Como construir e monetizar sua autoridade online

O sucesso na internet depende de você querer realmente ajudar as pessoas de um nicho específico de mercado, da sua capacidade de estabelecer a sua reputação online e de aumentar a sua audiência.

Para isso você tem que começar por produzir e publicar conteúdo (textos, videos, fotos, lives) de maneira consistente e intensa, de preferência seguindo uma agenda, um calendário de publicação de conteúdo pré-definida.

Pense bem no nicho, na sua expertise, no seu melhor formato de comunicação e nos canais com os quais você tem familiaridade.

Fase 1 – Conteúdo – Produção intensa de conteúdo

Fase 2 – Monetização – Nessa fase você tem que pensar em monetizar a audiência, afinal, dinheiro é importante.

Para começar você pode ajudar uma única pessoa da sua audiência, gratuitamente, de uma maneira mais intensa, tipo uma consultoria personalizada. Pense em como você pode ajudar essa pessoa, com um conhecimento que você tenha, um produto, uma ferramenta.

Ajude essa única pessoa a se transformar com a sua ajuda, a ponto de ela querer te dar um depoimento incrível sobre o impacto que você gerou na vida dela.

Descubra outras 10 pessoas que precisem dessa mesma ajuda e repita o processo, desta vez cobrando pela ajuda estruturada. Você está agora atrás de clientes, o jogo é outro, portanto é necessário definir estratégias de venda.

O JOGO DA VENDA

Publicar conteúdo na internet é uma coisa, construir uma base de clientes e vender para eles é outra.

Para vender pela internet usando sua autoridade construída offline, é necessário:

  1. Compreensão das definições de “prospect”, “lead” e cliente. “Prospect” é alguém do seu nicho que ainda não te forneceu seus dados de contato. “Lead” é um prospect que te forneceu seus dados de contato (email, telefone) geralmente em troca de algo gratuito que você deu a ele (ebook, webinário, semana de conteúdo, planilha, etc) te dando “permissão” para contato-lo diretamente. Cliente é alguém que comprou algum produto de você.
  2. Compreensão e definição de estratégias de vendas online (perpétuo, lançamento, funil).
  3. Compreensão e definição de quais são as parcerias necessárias para o projeto deslanchar (freelancers, agência, equipe própria).
  4. Adquirir o domínio das diversas plataformas da internet (Facebook, Instagram, Telegram, Youtube, LinkedIn, Spotify, Zoom, Streamyard, Linktree…),
  5. Familiarização com os softwares relevantes para vendas online (envio de email, gestão de leads, hospedagem do site, hospedagem de vídeo, construção de landing pages, plataforma de check-out, de ensino a distância, plataforma de anúncios no google, no facebook/instagram, controle de boletos parcelados, streaming de video para youtube, chat na pagina de checkout, financiamento estudantil..)
  6. Adquirir conhecimento básico de tráfego (como atrair pessoas do seu nicho organicamente, sem gastar dinheiro, ou através de anúncios pagos) e copywriting (escrita com objetivo de persuasão estimulando alguma tomada de ação) – essas são ciências fundamentais para vendas online, portanto quanto mais estudo e conhecimento, melhor para a sua “carreira”.

=> Fases 1 (Conteúdo) e 2 (Monetização) ocorrem simultaneamente

Além do conteúdo estruturado para o seu “funil de vendas” (um curso, uma palestra, um ebook, acesso a uma comunidade, mentoria em grupo..), você deve continuar produzindo conteúdo não estruturado, mas sempre em torno do mesmo tema, pensando no mesmo nicho de mercado. A produção de conteúdo não para nunca, e a plataforma mais importante para a maioria dos produtores de conteúdo é o Stories do Instagram (pelo menos 20 stories por dia), mas você deve publicar também no feed do Instagram, no Facebook, no Youtube (se tiver conteúdo de video), por email para a sua lista, pelo canal de telegram (audio) e outros canais. Você pode e deve criar um conteúdo e publicá-lo em diferentes plataformas com pequenas adaptações, aumentando bastante o alcance do seu conteúdo com menos “esforço criativo”.

Depois de um bom tempo produzindo muito conteúdo você vira uma autoridade no seu nicho e passa a ser um “influencer”. Com isso sua audiência começa a querer conhecer mais sobre sua vida pessoal, sua rotina e sua intimidade, o que é bom, aumenta suas possibilidades de venda de produtos

ESCALANDO O NEGÓCIO

Depois das primeiras vendas e do início da aquisição do conhecimento necessário para se obter sucesso comercial na internet, é hora de escalar as vendas. Descubra mais 100 pessoas no mesmo nicho das primeiras 10 e repita o processo de vendas, melhorando continuamente o processo.
Dê a essas 100 pessoas e a todos clientes posteriores o sentimento de pertencimento a uma comunidade exclusiva, da qual você é o líder.

Crie novos produtos de alto e de baixo valor. Os produtos de baixo valor são uma “porta de entrada” para que o “lead” se torne um cliente da sua plataforma. Através de automações programadas no seu sistema de gestão de leads você passa a ofertar para estes novos clientes produtos de maior valor (upsell).

Caso o “lead” entre para a sua plataforma com a intenção de adquirir produtos mais caros (estratégia de lançamento é boa para esse modelo) mas por algum motivo não concluiu a compra – isso acontece com a vasta maioria dos leads – o seu sistema de gestão de leads passa a propor produtos de menor valor da sua plataforma (downsell).

Na escalada do negócio devemos pensar em otimizar a venda por lead gerado na plataforma (taxa de conversão de leads em clientes e tíquete médio das vendas) e no CAC (custo de aquisição de clientes), ou seja, quanto estamos gastando, em média para adquirir um cliente para a plataforma.

O objetivo é estruturar uma máquina eficiente de vendas onde tenhamos uma ideia clara de quanto cada real gasto com a aquisição de clientes esteja gerando de vendas de produtos da plataforma.

Isso é ter uma máquina de vendas previsível e escalável.

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Crônica – O almoço está servido. O cozinheiro está suando.

These Five-Star Restaurants Are Worth Every Penny | GOBankingRates

O almoço está servido. O cozinheiro está suando. Os convidados não estão nem aí para ele. Se divertem com a longa estória que está sendo contada pelo cunhado do cozinheiro, o dono da casa. O cozinheiro conhece aquela estória porque já a escutou mil vezes, e o suor na sua testa aumenta um pouco mais quando ele percebe que a estória ainda está na metade e muito longe de terminar. E ele não pode simplesmente mandar o cunhado se calar para dizer que o almoço está servido e “narrar” a sua obra prima para a platéia. Fazer a sua “entrée”. É disso que ele se alimenta, este é o seu momento.
O almoço está servido. O molho cremoso da massa que acaba de sair do forno está na consistência perfeita, nem tão líquida, nem tão grossa. O parmesão que cobre o prato estampa um gratinado dourado. E quando o cozinheiro introduz a colher na travessa, uma linda fumaça se levanta. Temperatura perfeita.
Mas a estória do cunhado não acaba. O filho da mãe é um bom contador de estórias. Já a estória do cozinheiro é aquele prato. Aquela é a sua criação. E ele está ali, olhando para a sua criação, vendo a fumaça ficar cada vez mais rala.
Maldito dia em que o cozinheiro topou cozinhar na casa do cunhado. É a primeira vez que o cunhado chama o cozinheiro para cozinhar na sua casa. O cozinheiro aceitou mais para não se indispor com a esposa, que queria se reaproximar do irmão.
O cozinheiro não gosta de cozinhar em domínios desconhecidos, em um fogão com o qual ele não tem intimidade. Cuja chama ele não sabe a altura, cujo forno ele não sabe se a temperatura interna é a mesma do marcador. São muitas  incertezas. Ele não sabe se haverá “bowls” suficientes para guardar a sua “mise en place”, se haverá tábuas para picar e temperar, panelas grossas  que retém a temperatura, facas grande e afiadas para o corte, colheres grandes para servir os pratos. A maioria das casas não tem um simples “fouet”. Como esperam que ele bata um creme ou engrosse um Bechamel?
Sim, o almoço está servido. E o cozinheiro está suando. O sorriso que ele ostenta na cara neste momento, é falso. Sua esposa é a única que percebe sua agonia e leva para ele 2 folhas de toalha de papel para que ele enxugue a testa. Ele pega as folhas de papel mas afasta a mulher com um gesto meio brusco. Ninguém quer testemunha para sua própria agonia.
Sua cabeça é invadida por sentimentos contraditórios. Ele gosta de cozinhar. Aliás, adora. Mas de que serve passar o dia fazendo compras, fazendo o pré-preparo, finalizando os pratos em uma cozinha calorenta, se no momento de servir, de brilhar, ele não consegue estar no centro das atenções? Maldito cunhado que não para de falar! Mas a casa é dele! É o seu domínio. E o almoço está servido.
Os convidados tomam suas caipirinhas, seus gin tônicas e dão risadas. Eles não  tem idéia dos pensamentos que povoam a cabeça do cozinheiro neste momento. O sorriso continua ali, congelado. Mas o suor começa a escorrer pelo pescoço. O molho cremoso começa a engrossar. A estória é longa. Mas parece que está chegando ao fim. O almoço está servido.
“E agora, antes de passarmos à mesa, preciso fazer um brinde ao meu cunhado, que se dispôs a vir cozinhar para nós, fez as compras e passou a tarde na cozinha preparando a maravilha que nós vamos comer agora….mas antes…”.
“Não” – pensa o cozinheiro, não tem “antes”. É agora ou nunca! Até o parmesão já perdeu o dourado.
Neste momento o cozinheiro já não está mais nem pensando nas compras e na tarde que ele passou na cozinha enquanto todos se divertiam a beira da piscina, com cervejas geladas e música alta. Isso ele já superou. Agora ele só quer servir a droga da comida.
“Antes…eu quero mostrar para vocês o vinho que eu separei para esta ocasião. Querida, me traz o decanter?”
“Não, não e não!” O cozinheiro exclama, desesperado. O sorriso falso se transformando em uma carranca azeda. A esposa corre em sua direção com mais duas folhas de papel toalha. “Amor…calma, tá tudo bem. Ele está guardando este vinho a 2 anos”.
O almoço está servido. O cozinheiro não consegue mais se segurar. Sai correndo, atravessa o salão e se joga na piscina. A água fria o acalma e de repente, tudo na sua cabeça se clareia, ele percebe o quanto estava se comportando como um menino auto-centrado. Dá algumas voltas na piscina, faz uma sessão de respirações profundas na borda, se enxuga e volta para a mesa. Os convidados já se serviram e estavam conversando animadamente. Ninguém deu muita bola para o arroubo de fúria do cozinheiro. Ele se sentou em um cantinho da mesa e ganhou um tapinha nas costas do cunhado, que o cumprimentou: “meu, você é o cara! Que massa, hein?”. E complementou. “Podia estar um pouquinho mais quente? Podia.”

 

Sua filha de 17 anos está pensando qual carreira seguir?

decisao

Todo mundo é único em alguma maneira. Muitas pessoas demoram para descobrir o que é único nelas, o que elas fazem muito bem, o que as diferencia das outras pessoas.
Muitas vezes isso que é único nelas fica escondido do mundo, repreendido dentro delas, por toda a vida.
As vezes somente elas sabem deste tesouro que habita dentro delas. As vezes outras pessoas também sabem, mas não ajudam, não as estimulam a investir neste talento, seja porque estão mais preocupadas com suas vidas, seja porque não desejam, no fundo dos seus corações, que aquele talento desabroche, venha ao mundo, enquanto o seu próprio talento segue escondido.
Somente quando nós mesmos decidimos tomar a iniciativa é que a mágica acontece.
É quando começamos a nos desvencilhar da manada, a mostrar ao mundo o que temos de diferente. Não é fácil. Por conta de convenções sociais e da nossa necessidade de adaptabilidade ao que é considerado normal, a maioria das nós não deixa aflorar nossas habilidades únicas. Preferimos demonstrar, se necessário for, nossas habilidades comuns.
Todos sabemos que temos isso dentro de nós, que o mundo se beneficiária se conseguíssemos nos expressar através destas nossas habilidades únicas.
Mas permitir que elas aflorem, apesar de contraditório, não é uma atividade passiva, que ocorre naturalmente. Pelo contrário, é algo que exige da pessoa uma enorme força de vontade, que vai contra o estado natural do ser humano de ficar dentro da sua zona de conforto pelo tempo que for possível. E sempre é possível ficar um pouco mais. E o tempo vai passando. E a gente vai vendo pessoas que vão tendo sucesso porque conseguiram expressar para o mundo o seu talento único e fica pensando: porque não eu?
Aprender maneiras de expressar esse talento deveria ser a atividade mais importante a ser praticada pelos jovens em um momento em que a escolha de carreira, apesar de obrigatória – afinal, ele(a) deve decidir que faculdade fazer – é geralmente desprovida de qualquer certeza. A maioria escolhe porque tem que escolher, faz testes vocacionais mas não estão totalmente convencidos dos resultados.
Neste momento de incertezas, os jovens deveriam se perguntar: de que maneira eu posso começar hoje a expressar os meus talentos?
Me dirijo agora ao jovem. Talvez você esteja se perguntando: ok, mas como eu faço para descobrir estes talentos em mim? Mesmo que você ainda não esteja seguro de quais são estes talentos, você pode começar a se treinar na maneira de expressa-lo, para que quando essa luz te atingir, você esteja preparado. E essa luz virá. Seja durante a faculdade, seja depois dela.
Eu, particularmente, considero o domínio das técnicas de texto e de video as habilidades mais importantes que um jovem que aspira ao sucesso deva adquirir.
Com o domínio destas 2 habilidades você será capaz de se expressar para o mundo, de liberar este talento que vive dentro de você.
Você tem segurança total nas suas habilidades com a escrita? Não? Então comece hoje a ler muito, todos os dias, até que isso vire uma rotina prazerosa. E na paralela você deveria inaugurar um blog. Você não precisa contar para ninguém, simplesmente comece um e escreva um texto uma vez por dia sobre qualquer bobagem. O hábito faz o monge e logo você estará se expressando com desenvoltura. Quem sabe você, no futuro, não queira realmente que as pessoas leiam seus textos? Aí você o torna público.
Você tem desenvoltura na frente de uma câmera de vídeo? Não? Então comece hoje o seu canal de youtube. Não precisa contar para ninguém. Só comece e coloque ali um vídeo por dia, você falando com a câmera sobre qualquer assunto. Até o dia que você começa a se sentir confortável conversando com a câmera. Esse dia chega, eu te garanto.
Eu entendo que é esquisito no começo, é desconfortável se expressar através de textos e de vídeos.
E acredito que a chance é grande de que 95% das pessoas que estão lendo esse texto não estão dispostas a encarar o desconforto deste aprendizado.
Mas os outros 5%, quando finalmente descobrirem seus talentos, terão muito mais probabilidade de expressa-los do que a turma dos 95%. E o mundo agradecerá.

