De onde vem as boas ideias?

Vagando pela internet descobri um cara interessante chamado Steven Johnson, que aborda o tema do surgimento das grandes idéias. Vejam a sua palestra no TED. É sensacional. E depois da palestra, descobri ainda um outro video, um pouco mais curto, com uma representação, em desenhos “real time”, das ideias dele.

Nada daquele momento mágico no banho, daquela inspiração caminhando por um campo de girassóis. Muito a ver com a conectividade entre as pessoas, com o encontro de uma pequena idéia na cabeça de uma pessoa com outra pequena ideia de outra pessoa produzindo algo maior que nenhuma das 2 cabeças haviam pensado inicialmente.

Nosso cérebro trabalha assim, de maneira conectada, com os neurônios interagindo entre si para produzir um pensamento. E quando um cérebro, cheio destas conexões, encontra outro igualmente ativo, é neste momento que surgem as grande inovações.

Ele fala também sobre o ambiente onde as ideias são geradas. Raramente elas surgem olhando-se pelo cano de um microscópio ou sentado sozinho em uma baia de trabalho. As grandes idéias do Renascentismo ou do Iluminismo apareceram nos cafés franceses e pubs ingleses. O surgimento de uma ideia inovadora é mais provável em um encontro fortuito, em um papo informal, no ambiente descontraído de um café ou até um pouco anárquico, de um pub, onde as conversas fluem, transitam, às vezes até auxiliadas por um pouco de álcool.

O convívio com a tecnologia tem sido responsabilizado pela falta de concentração das pessoas, com a quase obrigação de sermos todos multi-tarefas o e de portanto, não conseguirmos nos concentrar em uma leitura profunda, de onde, supostamente, extraímos as boas ideias.

Mas a tecnologia nos trouxe a internet, e seu papel importantíssimo para a criação desta conectividade, onde você discute algo aqui, rouba uma idéia ali, pesquisa sobre um assunto acolá, assiste a um vídeo, vê fotos, e de repente, todas estas conexões estão caminhando, muitas vezes meio desorganizadamente, em direção a um ponto de convergência, a uma solução para um problema, a uma boa idéia.

Contrariamente ao senso comum, muitas das inovações levam tempo para acontecer. Requerem um tempo de amadurecimento, vão sendo construídas, discutidas, alimentadas, até que se chegue a alguma coisa acabada. O próprio projeto de criação da internet foi “incubado” durante 10 anos, pois seu suposto criador, Tim Bernes-Lee, o abandonou antes de retomá-lo, porque preferiu se dedicar a outras prioridades.

Conclusão: as coisas vão aparecendo, as ideias vão amadurecendo, as pessoas vão compartilhando, de repente um movimento vai ganhando força, um ambiente bacana acolhe estas pessoas e estas ideias, que começam a se encontrar, a agir em rede, a esbarrar umas às outras em colisões que geram energia, e quando menos se espera, voilá, criou-se uma grande inovação.

Para os anais da história pode parecer um momento de eureka, uma maçã que caiu no chão e deu a alguém a ideia da gravidade. Mas com certeza os encontros entre as pessoas, os bares e cafés, e quem sabe até um pouco de álcool, desempenham um importante papel para a inovação, papel este que a história não conta.

Há que se dar tempo ao tempo, criar um ambiente propício, procurar se conectar ao máximo, compartilhar conhecimento e sobretudo, andar com os ouvidos bem abertos se quisermos evoluir através da inovação. Esta é a mensagem do Steven Jonhson.

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