segundos, que já mencionei em outro post. Esperar 2 segundos antes de rebater o que alguém acabou de falar.

O carismático tem foco. Quando a sua atenção começa a querer “viajar”, ele tem um repertório de truques que o trazem de volta para a conversa do presente. Simone Cox cita um bem simples que tem origem na meditação, nas técnicas de “mindfulness”. Concentre-se na sua respiração, repare no caminho do ar, desde as narinas até os dedos do pé. Olhe pra dentro. O foco voltará.

A autora entra na questão do bem estar pessoal como um componente importante da expressão do carisma. O que também pode ser trabalhado com a meditação. Mas ela dá outras dicas mais objetivas.

Fala sobre como nosso estado de espírito é afetado por nossa incapacidade de tolerância às incertezas de nossas vidas. Esta incapacidade nos faz tomar decisões precipitadas, nos prejudica até em pequenas negociações do dia a dia, nos faz revelar mais do que seria necessário simplesmente porque queremos preencher aquele vazio da conversa. Não somos capazes de aguentar a incerteza sobre o que a outra pessoa está pensando e portanto vivemos momentos de ansiedade. E a ansiedade é um inibidor do carisma.

A má notícia é que a incerteza não vai embora nunca, ao contrário. Ela só aumenta, principalmente em um mundo onde as coisas andam num passo mais rápido, a tecnologia avança e nos deixa pra trás. Aqueles que sabem como domar a incerteza terá uma grande vantagem sobre os outros. As pessoas chamarão de carisma.

A maneira mais fácil de abraçar a incerteza é adotar o mantra do “eu não sei”. Não sei o que vai acontecer, não sei quem é quem aqui, não sei por onde eu começo, enfim, não sei um monte de coisas. Vamos de cara admitir que não sabemos e nos livrar do peso de ter que saber. Isso significa estar aberto ao aprendizado, à novos formatos, à escuta ativa. Vire a chave do “deixa eu dar minha opinião inteligente sobre este assunto” para o “eu não sei” e você estará flertando com a incerteza, aceitando-a, de uma maneira suave.

Para quem está no mundo dos negócios, estar confortável com a incerteza e com a ambiguidade é importante não só porque aumenta o nosso carisma mas porque esta habilidade é um dos grandes sinalizadores do sucesso profissional.

A auto-crítica é um dos obstáculos mais comuns à performance das pessoas. Todos nós nos sentimos mal em muitos momentos, faz parte da vida. Sentimos raiva, inveja, ansiedade…muitas vezes aquilo que mais nos incomoda e nos prejudica não é nem o sentimento em si, mas a vergonha que sentimos de estar vivenciando estes sentimentos.

Uma das principais razões pelas quais somos tão afetados por nossos sentimentos negativos é o fato de acreditarmos que nossa mente está fazendo uma leitura correta da realidade. E pior ainda, que as conclusões da mente por conta desta leitura são válidas. Não são. Muitas vezes a visão que nossa mente tem da realidade é distorcida.

Quando nossa mente começa a criar cenários negativos, temos que nos lembrar que talvez não estejamos fazendo uma leitura correta da realidade. Em outro livro que li recentemente, o autor diz que nossa mente é como TV a cabo. Nos dá acesso a um montão de canais, mas só vale mesmo a pena assistir a alguns. Os canais que não valem a pena estão lá, mas não precisamos necessariamente acessá-los.

Parte do estar presente, do estar consciente do que está se passando ao nosso redor, é conseguir enxergar estes sentimentos negativos com naturalidade, com distanciamento. Como se estivéssemos vendo um filme de nós mesmos passando à nossa frente. “Olha só, tá rolando uma irritação aqui dentro” é uma self-talk muito mais efetiva que “tô muito puto”. Também ajuda termos consciência de que não é só conosco que estas coisas acontecem. O mesmo sentimento afeta a todos os humanos, em um ou outro momento, em maior ou menor grau. Temos que ter a tranquilidade de que este estado passará, assim como sempre passa.

E não precisamos nos envergonhar dele. Simplesmente reconhecê-lo e tocar a vida em frente.

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