Não se apaixone pelo negócio

O que é Empreender

Qual é o princípio do empreendedorismo? Agregar valor a alguma coisa…aliás seja empreendedorismo interno ou externo. Se vc trabalha como funcionário de uma empresa, cada vez que vc agrega valor a alguma coisa, vc está empreendendo, mesmo que você seja um funcionário com um salário mensal.

E o que é agregar valor? Todo mundo fala nisso, todo mundo concorda que é importante, mas muitas vezes as pessoas não sabem, na prática, o que elas tem que fazer para agregar valor.

Se você percebe uma maneira de fazer alguma coisa com um custo um pouquinho melhor do que o custo que está sendo incorrido atualmente, você agregou valor.

Se você consegue imaginar alguma maneira de executar um processo qualquer no trabalho, que é executado todo dia, de uma maneira mais rápida do que a que vem sendo executada, mesmo que seja alguns segundos só mais rápido, pronto, você agregou valor.

Se você encontra uma maneira de conseguir mais clientes para o negócio, mesmo que sejam poucos clientes, você agregou valor.

Pegou a ideia? Agregar valor é introduzir qualquer melhoria na operação que resulte ou em uma diminuição de custo ou em um aumento de receita.

Agora vamos dar o exemplo de como isso pode ser aplicado na “carreira” de um empreendedor.

Antes de mais nada vamos ver como se comporta, ao longo do tempo, os fluxos de caixa em um investimento que é feito à partir do zero.

A Linha do Tempo

Antes da inauguração do negócio, os fluxos são sempre negativos – você está investindo, portanto, todos os meses sai dinheiro do caixa e nada está entrando, você ainda não está vendendo. Para efeito de exercício vamos supor que o investimento total neste negócio hipotético, é de 500K (sempre vou me referir a K como sendo um diminutivo de milhar, ok? 500k = R$500.000,00). Isso significa que no dia da inauguração do negócio o seu acumulado de caixa está em -500K.

O Céu Azul

Ao inaugurar o negócio, você espera que consiga reverter este fluxo negativo com o resultado da operação. Tendo mais receitas do que despesas. Auferindo lucros. Isso é o que todo mundo espera. Mês a mês você vai tendo lucros que vão “compensando” aqueles -500k até que chega o dia em que você consegue zerar os -500K e a partir daí passa a usufruir efetivamente dos lucros do negócio, já tendo se pagado (ou pagado o investidor) pelo investimento realizado para montar o negócio.

Este é o mundo ideal, o céu azul, sem nenhuma nuvem.

A Realidade

Tendo inaugurado mais de 14 negócios, seja como empreendedor assalariado ou como autônomo, e tendo convivido com muitos empreendedores e escutado relatos de outros tantos que compartilham suas experiências na nossa plataforma digital de gestão e empreendedorismo gastronômico, minha visão da realidade é bem diferente deste céu azul.

O que eu vejo que acontece em mais de 70% dos casos de empreendedorismo: o negativo, que deveria ir diminuindo após a inauguração, vai aumentando. Por diversas razões. Pode ser que as receitas ainda não tenham atingido o patamar esperado, pode ser que os custos tenham sido maiores do que o esperado, pode ser que tenha havido muita rotatividade de pessoas nos primeiros meses, pode ser que os sócios do negócio tenham se desentendido e prejudicado a operação, pode ser que os controles não tenham sido bem estabelecidos e esteja havendo roubos ou desperdício, e pode ser que esteja acontecendo tudo isso que foi mencionado ao mesmo tempo.

Acredite, continuar a ter fluxos negativos após a inauguração é muito mais regra do exceção no mundo do empreendedorismo.

E o que é pior. Estes fluxos negativos após a inauguração raramente são previstos pelos empreendedores. E eles não tem, na maioria das vezes, de onde tirar este fundo para dar conta do fluxo de caixa negativo. Aí começa o desespero. Emprestam dinheiro a juros proibitivos no banco. Pedem dinheiro emprestado a amigos e parentes, que obviamente relutam em emprestar, criando estresse emocional adicional ao empreendedor. Que diga-se de passagem, já está estressadíssimo tentando fazer com que seu negócio dê resultado positivo.

A Espiral Negativa

Todos os meses ele vê os -500K “crescendo para baixo”. No primeiro mês, virou -550K, no segundo mês, virou -600K e assim por diante. Não só ele não está conseguindo pagar a conta do investimento inicial como o negócio está consumindo 50K adicionais do caixa todos os meses.

Você acha que eu estou sendo exagerado neste exemplo hipotético? Então é porque você não conversou com uma amostra significativa de empreendedores. E esse é um dos grandes problemas de um aspirante a empreendedor. Nós nunca conseguimos falar com os que fecharam as portas e perguntar porque fecharam, que lições podemos aprender.

Simplesmente porque eles desaparecem, partem para outro negócio, arrumam um emprego, não querem aparecer e ficar falando sobre seus fracassos. É compreensível. Mesmo os que empreenderam e continuam abertos, raramente irão admitir que estão sofrendo para manter seus negócios em pé. Quando você pergunta: como vai? A resposta é sempre: tudo ótimo. Mas se pudéssemos tirar um raio X do negócio de cada empreendedor que encontramos, veríamos que o percentual de empreendedores que estão “crescendo para baixo” todos os meses é enorme.

E chega o momento em que o que começou o negócio – vamos chamá-lo de empreendedor original – não aguenta mais aquela situação.

O Negociante

É quando entra em cena o empreendedor ninja.

Ele sabe como é complicado fazer a roda girar pela primeira vez. Montar o empreendimento, contratar a equipe, criar todos os processos. E ele sabe também que é muito mais fácil você implementar pequenas melhorias nos processos que já existem do que começar os processos do zero. A energia gasta é muito menor.

Então ele fica buscando oportunidades no mercado. Ele procura uma situação como esta que eu descrevi acima, vai lá e faz uma oferta. De pagar 1/5 do que o empreendedor original investiu no negócio para comprar o negócio dele. E ainda pagar em 10 vezes.

No primeiro momento o empreendedor original recusa, quase o agride. “Tá de sacanagem? Eu gastei 500k e voce quer comprar por 100k e ainda pagar em 10 vezes? Nem a pau!

Mais 2 meses se passam e ele perde mais 100K (50K por mês). O empreendedor ninja conhece o jogo, dá um tempinho e volta lá, como quem não quer nada, e diz que a oferta continua de pé.

O empreendedor original pensa nos 100K que ele teve de prejú só nos últimos 2 meses, escuta a proposta com mais calma, pensa que no mês que vem ele pode, não só parar de colocar 50K no negócio como ainda colocar 10K no bolso, e sabe o que acontece? Ele fecha o negócio. Vende o empreendimento por 100K em 10 parcelas de 10K.

Sim, acabei de presenciar um negócio como este e acredite: é muito comum.

Agregar Valor ao Negócio

Aí o que faz o empreendedor ninja? Agrega valor àquilo que ele comprou.

Revê contratos, motiva a equipe, revê os processos, melhora o marketing e a gestão, aumenta um pouco a receita, diminui um pouco os custos e, depois de algum tempo, aqueles 50K/mês de prejuízo viram 20/30k/mês de lucro. Aquele negócio que ele comprou por 100K, passa a valer entre 800K e 1M menos de 1 ano após ele ter assumido o negócio. Sabe o que ele faz? Vende o negócio, realiza o lucro da venda do negócio e parte para fazer outro negócio.

Parece fácil mas não é. O empreendedor ninja tem que saber como introduzir as melhorias, como motivar as pessoas, como negociar, como detectar estas oportunidades no mercado. Tudo isso é fruto de experiência e conhecimento adquiridos. De sucessos e tombos passados. Conheço alguns empreendedores ninjas mas não conheço nenhum que não tenha passado por algum fracasso.

Não se Enamorar

O empreendedor ninja não comete o erro de se apaixonar pelo negócio, pelo produto ou pelo conceito. Ele é apaixonado pela melhoria dos processos, por agregar valor em uma operação.

E se ele quiser realmente empreender em alguma das suas paixões, ou em algum empreendimento que não faça sentido financeiro mas faça sentido emocional, por exemplo, ajudar uma filha a iniciar um projeto, ajudar uma causa sem nenhum retorno financeiro, ele saberá que pode investir uma pequena parcela do seu patrimônio nisso. Caso dê errado por algum motivo, a perda financeira não lhe trará grandes transtornos.

Conclusões:

* É muito mais difícil e estressante começar qualquer coisa do zero do que comprar alguma coisa que já esteja funcionando, apesar das inúmeras justificativas pelo contrário desta tese, a principal delas sendo a de que, ao começar o negócio do zero, você monta o negócio com a sua cara, com o seu jeito, fazendo com que os funcionários “rezem pela sua cartilha”. Eu também acredito nesta tese, mas somente depois do 4º ou 5º empreendimento, não no primeiro . Não ignore a física. Tirar um objeto da inércia exige muito mais força do que dar uma pequeno empurrão em um objeto que já está em movimento.
* Não se apaixone pelo produto ou pelo conceito de um negócio e tenha coragem de mudar rapidamente se você perceber que as contas não fecham. O empreendedor foca no resultado, a paixão vem em segundo lugar.

Dicas:
* A primeira coisa que você tem que fazer ao avaliar uma compra é determinar se você consegue, com sua expertise e com seus recursos, agregar valor ao ativo que está sendo adquirido. Se isto não estiver claríssimo para você, dificilmente o investimento se pagará.
* Invista bastante tempo e recurso em fazer contas bem detalhadas antes de começar ou adquirir qualquer negócio. Planeje os primeiros meses com folga no caixa.

Quer saber se vale a pena investir em um restaurante? Assista este vídeo do nosso canal

A força dos nossos hábitos

E inútil vc querer controlar as situações que ocorrem na tua vida.

Vc é demitido da empresa, se separou da tua mulher, teu negócio deu uma embicada, como dizem os americanos, “shit happens”. A gente não tem como controlar.

O que sim a gente consegue controlar é a maneira como a gente reage a estas situações.

No livro “os 7 hábitos das pessoas muito eficazes” do Steven Covey, o hábito número 1 fala sobre agirmos com responsabilidade. Mas não responsabilidade no sentido literal, de agir com correção, mas no sentido da origem da palavra. “Respons” + “Ability”, ou seja, nossa habilidade de produzir uma resposta. Ele diz que este é o grande fator que nos diferencia dos animais. Nossa habilidade de, diante de um estímulo qualquer que chega até nós, considerar que existe um “gap” entre este estímulo e a nossa reação, que nos permite produzir uma resposta que faça sentido para nós, que esteja de acordo com aquilo que a gente deseja para nós mesmos. E não fazer como os animais, que ou fogem ou atacam. Nós, humanos, conseguimos pensar no “outcome”, no resultado que queremos. É uma pena que nem sempre a gente consiga exercer essa habilidade.

É um dos hábitos mais difíceis de cultivar. Somos constantemente pegos em situações onde só vamos refletir se nossa reação foi a mais adequada quando já é tarde demais, quando a reação já ocorreu, o “gap” já passou. Quando a flecha já foi lançada.

Mas não quero falar aqui somente de reações aos estímulos que a vida nos traz, embora seja um tema importantíssimo, mas também da força dos hábitos que a gente cultiva.

Um amigo se separou da mulher nesta semana e me contou que foi dormir no sofá a 1 hora da manhã, com a cabeça girando a um milhão por hora. As 5:30h, como é seu hábito, o despertador tocou e as 6:00h ele estava na academia, como é seu hábito. Pronto, seu dia tinha começado como todos os outros. Não deve ter sido fácil. A cabeça a mil, o corpo cansado de pouco descanso, triste pra caramba com a situação, ainda assim ele conseguiu se manter fiel aos seus hábitos. Vitória. Você não consegue controlar as situações mas consegue, ainda que com bastante esforço, controlar a sua reação. O que acaba não se tornando tão difícil se você cultiva hábitos de uma maneira consistente.

Sendo fiel a você mesmo e aos seus hábitos, você consegue se manter centrado no seu prumo. As pessoas começam a te notar como alguém que cumpre o que diz que vai cumprir, mesmo que a promessa tenha sido feita com você mesmo. E mais importante: você mesmo passa a ser enxergar como um cumpridor. O primeiro passo para conseguir influenciar pessoas e situações é conseguir se influenciar a si mesmo. Mantendo as promessas feitas conosco e sendo consistente e persistente nos nossos hábitos.

Se você se prometeu acordar cedo, acorde. Prometeu se exercitar durante 1 hora por dia, agende. Prometeu ser pontual nos teus compromissos, chegue sempre 5 minutos mais cedo. Seja fiel aos teus hábitos pois quando as desgraças aparecerem na tua vida (e não adianta reclamar, elas sempre vão aparecer) você já saberá o que fazer:

1. Pense na melhor reação que você pode ter naquele momento. Não reaja como um animal
2. Mantenha-se fiel aos seus hábitos

Não me lembro quem escreveu isso, mas me lembro mais ou menos da mensagem:

Um pensamento te leva a uma ação. Uma ação deve se transformar em um hábito. Os hábitos moldam o caráter. E o caráter define o teu destino.

Quer compartilhar algum hábito que você considere muito útil na tua vida? Talvez você inspire alguém.

Você só precisa acertar uma única vez

Quer saber qual é a fórmula matadora do empreendedorismo?

Bem simples. Tire a idéia do papel!

Parece simples demais? E é. Só que as pessoas não fazem isso. Elas tem a idéia e ficam remoendo, polindo, aperfeiçoando. Ao invés de “colocar para rodar” imediatamente, elas querem melhorar a idéia, até que ela esteja perfeita, pronta para ser mostrada ao mundo.

As pessoas adotam esta estratégia por medo do julgamento social. Não querem se apresentar ao mundo com imperfeições em seu produto. É compreensível. Desde sempre nos preocupamos com a opinião dos outros. Mas se você quer ser um empreendedor, saiba que terá que se despir deste tipo de vaidade.

Esperar pela perfeição não é a melhor estratégia. Quanto mais cedo você testa a sua idéia no mundo real, mais cedo você começa a aperfeiçoa-la. Entregar ao mercado um produto perfeito é tarefa para os grandes, que tem recursos para isso. Nós, pequenos e médios, não podemos nos dar ao luxo de gastar nossos recursos escassos com coisas que só passarão pelo teste do mercado depois que nossos parcos recursos tiverem minguado.

Conheço um monte de gente assim. Que se prepara, se prepara e se prepara…e nunca se lança.

Aqui no Rooftop 5 temos a oportunidade de conversar com vários empreendedores, muitos deles seriais. Um deles me disse algo muito interessante: “Você pode quebrar várias vezes, isso não importa. Você só precisa acertar uma única vez, que este acerto pode te sustentar para o resto da vida”.

Se você entra no jogo com esta mentalidade, faz mais sentido você errar logo, cedo. Assim você tem a oportunidade de corrigir a rota sem ter gasto tantos recursos, ou até desistir da empreitada, caso não seja somente uma questão de correção de rota. E parte logo para a próxima. O feito é melhor do que o perfeito!

Work 9 to 5 – Porque acho que não devemos nos impor limites

9-to-5

Minha esposa comentou ontem à noite a respeito de uma matéria no Fantástico sobre a legislação trabalhista francesa. Parece que foi aprovado por lá uma lei que proíbe que as empresas peçam aos seus funcionários que abram seus emails fora do horário de expediente. Me perguntou o que eu achava. Morrendo de sono, eu disse: não acho nada. E fui dormir. Como bom marido que sou…

Mas acordei pensando nisso. Também sou a favor de que a empresa não deva pedir aos seus funcionários para abrirem seus email fora do expediente, afinal de contas o descanso não só é fundamental para a saúde psicológica da pessoa como também é uma maneira de “recarregar a bateria”. O que supostamente ajuda a manter a produtividade em um bom nível durante o trabalho. Uma típica situação ganha-ganha.

Mas minha análise não termina por aqui. Penso que devemos definir um pouco melhor o significado de trabalho após o expediente. Para mim está claro que um chefe que exige que seu funcionário complete uma planilha de análise de dados no domingo para ser apresentada em uma reunião na segunda pela manhã está fora de sintonia com o mundo.

Caso aquele relatório seja realmente fundamental para a equipe e o chefe se esqueceu de solicitar antes, durante a semana, ou a necessidade só apareceu em sua cabeça no sábado a noite, ok ele pedir um help ao funcionário no domingo. Mas tem que ter claro algumas premissas: 1. Isso não pode acontecer mais de 2 vezes por ano. 2. O cara tem que aceitar “de boa” caso o funcionário não atenda o telefone, não responda o email, esteja isolado em uma ilha..isso não deve ser motivo para cara feia na manhã de segunda. 3. Antes até da solicitação ele tem que ter a humildade de dizer que está errado, que o funcionário tem o direito de mandar ele às favas, e quando fizer o pedido, deveria fazê-lo de joelhos, sabendo que isso não é coisa que se peça.

Cumprir ou não a solicitação do chefe cabe ao funcionário e a mais ninguém. Conheço muitas pessoas que não se estressam com isso, fazem o trabalho de bom grado, com um resultado até melhor do a expectativa que o chefe tinha.

Aliás, em muitos momentos da minha vida profissional estive do lado de lá da solicitação. Às vezes cumpri a missão empolgadíssimo, as vezes a cumpri contrariado e outras vezes me fingi de morto e deixei o chefe a ver navios. Sim, uma mesma pessoa enxerga sua relação com o trabalho de maneira diferente, conforme o momentos que está vivendo na sua vida ou na sua carreira, e conforme a relação que ele tem com a empresa e com o chefe.

Acho muito estranho que deva existir uma lei para regular este assunto.

Tem outra questão que eu acredito que seja importante quando se trata de trabalho fora do horário do expediente. O aprendizado. Não importa o nível hierárquico, do topo ao fundo da pirâmide (eu sei, é ridículo falar de pirâmide hoje em dia), todo mundo tem que aprender novas habilidades quase todos os dias. E as habilidades que aprendemos, nós levamos conosco para o resto da vida, elas se incorporam ao nosso ser. Elas serão úteis no nosso trabalho atual mas também o serão em trabalhos futuros ou até em uma transicão de funcionário para empresário. Estas habilidades passam a constituir o nosso patrimônio pessoal.

Aí eu pergunto: estas habilidades, que servirão para o nosso trabalho atual mas que também serão incorporadas ao nosso patrimônio pessoal, elas deveriam ser aprendidas somente no horário de expediente? Vou dar minha opinião pessoal: lógico que não! A pessoa que pensa desta maneira não acredita que a educação é um veículo para o desenvolvimento pessoal.

Conheço pessoas que fazem uma pós graduação noturna contando que isso a levará a uma evolução na carreira mas se recusam a aprender a lidar com um novo software ou aprender uma habilidade qualquer que é fundamental para a execução de alguma atividade na empresa que ela trabalha. Aliás, conheço muitas pessoas que tem esta mentalidade. O que sempre me choca. Como assim? A pessoa estuda de bom grado para uma matéria na pós graduação que não terá nenhuma aplicabilidade imediata e quando tem a oportunidade de aprender alguma coisa nova, que será imediatamente aplicada em seu trabalho, ela diz: “ou é das 9h as 17h ou eu não vou aprender isso aí não”.

Quando me deparo com pessoas de 50 anos com esta mentalidade, fico menos chocado. Pessoas nessa idade muitas vezes não acreditam que o aprendizado de algo novo possa levá-las a patamares mais altos em suas carreiras. O que considero um erro de avaliação. Mas compreensível.

O que eu não acho que seja compreensível é como uma pessoa de 25/30 anos limita suas atividades de aprendizado ao período 9-17h e considera que qualquer coisa fora disso é a empresa querendo abusar do funcionário em seu horário de descanso.

Pessoas com esta mentalidade limitam o teto do seu crescimento e isso é triste de se constatar nesta faixa etária. Aliás, em qualquer faixa etária.

FOMO (Fear of Missing Out)

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“An entrepreneur is someone who figures out how to succeed in something, and then immediately sets off to do something different”

Me deparei com esta frase outro dia, me identifiquei, postei no meu face e depois fiquei pensando…

Nós empreendedores somos bichos curiosos. A gente não se satisfaz com um só negócio.

As coisas se tornam tão efêmeras, o mundo gira tão rápido, que o seu negócio atual pode ser colocado na obsolescência sem que voce se dê conta. Estatísticas demonstram que isso acontece com os negócios na proporção de 8 para 10 em até 5 anos de vida. Se você tem um negócio que já dura mais de 5 anos, considere-se um vitorioso, um herói.

Uma das nossas principais missões na vida é justamente ficar procurando por buracos no casco do nosso próprio navio para poder consertá-lo antes que vire um rombo com potencial para afundá-lo. Temos que ficar de olho, atentos, acompanhando nossas equipes, os indicadores, assegurar que aquele negócio garantirá um belo futuro para todos que participam deste nosso “ecossistema”.

Mas uma outra parte do nosso cérebro está pensando um pouco mais longe. Está olhando oportunidades futuras. Absorve aquilo que está aprendendo com o negócio presente e começa a elocubrar sobre possibilidades de aplicações daquele aprendizado em outras coisas. E começa a conversar com pessoas. A ler, ler e ler cada vez mais. No celular, no computador, no jornal (menos e menos). E uma idéia daqui começa a conversar com uma idéia dali e uma nova coisa vai surgindo. E as pessoas vão se empolgando e vão fuçando sobre aquele novo assunto, se informando, formando novas conexões. E de repente, um novo negócio surge.

Que hoje não se chama mais um negócio. Pra ter potencial de crescimento tem que ser uma start-up. Ninguém mais fala “vou abrir um negócio”, isso é coisa do passado. Sócio virou parceiro, amigo com grana virou “angel”, escritório virou coworking, reunião virou “pitch”, brainstorming virou hackathon. Ajuda da família? Que nada, eu quero uma aceleradora na minha vida.

Sim, o mundo mudou, meu velho!

E eu também estou abrindo a minha start up. Que já já estará dando sua cara a tapa.

Mas a questão que me traz aqui hoje não é exatamente o maravilhoso mundo dos negócio com suas imensas possibilidades, que se descortina bem na nossa cara – se você não percebeu, acredite, está vivendo em outro mundo – mas sim a ansiedade.

Se você é como eu e está conectado, está ligado em todas as ferramentas que pulam na sua frente, não diariamente, mas 10 vezes por dia.

As coisas não param de aparecer. O amigo te falou de um app sensacional que resume os livros importantes que você TEEEM que ler, em apenas 10 páginas. 10 páginas e você absorveu os pontos mais interessantes do livro. Dá pra ficar sem um aplicativo desses. Eu quero, isso é muito bom!!! Imagina, eu sou um leitor voraz. Agora alguém fala de um livro interessante em uma conversa, eu vou no aplicativo e o leio os principais conceitos em 15 minutos!

Legal, né? Só que no final de cada “livro” o aplicativo te aconselha outro, com a mesma pegada daquele que você acabou de ler. E logicamente voce não pode deixar de ler aquele também. Mas e os rombos no casco do navio? E a start up? Ah é, deixa eu re-centralizar… Foco. E o FOMO (Fear of missing out)?

O FOMO é terrível! Você tá lançando uma start up? É online? É escalável, é repetitivo, tem potencial de crescimento infinito? Beleza, então não dá pra não saber o que é hotmart, eduzz, workana, LMS, scribble video, hubspot, geração de leads, webinars, ads, plataformas, saas, landing pages, CTA, marketplace de afiliados, marketing de conteúdo. Não dá pra não ir nos eventos onde tudo isso está sendo discutido. Não dá nem pra ignorar quem é o Érico Rocha.

Fica impossível ignorar todas as ferramentas sensacionais que se apresentam, que pulam na sua frente, e que você tem que aprender de qualquer maneira. Aquilo pode mudar tua vida, você percebe nos primeiros 10 segundos. Aí você pensa: como eu não descobri isso antes? Como meus amigos ainda não sabem disso?

A ansiedade vai batendo mas você tem as tuas prioridades estabelecidas. Afinal, pelo menos isso nós aprendemos a fazer já faz um bom tempo. Desde quando usávamos fax.

Só que estabelecer prioridades hoje não é mais escolher o que fazer em quais horários, mas o que deixar passar e não dar atenção, apesar da tentação. Ou, se voce for muito ninja, fazer uma pequena anotação de apenas 3 palavras naquele aplicativo que serve justamente para isso e deixar lá numa pastinha chamada “estacionamento de ideias e insights”. Mas tem que ter muita auto-disciplina para não começar a explorar aquele assunto imediatamente e ir adiando aquelas coisas que você se programou para fazer. A tentação é enorme.

Como ficar imune a tudo isso mesmo que seja somente por alguns minutos para dar uma recentralizada na ansiedade.

Como não ser ignorante com as pessoas, acelerando a conversa e queimando pontes justamente com quem mais pode te ajudar?

Como encaixar o esporte nesta rotina louca? Afinal, é ele que vai evitar (hopefully) que você tenha que passar 2 semanas de férias forçadas numa cama de hospital.

Até a cervejinha com os amigos ficou comprometida, pelo menos até a décima. O esporte preferido dos amigos é compartilhar novas descobertas. O que só aumenta a listinha de insights que iremos explorar depois, quando chegarmos em casa. Ou seja, já chegamos ansiosos. TV pra relaxar? Nem sei mais o que é isso. Bora abrir a listinha e dar uma explorada no que tem lá de novidade.

Estou preocupado com este enorme atraso que estou sofrendo em relação ao resto da humanidade 😂…..ansiedade?

E quando nada der certo?

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Reflexão sobre a escola – inspirado em um post do blog do Seth Godin.

Todo o sistema é baseado na certeza…

É certo que haverá aula amanhã.

Com certeza haverá um teste no final do trimestre. Se passar nos teste, com certeza passará de ano.

Se passar em todos os testes irá para uma boa faculdade.

Repita este procedimento por 10 anos e haverá uma sala te esperando em alguma empresa, com um horário a ser cumprido e um plano de carreira.

Você passou a vida toda sendo recompensado por cumprir o script que foi desenhado para você, e está feliz consigo mesmo por tê-lo feito.

E então nós te despejamos em uma cultura e em uma economia onde existe cada vez menos certezas, onde você pode ser demitido mesmo tendo cumprido todo o script.

Existe alguma maneira de prepara-los para este cenário? Fazê-los andar por terrenos movediços? Deixá-los cair e se levantar quantas vezes for necessário? Deixá-los seguir seus desejos com paixão?

Sei lá…tem alguém ensinando a eles o que fazer quando nada der certo?

Em Busca de uma Tomada

tomada

Ontem assisti a um dia inteiro de palestras sobre o futuro. Um dos palestrantes ia mostrando em video todas as coisas que estão sendo feitas ao redor do mundo, com uso da tecnologia, que irão impactar tudo o que fazemos. Como circularemos pelas cidades, como empresas estão mapeando todas as reservas de água potável do planeta, como os robôs farão tudo por nós de maneira que nossa única missão na vida será cuidar dos nossos e sermos criativos. Pois, supostamente, todos os trabalhos não criativos serão executados por estas máquinas maravilhosas.

Bicicletas e carros sem necessidade de condutor, previsão exata do horário da chuva na esquina da minha casa, ou melhor ainda, em cima da minha horta, experiências que estão sendo conduzidas em Oxford, Yale, Harvard, empresas unicórnio que surgiram no vale do silício e em menos de 3 anos já valem mais de 1 bilhão de dólares, enfim, um mundo incrível. Fico com inveja das minhas minhas filhas, que para acessar todas estas maravilhas que o mundo nos trará nos próximos 10 anos, precisarão apenas de….1 smartphone.

Eis que, de repente, no meio da palestra, a realidade brasileira é esfregada nas nossas caras. Uma rajada de vento derruba árvores pelo bairro, a energia da rede elétrica é cortada, o evento é interrompido até a entrada do gerador. São 4h da tarde.

Caos total no trânsito para voltar para casa, subida de muitos degraus porque as 10h da noite a luz ainda não havia voltado; banho gelado porque o boiler a gás foi substituído por um elétrico na semana passada (a conta do gás andava em torno de R$350,00!!). Noite de semi-insônia porque nem o ventilador dava pra ligar. 6h da manhã e nada da luz chegar.

Mas nada disso importa, temos sido treinados, nós brasileiros, para ser resilientes, inclusive isso foi ressaltado em uma das palestras. Trânsito, escadas, banho frio, mosquitos e calor, nada disso importa, afinal estamos vivos, somos fortes, vários dos palestrantes disseram isso.

Mas nada, nem as técnicas mais avançadas de mindfulness, te deixa preparado para ficar sem aquela peça ancestral, tão familiar a todos nós desde o tempo de nossos tataravós: a tomada. Com aquele 2 (agora 3) buraquinhos.

Aí você começa a pensar. Que mundo maravilhoso é este que se descortina, do qual o smartphone é o centro gravitacional, que não nos permite… carregar o celular??

10h da manhã e a luz não voltou ainda, dá pra acreditar? Século 21! Como assim? Tive que sair de casa em uma verdadeira peregrinação em busca de uma tomada. Vou até a padaria de todos os dias para descobrir que, não satisfeito em haver suspendido o wifi – os clientes ficavam muito tempo ocupando as mesas – o Portuga também arrancou… as tomadas da parede!!

Como sou amigo do chapeiro, pedi para dar uma carguinha ali mesmo, ao lado da chapa, pelo menos para mandar mandar uns whatsapps reorganizando a vida, agora sem luz. O escritório também está sem luz, a Ofner está sem luz, ninguém tem uma tomada, ó ceus, cruzes, como viver num mundo assim? Tomadaless…não dá.

Fico pensando. Isso acontece no Alto de Pinheiros, o bairro mais bacana da cidade mais moderna da America Latina!!! Estamos sem luz há 20 horas. Que modernidade é essa? Onde está este futuro que todos falam se não conseguimos…uma tomada????

Get it done

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Get it done, porra!

Agenda vazia? Preencha.

Marcou na agenda? Cumpra.

O compromisso é com você mesmo? Marque na agenda.

Envolve outras pessoas? Chegue 5 minutos antes.

Envolve algum tipo de criação? Mais uma razão para marcar na agenda.

Não está motivado? Sente na cadeira e faça.

A motivação ainda não apareceu? Se concentra mais.

Falta regularidade? Crie o hábito.

Faltou criatividade? Pare de se policiar.

O papel está vazio? Escreva qualquer coisa.

O telefone tocou? Ignore.

Críticas de todo lado? Você está no caminho certo.

Saiu fora da caixinha e todo mundo estranhou? Você está no caminho certo.

Deu um frio na barriga? Você está no caminho certo.

Fracassou? Ótimo, continue tentando.

Foi rejeitado? E daí?

Ficou puto? Respira.

Cagou? Pare de se explicar.

Perdeu o jogo? Vai treinar.

Ganhou o jogo? Vai treinar.

Não sabe o que está fazendo nesta reunião? Fuja.

Precisa de reconhecimento? Get a dog.

Life is short. Get it done e para de reclamar!

Eataly

eataly-logo

Terminou na semana retrasada o Salone del Gusto e Terra Madre, que acontece a cada 2 anos em Turim, na Itália.

Vale uma reflexão sobre os propósitos deste evento e sua relevância para todos aqueles que dão importância àquilo que colocam para dentro do seu organismo em forma de comida. E também para aqueles que tem algum tipo de preocupação com as 800 milhões de pessoas que passam fome no mundo enquanto 40% da produção mundial de alimentos é desperdiçada, jogada fora.

Não é um evento de culinária onde chefs renomados demonstram receitas para convidados que pagaram ingresso para admirá-los.

O evento começou a ser realizado há vinte anos, iniciativa do Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food e seu objetivo inicial era promover um encontro entre os agricultores orgânicos, aqueles que produzem em pequena escala um alimento não massificado. E dar voz a esses agricultores, dar a eles visibilidade, alguma via de comercialização paralela ao sistema “mainstream” de distribuição de alimentos industrializados.

Carlo Petrini é de Alba, cidadezinha no Piemonte, terra do Barolo. E tem como amigo de infância Oscar Farinetti, fundador do Eataly.

Oscar era dono de uma cadeia de eletrodomésticos chamada Unieuro, que vendeu para um grupo inglês por 400 milhões de euros. Apaixonado pela gastronomia, cheio de energia aos 50 e poucos anos e com muito dinheiro no bolso, Oscar foi ao encontro de Carlo. E começaram a pensar neste grande problema que afeta a todos os pequenos produtores: como distribuir? Como chegar aos consumidores das grandes cidades a um custo que seja razoável?

Outro amigo em comum era o prefeito de Turim, Sergio Chiamparino, que estava com um pepino nas mãos. Uma fábrica da antiga fabricante de bebidas Carpano, abandonada no meio da cidade, de 11 mil metros quadrados. O local ideal para a implantação do novo negócio de Oscar. Um centro de distribuição de orgânicos e outras iguarias que só a Itália oferece. Mas Oscar queria mais do que isso. Queria que as pessoas pudessem comer no local, que pudessem comprar livros de comida e de culinária, utensílios, que pudessem participar de treinamentos, comprar vinho e cerveja (artesanal, produzida ali mesmo). E que os preços fosse razoáveis. Um lugar que simplesmente não existia.

Carlo tinha todos os contatos, afinal havia criado o movimento slow food, o salonne del gusto, etc. Montaram uma equipe e foram atrás de 10.000 pequenos fornecedores em toda a Itália com o objetivo de selecionar 3.000 para serem fornecedores do novo local. Que foi batizado de Eataly. Carlo foi contra o nome “inglezado”, mas não teve argumentos quando Oscar mencionou o próprio “slow food”, criado por Carlo.

No dia da inauguração, em Janeiro de 2007, Oscar estava tenso. Será que a população iria abraçar a ideia. Uma ideia que nunca havia sido testada? Sim, a população de Turim abraçou. Desde o primeiro dia. A notícia se espalhou. Veio gente de todos os cantos. E o Eataly foi também para todos os cantos, América, Asia e até pra o Brasil, onde abriu uma loja linda em São Paulo. É o maior case de sucesso do varejo gastronômico da atualidade, tirando da conta o Whole Foods, que prospera muito na pegada saudável, mas que só está nos Estados Unidos. Por isso não ponho nesta conta.

Vida longa ao Farinetti!

Rethinking Business

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Conversando com uma amiga na semana passada, ela me contou que sua filha acaba de retornar dos EUA onde fez a faculdade e logo em seguida trabalhou durante um ano, prazo em que é possível se trabalhar legalmente por lá, depois que o estudante sai da faculdade. Mas teve que voltar ao Brasil. Foi obrigada.

Aqui chegando logo arrumou o emprego dos sonhos para a grande maioria dos estudantes que saem das faculdades brasileiras: no departamento de marketing de uma grande empresa. No caso, uma seguradora.

Lhe deram um crachá para pendurar no pescoço, uma baia para se sentar e um notebook formatado com todos os softwares que ela necessitaria para executar seu trabalho. Fizeram o tour da empresa no primeiro dia, participou de uma reunião de integração e até foi convidada para almoçar junto com o pessoal no quilo de preço justo que fica a 2 quadras do escritório.

O que o jovem que sai da faculdade está procurando? Um propósito, uma razão para sair de casa e ir mudar o mundo. Levando seu cérebro consigo e não somente seus braços e pernas. E o que estão oferecendo a eles? Uma baia e um crachá.

Todas as empresas estão operando nesta mesma “vibe”? Quais empresas conseguem escapar da chatice e oferecer um trabalho legal e desafiador? O que isso tem tem a ver com o consumismo desenfreado pelo qual estamos passando em escala mundial? De que forma a onda do compartilhamento afeta o modelo de negócio das empresas? O que configura a economia da inovação? Que relações de trabalho queremos e quais não queremos mais? Como a legislação atual impede a implantação de relações humanas mais saudáveis nas empresas? O que significa ser criativo no ambiente corporativo? Como é possível empreender sem as amarras da formalidade, através de projetos temporários e sem os riscos da ilegalidade?

Pára tudo!

Estava pensando em tudo isso mas tive que parar de escrever porque havia marcado um café com uma amiga, criadora da Conferencia Rethink Business, que ocorre agora em Novembro e está na 6ª edição. Comentei sobre este texto que estava escrevendo, muito entusiasmado porque acredito que isso seja “rethinking business”.

Ela me olhou com olhar cético e fez algumas colocações que me deixou pensando…será que não estamos criando jovens pouco resilientes às durezas da vida? Será que todas as empresas tem que ter como objetivo oferecer este tipo de ambiente de trabalho? Nós todos já não trabalhamos em ambientes não criativos e não tão legais? E não sobrevivemos?

Dá o que pensar, né? É verdade que existe um movimento forte das indústrias ditas criativas, que o campo é cada vez mais fértil para iniciativas de inovação e de colaboração. E que este ambiente exerce um forte poder de atração aos que saem das faculdades.

Mas também é fato que parafusos tem que continuar a ser produzidos. E que não deve haver muito espaço para criatividade e ambiente “cool” em uma fábrica de parafusos. Ou será que há?

O que é bom para os grandes é bom para você?

A maneira como a gente se educa, como aprendemos as coisas, na grande maioria dos casos, não faz sentido, pelo menos para mim.

Somos desde cedo convencidos de que o que é bom para uma grande empresa também é bom para nós que não somos grandes empresários. Na faculdade, nos cursos de MBA, aprendemos o quê? Como as grandes organizações funcionam, como a macro economia funciona, no meu caso, como é o funcionamento de um grande hotel 5 estrelas.

E se pararmos pra pensar, mesmo que o nosso caminho nos leve a um dia chegar a ser um grande empresário, aquilo que você aprendeu lá atrás já não te serve para nada. Ou você se esqueceu daquilo, pois muito tempo se passou, ou o mundo mudou e já existem outras 50 maneiras de fazer melhor do que a maneira que você aprendeu.

Faz sentido?

Ninguém me ensinou como contratar o primeiro funcionário, como pagar imposto em uma empresa simples, como fazer com que o entregador da mercadoria não me engane na entrega, ou que o caixa não roube o cliente no troco. Coisas pequenas, que a gente acaba aprendendo no tranco.

Ninguém te ensina a ser pequeno. Ninguém te dá os atalhos. Mas é disso que precisamos. Se formos bons sendo pequenos, nos habilitamos a sermos bons sendo médios. E assim por diante. Tijolo a tijolo.

Se vc é pequeno, não queira imitar o que os grandes fazem. O que dá certo pra eles, muito provavelmente não dará certo pra você.

Exemplo. Há um tempo atrás me matriculei, com minha filha, em um curso de branding. Estava me envolvendo muito com o marketing no meu negócio e branding era (e ainda é) a palavra da vez. Não podemos ficar fora dessa, pensei. Desistimos do curso no final da segunda aula.

Descobri que branding não é pra mim. E nem pra 90% dos alunos que lá estavam, pequenos e médios empresários. Mas eles ficaram, não foram embora. Aparentemente estavam contentes em escutar os “cases” dos gigantes, achando que dali poderiam extrair alguma coisa que pudesse ajudá-los. Não rola.

Todos os exemplos de sucesso mencionados no curso eram de grandes empresas com bolsos infinitos que lhes possibilitam campanhas milionárias para que a marca delas “cole” na cabeça das pessoas e eventualmente, no momento da compra, a marca seja lembrada.
Nada pode ser menos útil para vc, caro amigo pequeno e médio empresário. Você não tem recursos para sair atirando flechas no meio da floresta, pra todas as direções, com a esperança de matar um coelho aqui e outro acolá. As flechas são caras.

Branding é marketing de massa. Não caia nessa armadilha. O teu negócio é um a um. O que vc quer é atirar a flecha em um coelho específico (nicho), verificar se ele foi atingido, e só gastar a segunda flecha depois de ter certeza que a mira está apurada e que vc está na floresta certa.

Quero deixar claro que não tenho nada contra o branding nem contra os MBAs. Só que hoje eu dou muito mais valor ao aprendizado de alguma coisa que possa ser aplicada no meu negócio hoje, por menos impressionante que seja a “sacada”, do que aprender o que funciona para os grandões.

A conversa de ontem à noite

Nós nos acostumamos a querer a recompensa sem no entanto cumprir com a contra-partida, que é o esforço. Em maior ou menor grau somos todos assim. Conheço alguns poucos iluminados que se dão muito bem na vida porque escaparam desta profecia, investiram em esforços sem saber ao certo o que os esperava como recompensa no futuro, e em algum momento encontraram a sorte, que segundo ouvi falar, no ideograma chinês, é representada pelo encontro do preparo com a oportunidade.

Ontem à noite estava conversando com minha filha sobre isso. Não exatamente nestes termos, pois na primeira frase usando palavras dos meus textos ela abandonaria a conversa. Mas o fio condutor da conversa era mais ou menos este. Era uma conversa sobre idiomas. Porque aprendemos um novo idioma? Ou melhor colocado, porque nem todo mundo, mesmo podendo, mesmo tendo condições, não se dedica a aprender fluentemente um novo idioma?

Vamos combinar que com o avanço da internet e da universalização do uso de smartphones o aprendizado de um novo idioma está cada vez mais acessível. E vamos deixar de hipocrisia e estabelecer de uma vez por todas que o primeiro idioma a ser aprendido por qualquer cidadão ocidental é o inglês. Quer aprender francês, italiano, ok. Mas primeiro o inglês.

A conversa era sobre estudar fora do país, sobre opções de escolas, de países. Uma discussão saudável. Fico muito feliz que ela tenha interesse em ir estudar fora, vivenciar novas coisas, conhecer novas pessoas, expandir seus horizontes, sentir alguma dificuldade, sair da zona de conforto, crescer e amadurecer, enfim. Fico feliz que isto parta dela, sem que tenhamos que insistir como se fosse coisa nossa.

Mas aí chegamos na segunda parte da conversa, onde a beleza e o idealismo do momento futuro, aquele que você deseja, é substituído pela inconveniência daquele tipo de pergunta que nós pais somos obrigados a fazer. Aquela pergunta que os amigos não fazem porque eles tampouco tem a resposta para os seus próprios desafios. A pergunta é: o que você está fazendo hoje para tornar realidade um ideal de futuro que você tem para si?

Faço esta pergunta para minha filha para tentar ajudá-la a clarear um pouco as idéias, ajudá-la a desenhar um “road map” de 2, 3 anos a frente. Beleza, você quer estar neste ponto, neste lugar, daqui a 3 anos, então vamos dar uma pensada no que você deveria estar fazendo hoje – e não o que deveria começar a pensar em fazer; repare a diferença, isso chama-se pressão incontrolável e talvez desnecessária de um pai controlador – que te deixará preparada para chegar neste lugar daqui a 2 ou 3 anos.

A conversa de ontem à noite era sobre aprendizado de idiomas e a relação disso com a vontade de estudar fora do país, o que me parece uma correlação evidente. Mas pensando hoje de manhã com meus botões, fica cada vez mais evidente esta relação entre esforços e resultados em tudo o que a gente se propõe a fazer na vida.

Quer ser um empreendedor?

Fui executivo dos 24 aos 46 anos de idade antes de me tornar empreendedor “full time”. Sempre fui gerente e diretor de empresas. Atuei como empreendedor em 6 negócios diferentes, algumas vezes na paralela da carreira executiva, algumas vezes entre a saída de um trabalho e a entrada em outro. Nenhum deu certo, do ponto de vista financeiro, com a exceção de um, que é o que me mantém respirando até hoje.

Sempre que estava para entrar em um destes negócios, um mesmo pensamento passava pela minha cabeça: estou preparado para empreender? E a resposta era sempre negativa, por uma simples razão. Não há nada que te prepare para empreender. Nós costumamos achar que há. Que podemos aprender a fazer business plans, estudar matemática financeira, conhecer a fundo o mercado onde vamos atuar, etc, etc. Todos os cursos e matérias sobre empreendedorismo te fazem crer que existe uma fórmula. Mas não há.

A imensa maioria dos pequenos e médios empreendedores que deram certo não são os que, no papel, estavam mais preparados – entenda-se “dar certo” pela capacidade de sustentar o empreendedor e sua família, talvez até constituindo uma reserva, um pequeno patrimônio que possa socorrê-lo em momentos de solavancos; e que passaram da barreira dos 5 anos – sim, dizem que 80% dos negócios fecham antes de completar 5 anos…

E entenda-se “estar preparado” por ter desenvolvido habilidades necessárias à execução do plano de negócios. Habilidades são desenvolvidas na carreira executiva, são aprendidas nas escolas e nas universidades, são compartilhadas em livros, palestras e seminários.

Mas o sucesso dos empreendedores dependem muito mais de atitudes, hábitos e relacionamentos do que das habilidades adquiridas. O empreendedor hábil não é necessariamente o que tem habilidades. Estas ele pode comprar ou contratar. O empreendedor hábil observa, intui, influencia, motiva, erra, conserta, acerta, repete, sonha, comunica.

E mesmo o empreendedor hábil não tem nenhuma garantia de sucesso. Porque o mercado muda, a economia muda, competidores aparecem, sócios brigam, como dizem os americanos, “shit happens”.

Então você pergunta: qual é o segredo do sucesso do empreendedor? Se a carreira de executivo não serve para o preparo, visto que o componente numero 1 do empreendedorismo, o risco, não está presente. Se as faculdades, os livros e palestras tem pouco a te ensinar na sua jornada. Se o cenário pode mudar de repente e derrubar seu sonho. Então o que funciona?

A fé! A crença inabalável de que desta vez a coisa vai. Que você vai aprender com os teus tombos e pelo menos estes você não cometerá novamente. Certamente cometerá outros, tomará outros tombos e tentará alguma coisa nova. Vai ficando mais “envernizado”, vai tentando, até o dia em que você acerta. A boa notícia. Você pode errar um montão de vezes, desde que tenha o “drive” para se levantar e seguir em frente. E tentar novamente. A ótima notícia: você só precisa acertar “bem acertado” uma única vez.

Alguma coisa está mudando no mundo dos negócios

Assisti a palestra do Facundo Guerra no Festival Path deste ano, que aconteceu no Rooftop 5. Para quem não o conhece ele é considerado o atual rei da noite em São Paulo, com vários empreendimentos, muitos deles no centro da cidade.

Ele falou basicamente sobre empreendedorismo, ocupação do espaço urbano e estilo de gestão. Participa de uns 8 empreendimentos e tem mais 8 no “pipeline”. Gerencia tudo pelo whatsapp. Em cada um dos negócios conta com um “paladino” responsável. Descentralização total, comunicação direta e instantânea, pouca burocracia. Mas sua formação é em finanças, é bem amigo dos números. E não bebe, o que deve ser decisivo para o sucesso de alguém da noite. Dá pra aprender algumas coisas com ele. Nos faz pensar sobre quais são os fatores determinantes do sucesso no mundo dos negócios. Tenho a impressão que era essa a principal motivação das pessoas que estavam ali para assistí-lo.

Muitos jovens na platéia, ávidos por encontrar um modelo ao qual se agarrar na esperança de obter o mesmo sucesso.

Li recentemente o livro do James Watt, fundador da Brewdog, uma fabricante de cerveja artesanal no reino unido fundada por 2 escoceses muito loucos, apaixonados pela cerveja pura (leia-se ainda não prostituída pela rápida fermentação e pela adição de um monte de outros elementos que não o lúpulo) que tiveram enorme sucesso indo contra praticamente todos preceitos dos tradicionais manuais de boas práticas corporativas. O livro de chama “Business for Punks”. Recomendo muito a leitura.

James e seu sócio lançaram um crowdfunding para que as pessoas comprassem ações da sua empresa. No dia do lançamento da ação, vestiram um capacete, subiram em um tanque da segunda guerra e o conduziram pelas ruas até o centro financeiro de Londres, onde fincaram a bandeira da cervejaria.

A ação foi tão ousada e a mensagem tão clara (nós contra o sistema) que as pessoas comuns começaram a comprar as ações simplesmente para fazer parte do movimento. Rapidamente arrecadaram milhões para financiar a expansão da empresa.

Cash is King

Facundo e James, cada qual a seu modo, vem obtendo sucesso nos negócios indo contra quase todos os preceitos da cartilha tradicional. Digo quase porque tem um que não dá pra abrir mão. James deixa muito claro em seu livro e Facundo em sua palestra: nada substitui os princípios matemáticos das finanças empresariais.

Você pode ser ousado e inovador em tudo o mais. Aliás, aparentemente só o que tem dado certo nos dias de hoje é a ousadia e a inovação. Mas…sempre que acompanhadas de perto pelas práticas “imexíveis” da boa gestão dos recursos financeiros. “Cash is king” e deve ser tratado como tal.

Estilo

Vejo amigos pulando do barco de negócios tradicionais para se dedicar a start-ups e vivenciar uma cultura de negócios mais informal, mais dinâmica, rodeado de gente mais nova e motivada, simplesmente porque estão de saco cheio da chatice, da caretice, que reina no chamado mundo corporativo.

Vejo o sucesso dos eventos sobre inovação e a curiosidade que geram novas abordagens no relacionamento entre as pessoas, no trabalho.

Vejo a tendência das pessoas de deixar de possuir as coisas, compartilhar tudo e pagar somente pelo uso efetivo dos recursos, e não mais pela propriedade dos bens.

Vejo grandes conglomerados tradicionais, que aparentavam ter a solidez de uma rocha, se desfacelando diante das evidências de que seus procedimentos e políticas, tão bem traçados no papel, na prática só serviam para alimentar negócios escusos, atalhos clandestinos e corrupção.

E então vejo as pessoas de camiseta e tatuagens se encontrando em bancos de praças, em cafés, fazendo negócios no celular. Pessoas que nunca terão uma descrição de cargo que imponha limites à sua atuação. Pessoas que desconhecem os protocolos e não estão nem aí com o lindo título do seu cartão de visita. Cartão de visita? O que é isso? Anota o meu nome aí e dá um google que você me acha.

Diferencial

Facundo vem obtendo sucesso com uma mensagem muito clara: ocupação inovadora de espaços urbanos tradicionais.

James Watt também centra sua artilharia em uma mensagem muito clara: guerra as cervejas industrializadas.

Ninguém me pediu, mas se tivesse que dar algum conselho para aqueles jovens na platéia do Facundo, ávidos por saber o que dá certo, eu diria: aprenda finanças, adote o seu estilo (e o de mais ninguém), encontre o seu diferencial e foco nele.

Sonhos, Paixão e Vocação

“When we give up on our dreams, we die, while still alive” – Robin Sharma

Na semana passada dei uma pincelada sobre a importância do reconhecimento da vocação nas tomadas de decisões que afetam a vida de jovens da idade da minha filha, que está para fazer 15 anos. Quero mergulhar um pouco mais fundo neste tema.

O segundo ano da faculdade de hotelaria que eu cursei na Suiça é 100% cozinha. Foi aí que eu pirei na culinária. Uma semana era cozinhar para 700 alunos, aquelas panelas de arroz que pra lavar tinha que entrar dentro dela…Na outra semana era aula de açougue, na outra de confeitaria, na outra cada um com seu fogão individual, fazendo uma receita completa, entrada, prato principal, sobremesa…eu acordava as 5h da manhã, tinha que estar na cozinha as 6h.

Era uma atividade frenética, mercadoria chegando durante toda a manhã, desossa o frango, limpa o peixe, pica a salsinha, 200 graus na boca do fogão, suando em bicas, menos 18º fazendo inventário na camara frigorífica, os dentes trincando de frio. Essa é a rotina em uma cozinha profissional. Tudo muito intenso.

E quando saia a comida pronta rolava aquela sensação de dever cumprido. O legal da cozinha é isso. Cada prato é um projeto completo. Vc planeja o que vai fazer, junta os recursos todos (ingredientes, utensílios, equipamentos), executa as etapas, apresenta o resultado, é avaliado na hora. Dá uma sensação de realização muito grande. Você participa do processo do começo ao fim. Eu achava aquilo o máximo. Todo dia tinha um projeto com começo, meio e fim. Encontrávamos a cozinha impecável, tudo arrumado, instalávamos o caos ali dentro e devolvíamos de novo, tudo arrumadinho, no final do dia.

Outro fator de realização na cozinha é a sensação de você ser um causador de transformações. Imagine farinha, ovo e queijo, separadamente. Agora imagine um suflê saindo do forno. Sim, você que fez. Com o apoio da física, da química e da matemática. Uma mistura de artista com cientista.

Aquilo era para mim, pensei. O trabalho do cozinheiro me parecia muito mais real e mais interessante do que a maioria dos trabalhos convencionais que existem por aí como opção para quem está se decidindo por uma profissão.

Eu nunca me imaginei sentado durante horas atrás de um mesa. Inclusive era isso o que fascinava na cozinha. Alguém já viu mesa e cadeira dentro de uma cozinha? Não rola.

Eu fui muito burro. Tive a sorte de vivenciar uma profissão que me atraía e me emocionava, mas acabei me deixando guiar pelo canto da sereia e fui me afastando cada vez mais da minha vocação e da minha paixão. As pessoas achavam que por conta da minha formação em hotelaria eu deveria me dedicar à gestão. Foram me oferecendo bons salários para que eu sentasse atrás de uma mesa e passasse a gerenciar um monte de gente.

Ao mesmo tempo a família ia crescendo e naquela época a comparação entre o salário de cozinheiro e o de gestor era injusta. De repente me vi entrando na cozinha só para reclamar com o chefe sobre alguma pequena cagada. Ou num dia de greve dos cozinheiros, quando tive que pular para dentro e ficamos eu e o chefe soltando todos os pratos para o salão.

Quando me dei conta já havia me afastado irreversivelmente da gritaria, do barulho das panelas, do calor e do frio, do sentimento de ter não só um, mas vários projetos finalizados em um único dia de trabalho.

Ontem fui na casa de um amigo de infância e vi quadros dele pendurado por toda a casa. Me lembrei de como ele era um ótimo pintor, me lembrei de quadros dele que enfeitavam minha casa a 30 anos atrás. Mas ele parou de pintar. Há muito tempo. Tem orgulho da sua arte. Tanto que tem seus quadros espalhados por todas as paredes da casa. Mas parou. Não pinta mais.

Conheço umas tantas pessoas que poderiam ter escrito livros. Quantas estórias fantásticas poderiam ter sido contadas por estas pessoas, tivessem elas seguido suas vocações, suas paixões? Estas pessoas são ótimos professores, assessores de imprensa, ganham suas vidas, ok. Mas cada vez que entram em uma livraria, lá no fundo da cabecinha, estão pensando: porque o meu livro não está nesta prateleira?

O sonho, a paixão e a vocação são só nossos, de mais ninguém. E muitas vezes é secreto. Poucos saem por aí dizendo que querem ser um astro do rock. Mas no fundo é isso que desejam. E talvez tenham vocação para tal. Mas nunca serão. 99% nunca será. Porque a vida é assim. É difícil resistir àquela musiquinha que todos cantam na sua orelha. Vai por ali que é mais seguro, mais fácil, todo mundo tá indo. E quando você vê o astro de rock foi desaparecendo, as pessoas, inclusive as mais próximas, vão aplaudindo suas pequeninas conquistas, você olha pra trás, vê o astro de rock lá longe e pensa: é…deixa pra lá…podia ter sido.

Vocação, leitura do cenário e a importância das decisões

Tenho uma filha de 14 anos que no ano que vem entra no colegial. O que muda na vida dela daqui pra frente? Ela terá que tomar decisões. E todos sabemos, por experiência própria, que são as decisões que tomamos que moldam as nossas vidas, que determinam nosso sucesso.

Nós, pais, temos a obrigação de alimenta-las com dados e opiniões para que elas tomem as melhores decisões possíveis para suas vidas. Reparem o sublinhado no suas. No sentido de “delas” e não “nossas”. Aliás, nossas opiniões refletem as nossas crenças, então, pensando bem, não sei se deveríamos ser muito enfáticos neste compartilhamento.

Mas ajuda-las a fazer a leitura do cenário com certeza é nossa obrigação. Então vamos a ela, a leitura..

Menor necessidade de recursos

Nossos filhos precisarão de menos recursos materiais do que nós necessitávamos. A economia do compartilhamento está aí. Casa, carro, viagens, tudo que nos custava o “olho da cara” (entrega a minha idade?) tende a custar muito menos quando minha filha entrar no mercado de trabalho.

Ela e seu parceiro (ou sua parceira, sei lá..) dividirão a responsabilidade pela geração destes recursos de maneira mais equânime do que nós, das gerações anteriores, dividíamos. Isso tira um certo peso dos ombros.

Desconfio até que a cerimônia do casamento em si poderá um dia ser algo compartilhado, inclusive com os convidados da festa, como já ocorre na Inglaterra. Acho que fará cada vez menos sentido os pais se endividarem para dar às filhas uma cerimônia “memorável”. Coisa do passado. Uma coisa é os pais disporem de dinheiro sobrando e querer fazer um agrado em uma ocasião que é realmente especial. Outra, muito diferente, é esta obrigatoriedade de fazê-lo a qualquer custo, independentemente da condição financeira dos pais.

No que esta necessidade menor de recursos impacta nas decisões que minha filha tem que tomar daqui pra frente?

É simples. Dá a ela a possibilita de ir atrás das suas paixões e vocações, independentemente do potencial de estas serem convertidas em fonte de renda. Isso é muito libertador. Ela pode se entregar às artes circenses, aos malabares, à dança do ventre, à esgrima ou o que seja. E quer saber? Geralmente é a entrega da pessoa a estas paixões que afloram espontaneamente que levam a pessoa ao sucesso. Só para constar, o fundador do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, jogava malabares nos sinais de Montreal antes de fundar a companhia circense.

Mais libertador ainda é a ciência de que suas escolhas não precisam se restringir somente aos clássicos medicina, engenharia, direito, etc. Existe hoje uma gama enorme de possibilidades que surgiram com a evolução do digital, do terceiro setor e da economia do compartilhamento. Se ela tiver um pouco de espírito empreendedor, nem faculdade ela precisará fazer. Me dói dizer isso porque ainda tenho uma visão muito careta da formação de uma pessoa. Por alguma razão que eu nem sei mais como explicar, ainda acho que um diploma, do que quer que seja, é importante. Mas as fontes de aprendizado são tantas e tão acessíveis para quem dispõe de curiosidade intelectual que, sinceramente, o diploma será cada vez mais uma ínfima parte dos conhecimentos que ela adquirirá ao longo da vida.

Muita gente já acredita, inclusive, que esta escolha inicial, qual faculdade cursar, nem é assim tão importante, uma vez que existe uma grande probabilidade de que o emprego ao qual ela irá se candidatar aos 28 anos ainda nem foi inventado. Já pensou nisso?

O mundo a um click de distância

O acesso a todas as informações em tempo real impacta as decisões que ela terá que tomar? Claro que sim, uma vez que não é mais o acesso privilegiado às informações que determinará as chances de sucesso dos indivíduos, como acontecia no passado. O acesso se democratizou. Quantidade de informação não é mais um diferencial. Quantidade de ação, sim, assim como qualidade das decisões à partir das informações disponíveis. Até o tão reverenciado QI foi superado de longe pelo até recentemente pouco valorizado QE, o quociente emocional.

O cenário para a tomada de decisões da minha filha à partir dos 15 anos é muito diferente do cenário no momento em que eu tive que tomar estas decisões. Considero minha obrigação ajuda-la a ler a conjuntura. Agradeço se mais alguém quiser colocar mais alguns “inputs” nessa discussão. Tenho certeza de existem muitas outras mudanças que eu não citei e que também podem ajuda-la. Caso um dia ela comece a ler meus posts…. rsrs

5 Lições do Futevolei para o Mundo dos Negócios

A IMPORTANCIA DA PARCERIA

Futevolei é jogado em times de 2. As vezes de 4, mas é bem menos comum.

Ninguém faz nada sozinho. Bill Gates tinha o Paul Allen, Steve Jobs tinha o Wozniac, Sergey Brin tinha o Larry Page e assim por diante.

O primeiro critério na escolha do parceiro no futevolei é a posição. Você deve escolher alguém que jogue na posição contrária a sua. Se você é direita, vai escolher um parceiro que joga na esquerda.

Se os 2 são muito bons na defesa e nenhum é bom de ataque, sua dupla não vai muito longe.

Quantos negócios vemos fracassar porque os sócios são escolhidos por critérios de afinidades e não de complementariedade? No FV isso pode ser mortal. Nunca vou escolher um parceiro que joga na mesma posição que a minha só porque é meu amigo. Nos negócios deveria ser assim também.

Uma vez escolhido o parceiro, saiba “usá-lo”. Se você está cansado porque o jogo está sendo jogado todo em você, converse com o parceiro. Deixe que ele ocupe mais espaço de quadra, até que você recupere o fôlego. Preste atenção em como ele se movimenta. Principalmente na defesa. Se o atacante da dupla adversária estiver grudado na rede para atacar e você percebe que seu parceiro correu “para o pingo” próximo à rede, é sua obrigação fazer a cobertura das costas dele. Você passa a ter responsabilidade sobre uma área maior de quadra.

Esta estratégia deve ser pensada em nano segundos à partir do momento que você percebeu seu parceiro dando um passo a frente no momento do ataque adversário. Pra que isso aconteça você tem estar ligadaço no jogo, não pode estar pensando em outra coisa. O que nos traz a idéia do foco. Que também é importantíssima no mundo dos negócios. Quantas vezes nos pegamos no trabalho fazendo alguma coisa mas com a cabeça em outra? Quando não estamos ligadaços no que estamos fazendo neste exato momento, nosso jogo é prejudicado. E o FV não perdoa. Aqui não é tênis. Seu parceiro vai te xingar.

Assim como no FV, parceiros de negócios também devem manter o diálogo, saber quando é hora de um deles dar um passo atrás para dar uma respirada enquanto o outro cuida do resto da “quadra”. E saber quando é hora de os 2 darem gás máximo porque estão em um momento decisivo da partida.

E quando as coisas não dão certo, quando perdemos a partida, não adianta querer jogar a culpa no parceiro. A tentação é muito grande mas tem que ser resistida. É inerente ao ser humano lembrar dos pontos em que o parceiro errou a bola e minimizar o impacto dos nossos próprios erros. É até um ato automático nosso, do ser humano. Mas este pensamento não é construtivo. Assim como não é construtivo buscar as falhas nos nossos parceiros de negócios. E quando falo em parceiros não me refiro somente a sócios, mas também a funcionários, fornecedores.

Erros devem ser corrigidos, os problemas devem ser discutidos, mas o momento dessa discussão deve ser muito bem pensado. No futevolei este momento não deve nunca ser imediatamente após o término da partida, quando as cabeças estão quentes, o sangue fervilhando dentro do corpo. Melhor discutir no bar, com um copo de cerveja na mão. Nos negócios é a mesma coisa. Temos que resistir ao esporro no momento da “cagada”. A pessoa que pisou na bola sabe que pisou. Mas se o jogo ainda está rolando, o esporro naquele momento afeta a sua motivação e consequentemente o resultado daquela atividade/partida. Tudo tem sua hora. No futevolei é a mesma coisa.

A LEITURA DO CENÁRIO

Mesmo que você jogue muito bem, dificilmente ganhará o jogo se se concentrar somente no seu jogo. Parte da sua atenção deve estar sim, na execução correta das fundamentos, mas não podemos nos esquecer de que a maior parte da sua atenção deve estar na leitura da quadra. Na movimentção dos outros 3 jogadores – seu parceiro e os 2 adversários.

Assim como no mundo dos negócios, sua empresa não é uma célula independente. Mesmo que você execute muito bem todos os “fundamentos” a que se propôs, ainda assim um sem número de variáveis podem aparecer no cenário e afetar o desempenho do seu negócio. A começar pelos concorrentes. Você sabe como cada um deles está se movimentando? Já sabemos que o mercado está mais para lodaçal do que terra firme, mais para quadra de areia do que de concreto.

Entrou vento na praia? Como isso pode afetar o meu jogo? Temos que mudar a estratégia? Como nosso adversário está enfrentando a turbulência? Sempre teremos mil argumentos para nos fechar em nossos casulos com a desculpa de melhorar nossos processos, de estarmos melhor preparados para a jogo. Mas estudar o cenário e a movimentação dos adversários, nos negócios e no futevolei, é tão importante quanto treinar fundamentos para a partida.

E a ventania que chegou no nosso ambiente de negócios? Temos que mudar de estratégia? Ser criativos, modificar nossa política comercial? Rever nossos custos.

A RESPIRAÇÃO PROFUNDA

Tanto no futevolei quanto nos negócios, é incrível como as pessoas se esquecem de…respirar. Sim, parece estranho, mas é a primeira coisa que nos esquecemos de fazer quando “a coisa pega”, quando estamos sob pressão.

A respiração profunda, com propósito, nos acalma e clareia a mente. Funciona nos esportes e nas situações de estresse no mundo corporativo.

Aproveite todos os momentos que você não está na ação para praticar respirações profundas, ganhar oxigênio. Inspire e solte a barriga, expire e comprima o abdômen. Isso te deixa melhor preparado, mais descansado para a próxima jogada.

No FV tem muito malandrinho. O cara fica 10 minutos discutindo um ponto só para ganhar tempo para poder respirar.

Nos negócios é a mesma coisa. Acho que foi Abrahan Lincoln quem disse que se lhe dessem 3 horas para cortar um tronco de árvore ele gastaria 2 afiando a serra.

No trabalho, o dia a dia atribulado, o entra e sai de reuniões, nos deixa muitas vezes com a respiração rasa. Não devemos nunca nos esquecer dos benefícios que uma boa puxada de ar para os pulmões e um bom copo de água gelada podem nos trazer. Lição das areias.

SAIA DO CASULO

Futevolei não é um esporte de gentleman. Tanto os adversários quanto a torcida fazem de tudo para desestabilizar quem está jogando. Vale tudo. Gritos, apostas, xingamento. Sim, o futevolei pode ser cruel, não é para os fracos. Para os iniciantes pode ser traumático. Leia meu post sobre a iniciação no futevolei e a importância da persistência.

O mundo dos negócios também pode ser cruel. Assim como no futevolei, sucessos passados não garantem vitória futura. A falta de inovação pode te arrastar rapidamente para a irrelevância. E a concorrência não vai te dar trégua. Já vi muita rasteira, dedo no olho, situações que nem no futevolei acontecem.

Estar preparado é fundamental. Sair da zona de conforto te deixa mais preparado. Jogar em outras redes, outras cidades, é uma ótima maneira de ganhar mais confiança no seu jogo. Assim como abraçar a adversidade no trabalho, conhecer outras culturas, também te deixa mais preparado para os negócios. Não desperdice as oportunidades de mudança que surgem no seu caminho. O acúmulo de experiências diversas te tornará um profissional mais preparado. Jogue em outras redes.

MAIS RESENHA

Ninguém chega na praia e começa imediatamente a jogar. Mais do que em outros esportes, o futevolei tem a “resenha”. Antes, depois e até durante as partidas, é um falatório generalizado. As pessoas avacalham uns aos outros, falam mal de quem está presente e de quem não está presente. Ninguém escapa. A discussão sobre quem é melhor que quem é infindável. Assuntos totalmente irrelevantes são tratados em profundidade. Nos grupos de whatsapp do futevolei não costuma haver nenhum comentário sério, que mereça qualquer atenção do leitor. Isso é o que se chama de “resenha”.

E é justamente um pouco de “resenha” o que falta no mundo dos negócios. As pessoas se levam muito a sério, acham que tudo o que tem a dizer é muito importante. Iniciam reuniões indo diretamente ao assunto, sem dar nem uma “esquentada”, como fazemos na quadra. Tudo está se tornando muito chato, muito certinho. As palavras são muito pensadas, medidas. Na atual marcha contra o “bullying” nas escolas, a favor da ética e do respeito no trabalho, o futevolei é uma ilha de “desopilação” social onde vale tudo. O mais fraco será ridicularizado, não deixarão ele jogar, e levará meses até que ele supere os primeiros traumas da rejeição na rede. Mas ele superará e sairá fortalecido. E descontará no próximo novato. Assim é a vida.

Mindfulness

mindfulness

No final do ano passado me deparei com a palavra Mindfulness pela primeira vez. Não sabia muito bem o que significava mas vi que muita gente legal estava praticando, portanto valia uma pesquisada.

Num primeiro momento pensei em “mente cheia”, mas fiquei intrigado, pois tudo que eu lia à respeito me levava ao oposto disso. Reparei que “ful” não tinha nada de cheio pois faltava-lhe um “L”. Ontem, conversando com o Alex Lunardelli, um especialista brasileiro no assunto, percebi o verdadeiro sentido da expressão. Vem do “mindful”, termo que quer dizer “ter consciência”, “estar ligado”.

Meditação – nessa mesma época, final do ano passado, comecei a pensar na meditação como algo que poderia me fazer bem. Sentia que muitas vezes um turbilhão de pensamentos entrando e saindo da minha cabeça a cada minuto poderia estar me prejudicando de alguma maneira.

Mas não conseguia me ver sentado em posição ereta em uma almofadinha, com as pernas cruzadas, em silêncio absoluto, durante horas. Esse simplesmente não era eu.

Ando muito ligado na tecnologia, coisas digitais. E me deparei com um app de meditação, que estava fazendo sucesso na App Store, chamado Headspace. Grátis por 30 dias. O App prometia uma meditação guiada, com um tempo curto diário de prática, que poderia ser de 10, 15 ou 20 minutos, conforme nossa disponibilidade de tempo. E não era necessário sentar na almofadinha.

Iniciei minhas sessões em Dezembro e depois dos 30 dias passei meu cartão de crédito. Desde então venho praticando por 15 minutos todas as manhãs. Você escolhe pacotes temáticos de sessões e o segue pela sua duração, que pode ir de 10 a 30 dias cada.

A sessão consiste de uma rápida introdução a algum fundamento do tema do pacote (foco, equilíbrio, criatividade, paciência, e por aí vai) seguida de respirações profundas, exercícios de visualização, esvaziamento da mente e retorno constante ao ato de respirar conscientemente.

Sim, dá para confundir mindfulness com meditação, mas conversando com o Alex nesta semana, pude perceber que mindfulness é o estado de espírito que se quer alcançar e a meditação é o veículo que nos leva até lá.

E que lugar é esse que queremos alcançar?

O lugar onde percebemos os pensamentos chegando, olhamos-os de fora, objetivamente, e deixamos-os seguirem seus rumos, sem deixar que afetem nosso dia, nossas obrigações. As vezes até nos divertimos observando sua passagem pelas nossas mentes.

O lugar onde não paramos de respirar profundamente nem quando situações de estresse nos atingem. Onde nos lembramos de sempre voltar a ela, a respiração, sempre que estímulos externos nos desafiam.

O lugar onde nos lembramos que não temos escolha sobre quais impactos receberemos da vida, das pessoas, no nosso dia a dia. Mas que sim temos escolha sobre a maneira com reagimos a estes impactos.

Mindfulness significa estado avançado de percepção do que está acontecendo no nosso redor. E pode ser muito útil para as relações pessoais e profissionais na medida em que você se encontra 100% presente naquilo que está fazendo no momento. Seja em uma reunião, em uma leitura, em um jogo esportivo ou brincando com os filhos. No português tem sido traduzido por “atenção plena”.

Tenho praticado diariamente esta meditação guiada por 15 minutos e tem me feito um bem enorme, tem me dado mais clareza de propósito. Se alguém perguntar lá em casa sobre os resultados práticos nos meus relacionamentos do dia a dia, com certeza dirão que não tem servido para nada.

Mas no meu íntimo eu sinto que tem sido muito útil e…quem sabe um dia não aflora? rsrsr

Manifesto da Culinária nas Escolas

culinaria

Ensina-se portugues e matemática na escola porque todos sabemos que o conhecimento destas 2 ciências será fundamental para o progresso do indivíduo ao longo da sua vida. Faz parte do senso comum, da sabedoria inquestionável da humanidade.

Agora eu pergunto: e a culinária? Não teria o aprendizado das técnicas de cozinha um peso igualmente importante na formação da pessoa?

Me ajudem a pensar. A comida é o combustível que colocamos dentro do nosso corpo para fazer com que a “máquina” funcione. É o que nos mantém vivos. Que nos fornece os nutrientes que alimentam todas as nossas células. Que nos dá energia para fazer todas as coisas do nosso dia a dia.

Agora eu pergunto (2): não é importante que as crianças aprendam desde cedo a cozinhar? A conhecer muito bem os alimentos e saber as diferentes funções de cada um? A saber como tornar os alimentos suculentos através da cocção?

Ora, a cocção através do fogo foi uma das grandes evoluções da humanidade. O fogo existe desde sempre, muito antes da cocção. Hoje não conseguimos imaginar como nossos antepassados comiam antes da cocção. Antes de o ser humano ser capaz de colocar um recipiente com água (com uma batata dentro) em cima da chama do fogo foi preciso criar o ferro. Pense nisso. Antes, os humanos iam mastigando coisas cruas que encontravam pelo caminho. Mastigavam por horas. Dizem que o cérebro humano passou a se desenvolver realmente após o advento da cocção. Antes ele se concentrava nessa mastigação e na digestão contínua.

E é sabido que a digestão é um dos maiores consumidores de energia do nosso corpo (só o sexo gasta mais energia – é verdade!). Com a cocção vieram as refeições, com horários certos. E o cérebro passou a se dedicar a outras atividades entre uma refeição e outra. Aliás, esta é uma das razões pela qual somos aconselhados a fazer 5 refeições (mais leves) por dia, ao invés de 3 mais pesadas. Isso também deveria ser ensinado nas escolas.

O fato é que a humanidade evoluiu mas nunca fez justiça à importância da cozinha para a sua evolução. Tanto é que as escolas não consideram importante ensinar aos alunos do fundamental as noções básicas, salvo raríssimas exceções.

Morri de vergonha na feira, há 3 anos atrás quando minha filha, então com 11 anos, não sabia o que era uma batata. Batata frita ela conhecia. Mas “in natura” eu tive que fazer a introdução. Horrorizado, fiz o teste da batata também com algumas amiguinhas dela. A maioria desconhecia! Juro.

Não pensem que eu não tentei mil vezes despertar o interesse da minha filha para a culinária. Mas ela tem outros interesses, quem tem filho nesta idade sabe do que estou falando, conhece bem estes interesses, sabe das nossas limitações para impôr certos aprendizados. É quase impossível concorrer com o snap, o espelho, o whats e por aí vai. E hoje pela manhã ainda me chega o Pokemon!

Mas não deveria ser por nossa limitação enquanto pais que o aprendizado de algo tão fundamental para a nossa existência deixe de ser ensinado para nossas crianças. Eu insisto que este deveria ser o papel da escola. Da escola fundamental.

Nós já evoluímos muito com relação ao aprendizado da cozinha. Hoje existem um milhão de escolas de culinária, faculdades, etc. Mas não acho que esta deva ser uma ciência “eletiva”, que o aluno tem ou não a possibilidade de aprender, se e quando desejar. Acho que deveria ser obrigatório e já no fundamental, assim como o português e a matemática.

Está cada vez menos comum termos cozinheira em casa. Cada vez menos comuns as mulheres aprenderem a cozinhar ao lado do fogão, com suas mães. As mulheres estão em outra, ora bolas. Então para a imensa maioria das famílias que está se formando nestes tempos só restará comer em restaurantes (baratos, pois a crise está aí) ou comprar comida pronta ou semi-pronta nos supermercados. A perspectiva é assustadora.

Estamos condenando uma geração inteira à mediocridade culinária. É duro mas é isso que está acontecendo. Eu canso de ver as pessoas estragarem uma peça de filé mignon que custou 80 reais simplesmente porque a empregada ou a pessoa que está cozinhando não domina uma técnica que poderia aprender em 5 minutos.

E toda uma família é condenada a comer mal por conta disso. Sem falar na questão nutritiva, ou na origem dos alimentos. Mas esta é outra estória…quantas pessoas sabem dizer o nome dos legumes na seção de hortifruti do supermercado sem olhar na plaquinha? Muitas. A maioria. É um absurdo. Ao não saber nem o nome do produto, dificilmente irão comprar. E não irão cozinhar. E as famílias comerão uma variedade muito pequena de produtos, com relação a todos os produtos que estão disponíveis. Isso é triste.

As pessoas não conhecem os produtos e tampouco os métodos de cocção. A batata ou é frita, ou cozida, ou é purê. Mas existem 500 maneiras de se fazer batata. Não é justo a humanidade ser privada desta variedade.

Isso é muito importante. Estamos falando daquilo que nos deixa em pé. Existe uma correlação direta entre o combustível que colocamos pra dentro e nossa performance enquanto pessoas. Como assim, não é ensinado na escola? Algum diretor de escola poderia me explicar?

Economia compartilhada e um mundo sem chefe

compartilhamento

O post da semana passada onde eu pergunto que tipo de chefe seria mais efetivo gerou muita discussão. Se você não leu, leia antes de voltar para cá, please.

Almoçando no dia seguinte com um amigo, no clube, ele me perguntou. Ok, mas e você? Qual a tua opinião?

Ele está passando por uma transformação geracional na sua empresa e comentou que um dos principais pontos de fricção nesta mudança é justamente o relacionamento com a chefia. Uma das funcionárias, com 20 anos de casa, está desanimadíssima com as constantes “patadas” que toma do sócio mais velho.

Ela comentou com meu amigo, o sócio mais novo, que não vê solução para o seu caso, que o dinheiro fala sempre mais alto, que quem tem dinheiro tem poder, e que, portanto, só restava a ela a resignação de passar seus dias odiando o trabalho e tomando patadas de seu chefe.

Antes de dar minha opinião pessoal, conversamos sobre os vários comentários que as pessoas ofereceram e destaquei um, que me chamou à atenção pela simplicidade, pela economia de palavras e pelo teor desruptivo (uma cobrinha vermelha embaixo da palavra me diz que ela não existe, mas vou deixar assim mesmo) – Ele disse: Marcelo, no futuro não haverá mais chefes.

Aquela frase me fez pensar muito. Faz sentido que no futuro não hajam mais chefes? Pensemos juntos.

A galera que está entrando no mercado de trabalho, ou que já está no mercado e tem entre 20 e 30 anos não tolera a grosseria, não estão acostumados a ela e tem um mar de opções e de possibilidades de trabalho que surgem todos os dias a partir de projetos os mais variados. Startups, crowdsourcing, economia compartilhada, apps, plataformas digitais, ongs, comunidades com propósito, redes virtuais, são apenas alguns exemplos das possibilidades que as pessoas tem hoje em dia de se engajar em trabalhos que não dependam de uma estrutura hierárquica rígida.

Meu sobrinho Daniel fundou o Atados, um portal que une pessoas que querem participar como voluntário de algum projeto social, com projetos que necessitem de voluntários. Durante muito tempo me chamou a atenção que todas as pessoas que eles contratavam para trabalhar no projeto eram oferecidos exatamente o mesmo salário que os sócios fundadores. É estranho para muita gente, mas representativo de como pensa uma geração que não liga para… chefes. Qual a chance de o Daniel ser grosseiro com alguém que trabalha com ele? Zero!

Esta turma não tem o mesmo apego a posses e a coisas que nós tínhamos quando começamos (nós de 50+). Eles não precisam de carro, muitos não querem nem tirar a carteira de motorista. Eles dividem a casa, o escritório, a comida…compartilhamento é a palavra de ordem. Isso é muito importante para entendermos a nova relação que se cria no mundo do trabalho porque a economia do compartilhamento cria uma espécie de colchão de proteção para as pessoas. Primeiro porque as pessoas precisam de menos recursos para sobreviver. Isso significa que falar VTNC para o chefe grosseiro deixou de representar um risco tão grande de sobrevivência.

Meu sobrinho foi de São Paulo para o Rio para implantar o Atados por lá e logo descobriu uma senhora que tinha um apartamento “inoperante”, digamos assim. Ele propôs à senhora que deixasse ele morar ali de graça com a contra-partida de tornar o apartamento “operante”. O colocou como opção no Airbnb e desde então a senhora está faturando muito mais do que quando o alugava. E o Daniel ocupou o quarta da empregada e nunca mais saiu dali. Todos felizes, vida a custo zero. Outro dia veio para São Paulo mas não queria gastar com táxi, além do que já havia gasto com o avião. Escreveu em uma folha de papel sulfite “Preciso de Carona para Pinheiros” e ficou ali na saída dos carros, com o papel à mostra. Não demorou 3 minutos para conseguir uma carona.

Não é só a atitude das pessoas que está mudando em direção a uma vida mais simples e mais barata. O acesso a informação e ao conhecimento, que representa a real riqueza nos dias de hoje, nunca esteve tão fácil e tão barato. Com um smartphone de 600,00 nós temos acesso a muito mais conhecimento e aprendizado do que conseguimos absorver. E que nem sonhávamos em ter a 10 anos atrás.

Esta geração já entra no mercado de trabalho com esta vantagem. De um lado com um mundo de conhecimento e informação na ponta dos dedos e de outro, com pouquíssima necessidade de recursos para sobreviver.

Qual a chance de aceitar um chefe grosseiro?

Que tipo de chefe é você?

chefe

Em uma das minhas vidas passadas, eu tive um chefe que conseguia ser o cara mais escroto que o mundo já produziu, segundo opinião unânime de todos que trabalhavam com ele. O que me fazia pensar. O que leva uma pessoa a ter prazer em vestir a roupa da escrotidão, em tornar a vida de todos um verdadeiro inferno? É uma escolha consciente, voluntária, com vistas a um objetivo determinado ou é simplesmente mais forte do que a pessoa, e ela age assim simplesmente por ser desconectada da realidade? Ou por não se importar o que as pessoas pensam dela, numa demonstração de forte personalidade? Sinceramente, nunca consegui entender.

Depois você vê aquela mesma pessoa em um ambiente social, exalando charme, colhendo elogios, e fica pensando: como é possível?

Tive outros chefes que mantém uma coerência impressionante entre o trato com subordinados e o trato social. Nos 2 extremos, tanto o grosso/grosso quanto o legal/legal. O grosso/grosso é um verdadeiro “papel de embrulhar prego” de dia e de noite. Com os funcionários, os “amigos” (não, ele não tem verdadeiros amigos) e a família. O legal/legal é legal em todas as circunstâncias, nunca o vi levantando a voz com quer que seja.

Não vou nomeá-los, mas já tive chefes dos 3 tipos.

A pergunta que o leitor deve estar se fazendo neste momento é: ok, qual o mais efetivo? O grosso/legal, o grosso/grosso, ou o legal/legal?

Você tem uma opinião sobre isso?

Conselhos para minhas filhas – 1

envelhecer

Para que servem os pais se não para dar conselhos aos seus filhos? Muitas vezes damos conselhos que nós mesmos não praticamos, mas como sabemos que funcionam, damos assim mesmo.

Aí vão alguns da minha lista:

– Não pare de aprender coisas novas.

– Não pare de fuçar, de ser curiosa, de querer saber como as coisas funcionam.

– Adquira o hábito da leitura e nunca o abandone.

– Adquira o hábito de escrever pelo menos 15 minutos por dia, nem que seja um diário pessoal que ninguém nunca irá ler.

– Se apresente nas situações, não se esconda. Diga a que veio, o que faz.

– Não pare de aprimorar as técnicas que você já adquiriu. Construa em cima delas. Os japoneses chamam de “kaisen”. E não pare de adquirir técnicas novas.

– Não pare de aprender idiomas, aprimorar os que você já conhece. Idiomas te levam a conhecer novas culturas, novos lugares, novas pessoas.

– Não pare de fazer exercício, de andar de bicicleta, de circular ao ar livre, de pisar na areia, de controlar o peso. Comeu muito no almoço? Segura no jantar. Aos 20 isso não importa tanto. Mas espera chegar nos 50. Crie o hábito desde já.

– Não deixe de fazer o que é importante. Não se deixe seduzir pelo que é cômodo (TV, facebook…)

– Não deixe que a agenda das outras pessoas te impeça de avançar no que você planejou para si.

– Agende 1 hora do dia para fazer algo que é importante só para você e mais ninguém, nem que tenha que acordar mais cedo pra isso.

– Se planeje, não chegue despreparado a um compromisso. Meia hora de preparo fará toda a diferença no resultado.

– Vença a resistência que te impede de fazer as coisas. Simplesmente faça. Todos os dias.

A vida é muito curta para envelhecermos, mesmo aos 80, 90 anos. O que a vida dirá dos que envelhecem aos 20, 30, 40?

As pessoas envelhecem quando param de aprender e se aprimorar. Envelhecem em qualquer idade. Perdem a curiosidade, deixam de ler, de se informar e de aprender. Não deixe que esta seja você.

Vai que o mundo é teu.

O Medo e a Incerteza

mandela

Antes dos 18 anos de idade achei que aprender inglês e francês era importante. Como todo jovem, achava que ia mudar o mundo e portanto o domínio de idiomas seria fundamental.

Aos 19 fui para a Europa pela LAP, Linhas Aéreas do Paraguai, desembarquei em Madri no mesmo dia em que a maconha estava sendo liberada para consumo. Nunca vou me esquecer da manchete no jornal: – “liberado el porro (baseado) en Espana!”

Assim como Bill Clinton, nunca vou dizer nem que sim nem que não, mas desembarquei com a sensação de ter chegado no lugar certo e na hora certa, num momento de liberação. E parti para o desbravamento da Europa. Sozinho, com uma mochila nas costas, um berimbau (de capoeira) embalado em uma linda capa de couro branco e uma prancha de surfe bi-quilha da marca Squalo debaixo do braço.

A prancha eu vendi na praia de Carcavelos em Portugal, com um bom lucro. Os portugueses não conheciam pranchas bi-quilha. E o berimbau foi trocado por um potente binóculo Zeiss com um alemão que estava encantado com o som deste instrumento brasileiro de uma corda só.

Livre destes pesos que trouxera do Brasil e com a certeza de ter iniciado minha carreira de empreendedor fazendo ótimos negócios, saí à conquista do velho continente. Levei do Brasil 2 mil dólares em forma de traveller checks e em uma semana já havia aumentado meu patrimônio. Tinha uma passagem de volta com validade de um ano mas minha família tinha certeza de que o dinheiro acabaria e eu estaria de volta em 2 ou 3 meses.

Mas eu tinha ambições. Queria provar que era capaz de me sustentar e estabeleci como objetivo estender ao máximo minha estadia e meus 2 mil dólares. Só que era verão na Europa e eu era jovem. Duas coisas que não combinam com economia. Saí gastando e depois pensaria na reposição. Em menos de 2 meses a reserva estava em 500 dólares e em queda livre. Que péssima estréia como empreendedor.

O verão já havia acabado, um bom momento para começar a trabalhar. Fiz a colheita de uvas na França e de azeitonas na Grécia; ganhei uns trocados tocando pandeiro em um trio de brasileiros que cantava bossa nova – os únicos instrumentos que eu toco, e muito mal, são o berimbau e o pandeiro, por conta da capoeira, que eu pratiquei desde muito cedo. Um dia dormimos embaixo do guichê de caixa do metrô em Viena e quando acordamos percebemos que o violão havia sido roubado. Sem violão não tem bossa-nova, o grupo se dissolveu e cada um foi para um lado.

Um dia liguei para casa para comunicar a minha família que havia arrumado um emprego fixo de nettoyer de la nuit em um hotel perto de Genebra. Minha mãe ficou orgulhosíssima, saiu contando para todas as amigas, até descobrir que aquela expressão significava… faxineiro noturno. “Que decepção, meu filho..volta pra casa…”.

Na verdade não era tão ruim, eu trabalhava das 11h da noite as 7h da manhã, passava o aspirador no restaurante, pano úmido no lobby, mas as limpadoras do dia eram muito simpáticas comigo e ao ir embora deixavam os banheiros limpinhos, então nem isso eu tinha que fazer. As 3h da manhã já havia terminado meu trabalho e rapidamente descobri que os outros integrantes da esquadra noturna, o auditor, o recepcionista e o padeiro, também não tinham mais nada a fazer a partir desta hora. Encontramos uma ótima maneira de passar o tempo até o término do nosso turno. Invadíamos a câmara frigorífica e escolhíamos nosso menu degustação entre fartas porções de filé mignon, cogumelos os mais variados, queijos das melhores procedências e até sobra de garrafas de vinhos excelentes que haviam sido deixadas pelos clientes durante o jantar. Um verdadeiro festival gastronômico. Todas as noites.

Não me importava com o status dos trabalhos que conseguia, o importante era “esticar” os 2.000 dólares ao máximo e continuar na jornada, seguir em frente, conhecer muitas cidades, países e pessoas, e sobretudo, provar que conseguia me manter com meus próprios meios.

Ia viajando, fazendo bicos, fazendo amigos, dormindo e comendo, aqui e ali, sem grandes preocupações. E consegui estender minha estadia por 8 meses, antes de desistir, com 50 dólares no bolso, um frio de rachar, congelado em uma cabine telefônica, no meio do inverno, ligando aleatoriamente para qualquer número da lista telefônica, à procura de um trabalho. Sem sucesso. Voltei com o rabinho entre as pernas, mas feliz com minha performance. Os 2 ou 3 meses viraram 8.

No ano seguinte fixei residência na Suiça, onde me formei em hotelaria e passei outros 15 anos viajando a trabalho na França, Estados Unidos, Venezuela, Argentina, Recife, Santa Catarina, Rio de Janeiro, até voltar a me fixar em São Paulo, em 2004.

Não consigo determinar ao certo em que momento eu comecei a sentir medo do futuro. Em que momento as incertezas começaram a me assombrar? Não lembro quando, exatamente, a juventude destemida cedeu lugar à preocupações com o sustento da família, com a sobrevivência da empresa, com a saúde do corpo.

Será a tal da maturidade? Acontece com todo mundo? Ou sou só eu que acorda muitas vezes pela manhã com medo?

Comecei a ler um pouco sobre o assunto, a conversar com amigos com os quais tenho bastante intimidade e descobri algo muito interessante. Todo mundo tem medo!! Sim, todo mundo. É universal.

Cada um de nós vive o medo do seu modo. O medo de morrer e de ainda não ter construído um patrimônio que deixará nossa família tranquila. O medo de outros membros da nossa família morrerem e nos deixarem sozinhos neste mundo.

Mas a morte é um medo que consideramos “legítimo”, daqueles de que não temos porque nos envergonhar ou porque nos preocupar, dada a sua infalibilidade, caso consigamos chegar a tal nível de abstração.

Li por aí que depois da morte, o maior medo das pessoas é o de falar em público, mas não compro muito esta ideia. Acredito que o medo do fracasso é o que mais nos assola. E acho que é assim com todo mundo, não é só comigo e com você. Somos nós, o Bill Gates, o Obama, todo mundo. Este medo povoa nossas mentes o tempo todo. Será que tudo pode dar errado? Que eu posso quebrar? Deixar todo mundo na mão? Decepcionar minha família, meus amigos, meus funcionários? Como viverei com esta decepção? Como conseguirei olhar para minha família no café da manhã depois de ter fracassado?

Mesmo que não estejamos liderando uma nação, um grande empresa ou mesmo um pequeno departamento, ainda assim, ambicionamos transformar este pequeno mundo ao nosso redor, não é mesmo? Acredito que este seja o nosso papel. E temos que lutar diariamente para que este medo de as coisas não darem certo não nos leve à inércia, à paralisação. Esta é a pior consequência dos nossos medos. Não podemos deixar que isso aconteça conosco.

Li também em algum lugar (preciso começar a colocar as fontes, eu sei, mas me dá uma preguiça..) que nosso medo decorre da nossa incerteza com relação ao futuro. E que qualquer coisa que aumenta nossa incerteza aumenta o nosso medo.

Mas calma lá! Nós moramos no Brasil, como vamos viver sem a incerteza? Nosso desafio é outro, é conviver com a incerteza, aceitá-la e tocar a vida. O máximo que pode acontecer conosco é….o fracasso.

Você já fracassou? Já quebrou uma empresa, já deixou de pagar a escola dos seus filhos, o aluguel da sua casa? Não? Então não sabe o que está perdendo. Quebre logo. Quebre aos 30. Pois assim você terá tempo de se recuperar aos 40 ou até aos 50. E verá que a gente sempre se recupera. Ficará mais esperto, até porque, como diz a lenda, cachorro que foi mordido por cobra tem medo de linguiça. Quebre, se recupere e verá, aos poucos, a libertação dos seus medos. O afastamento da incerteza.

Ainda assim você acordará muitas vezes e perceberá que estes 2 pentelhos, o medo e a incerteza, levantaram antes de você e estão ali, te esperando, na mesa do café da manhã. Ignore-os, faça seu capuccino, leia seu jornal, tome o seu banho, comece o seu dia. Não deixe que eles te paralisem, te impeçam de fazer as coisas que tem que ser feitas.

Sim, eu tenho saudades dos meus 20 anos, quando a incerteza e o medo ainda não constavam do meu vocabulário. Minhas filhas tem essa idade e este mesmo espírito infalível. Mas saibam que a vida, a responsabilidade de uma família, de um negócio, a própria idade e o envelhecimento do corpo trarão este 2 impostores para perto de vocês.

Só não deixem que eles estraguem seu café da manhã.

Gisele – porque você ainda não tem uma conta no Facebook?

sem facebook-Por volta de 1998 eu e meus irmãos convencemos minha mãe a usar um computador e lá por 2006/2007 a convencemos a entrar no Facebook. Ela estava em uma fase mais reclusa de sua vida, depois da descoberta de um tumor, ficava muito em casa, saia pouco. Era viúva. Por alguma razão que eu não me lembro, começou a usar na rede o codinome Yara. Seu nome era Cecília. Em pouco tempo, a comunidade virtual da minha mãe se transferiu para o mundo real. Seus amigos eram muito mais jovens do que ela, e promoviam encontros físicos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ela chegou a alugar um apartamento no Rio para ficar mais perto dos novos amigos.

Sua melhor amiga, a Edith, é mais nova que eu, e também a chamava de Yara. Quando nos encontrávamos achava muito estranho que a chamassem de Yara, mas como tudo na vida, vamos nos acostumando, e o que importava mesmo era a grande amizade das duas, muito intensa, até o final da sua vida. Uma amizade que começou atrás da tela do computador, veio para o mundo físico e se tornou muito, muito real.

Eu tenho alguns poucos amigos que não usam o Facebook. Quando pergunto porquê, a maioria me diz que é por convicção. Mas eu nunca me convenci desta “convicção”. Acho que é por ignorância. Não no sentido de falta de cultura ou inteligência, mas no sentido de ignorar, de não levar em conta, os benefícios de ter uma conta no face.

Não, eu não recebo um tostão para fazer esta apologia mas tenho este triste hábito de me meter onde não sou chamado. Neste caso, o faço porque fui desafiado por uma amiga a convencê-la a criar uma conta no Facebook. A chamarei pelo pseudônimo Gisele, o nome da cachorrinha calma e tranquila de uma amiga. Vamos a esta tentativa.

Posso parecer demasiadamente mercantilista, mas eu daria uma séria atenção a qualquer empresa que vale centenas de bilhões de dólares e me oferece alguma coisa totalmente gratuita. Quando imagino quantos engenheiros estão trabalhando nos Estados Unidos e no mundo todo para me oferecer algo para o qual eu não precise desembolsar um centavo, eu não sou destes céticos que pensam: aí tem coisa! Não, minha primeira reação é: tô dentro. Ok, este sou eu, e não pretendo convencer ninguém a seguir esta filosofia.

Penso a mesma coisa com relação ao Google. A segunda empresa mais valiosa do mundo investe bilhões de dólares todos os anos para que quando eu tenha qualquer questionamento na vida, eu digite uma linha no meu celular e “bang”, a resposta apareça. Como posso não me interessar?

OK, concordo, nem tudo são dólares e nem todos são santos. Estas empresas te dão de graça aqui mas te cobram acolá. Mas e daí? Benvindo ao mundo atual, onde só vou me interessar por algo se tiver um claro benefício para mim. Porque não me interessaria pelo Uber se ele me oferece um deslocamento do ponto A para o ponto B em um veículo limpinho, novo, conduzido por um cara educado, sem precisar colocar a mão no bolso na hora de pagar, vem me buscar em casa, sai mais barato e ainda me oferece água e balinhas? Por convicção? De que? De que os taxistas ficarão desempregados? Ora, a maior categoria de trabalhadores dos EUA são os caminhoneiros. Alguém tem alguma dúvida de daqui a 10 anos eles também estarão desempregados? Que as cargas serão transportadas de uma maneira diferente da atual? Ou que qualquer trabalho repetitivo e mecânico será substituído por um robô ou por um sistema de inteligência artificial? Não acredita? Espere mais 10 anos.

Voltemos ao Facebook. Vou citar apenas 2 benefícios gratuitos que sustentam meu argumento.

1. Saber o que está rolando por aí – como se fosse um jornal customizado, com notícias que você recebe somente de fontes que te interessam e às quais você buscou acesso – e, diga-se de passagem, pode remover este acesso a qualquer momento, caso esta fonte passe a não te interessar mais. E diga-se, de novo de passagem, você só recebe estas atualizações se e onde você quiser. Não é que o Facebook baterá a sua porta no meio do seu jantar em família para te entregar as atualizações. Você é que vai bater na porta deles, através do teu computador ou do teu celular, se fôr vontade sua. Ninguém está invadindo a tua privacidade.

Estas fontes de conteúdo podem ser seus amigos, seus conhecidos, os grupos aos quais vc se inscreveu para participar, ou as páginas de negócios ou associações pelas quais você se interessa. Somos nós quem decidimos de que grupos queremos participar, de quem queremos ser amigos, que canais de notícias nos interessam.

2. É uma ótimo meio para mantermos contato com as pessoas com as quais você se relacionou em algum momento. Tudo bem, voce pode ser uma pessoa do tipo reclusa e dizer que não quer ter mais nenhum contato com as pessoas com as quais já se relacionou na vida. Neste caso, este benefício não é para você. Mas se você não tem este perfil, porque não gostaria de saber onde estão as pessoas com as quais um dia já teve contato? Saber o que estão fazendo? Eu mantenho, através do face, contato com muita gente que de outra forma teria desaparecido para sempre de minha vida. Talvez eu seja um ser excessivamente social, mas não fosse o face não estaria indo para o Kenya no final do ano visitar 2 amigos que estudaram comigo há 30 anos. Muito melhor que chegar lá sem conhecer ninguém, não?

Outro argumento que escuto dos “resistentes” é: minha vida não é um livro aberto e eu não gosto de ficar me expondo. Não é meu estilo, mas compreendo perfeitamente quem pensa desta maneira. Agora, não usar o face por conta disso é ignorar o funcionamento do mecanismo. Você pode usá-lo sem expor 1 mm da sua intimidade, sem postar uma foto que seja. Pode usufruir dos benefícios que eu citei e continuar no anonimato. Conheço muita gente que usa o face desta forma. Alguns nao se manifestam de jeito nenhum e alguns curtem alguns posts mas não publicam nada. Justamente aí é que está a vantagem do aplicativo. Você escolhe como quer interagir.

Mas se isolar do mundo, perder estas oportunidades de conexão e de absorver conteúdos que te interessam, ainda por cima, de graça, sem ter que pagar nadinha? Ah não, Gisele. Você é muito mais esperta do que isso.

Te convenci? Ou você não vai dar o braço a torcer? Deixe seu comentário.

Jantar no Vidigal

Já tinha ouvido falar do Bar da Laje, no Morro do Vidigal. Mas sabe como é, mesmo depois da pacificação e de todo mundo garantir que é 100% seguro, é sempre uma primeira vez.

Lá fomos nós. Você pega um táxi e fala “vamos para o Vidigal” e o taxista logo te responde “lá em cima ou lá embaixo? Porque lá em cima eu não vou, não”. Mas um amigo, morador do Vidigal, já tinha me dado a dica. Peça para o táxi te deixar lá embaixo, na entrada e pegue os moto-táxis para te levar lá para cima.

A experiência é realmente única. Os moto-taxistas não param de chegar, descendo o morro, com os capacetes do garupa à postos na mão esquerda, para te entregar. A fila de clientes anda a uma velocidade muito rápida, pois a moto é o principal meio de transporte do morro. Não dá nem tempo de pensar se você vai ou não pegar algum piolho ao colocar aquele capacete que já foi usado por milhares de pessoas antes de chegar a sua cabeça. O capacete é do tipo “tamanho único” para poder entrar em qualquer cabeça e nem tem o fecho para prende-lo sob o queixo, pois este “procedimento” atrasaria a operação.

Eu tenho a impressão que eles ganham por produtividade porque a velocidade com que eles sobem o morro é impressionante. E chama à atenção a habilidade que eles tem para ultrapassar kombis que estão fazendo entrega nos barzinhos, desviar de grupos de pagode que cantam no meio da rua, ignorar as lombadas de redução de velocidade. Nada os detém. O preço pela viagem é único – R$3,50, não importa em que ponto do trajeto da subida do morro você irá desembarcar. Como nosso destino é o ponto mais alto do morro, é compreensível que eles queiram acelerar um pouco mais do que o normal.

E lá vamos nós. Um grupo de 4, cada um em sua motoca, com uma mão segurando os capacetes que balançam na nossa cabeça e a outra segurando embaixo do banco. Dá vontade de passar o braço em volta da barriga do motorista, para maior firmeza, mas olhava as outras motos e ninguém estava nesta postura. Achei que poderia parecer muito gay, e que talvez o motoca não gostasse muito. Melhor se equilibrar com o corpo mesmo.

As motos vão ultrapassando umas às outras e você repara que realmente aquele é o meio de transporte oficial da comunidade. Uma senhora gorda que seguia atrás do motorista magrinho tinha uma das mãos segurando um bolo enorme, “confeitado”, e a outra segurando o banco para se equilibrar. Um outro morador resolveu dar carona para seu cachorro, que seguia, sem capacete, entre ele e o motoca.

E conforme a moto vai subindo, as casas vão diminuindo de tamanho, vai crescendo o numero de barzinhos, cabeleireiros e pequenas igrejas, as pessoas vão se concentrando mais e mais no meio da rua, o barulho vai aumentando, vão surgindo mais vendedores ambulantes, churrasqueiras de espetinhos e panelas de buchada e caldo verde vão deixando um cheiro maravilhoso na rua, e a preocupaçao com os piolhos vai ficando lá pra trás.

Vire e mexe uma brecada brusca da moto faz o seu capacete trombar com o capacete do motorista, que não parece se importar. Mas quando tirei o pé do apoio e o coloquei no chão para ajudá-lo a passar em um cantinho estreito entre uma kombi e uma parede, tomei uma bronca: “coloca o pé de volta, porra!”. “Ops, foi mal, achei que tava te ajudando”. Pela primeira vez ele deu um meio sorriso.

O outro meio sorriso foi quando eu deixei R$5,00 e disse que estava tudo certo. Afinal, fomos até o ponto final, no ponto mais alto do morro.

Tempo total de viagem, 10 minutos.

Entramos, pegamos o cartãozinho eletrônico de consumo, passamos pela cozinha exposta com vidro transparente, impecavelmente limpa, e chegamos ao terraço, ou melhor à laje.

Perdemos a respiração. É uma das vistas mais impressionantes do Rio de Janeiro. Parece que estamos suspensos no ar. Sentamos na mesinha de madeira de frente para a vista, recebemos o cardápio com uma variedade enorme de coisas, como você esperaria encontrar em um cardápio de um lugar com esta vista alucinante. Se é que você me entende. Não? Não importa, um bom cardápio.

Ficamos na tradicional picanha fatiada, muito farta, a carne extremamente macia, acompanhada de batatas fritas, farofa, cebola frita e arroz. Caipirinha de maracujá servida em copo longo, com muito gelo, cerveja Heineken gelada dentro do balde. Serviço ultra-rápido. Ainda arrematamos com uma carne de sol acebolada, desfiada, acompanhada de mandioquinha frita.

Melhor do que muitos lugares da zona sul, com a vantagem da vista e da emoção da subida. Programa imperdível quando estiver no Rio.

E se beber muito e não quiser voltar de moto, eles tem uma kombi que te leva de volta até “o asfalto” ou, no nosso caso, com um agrado adicional, até em casa, no Leblon.

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Simplesmente faça

Eu desconfio da eficiência e da capacidade de execução das pessoas que não anotam o que tem que ser feito imediatamente, no momento em que surge o assunto; que não registram a pendência em uma “to do list” de tarefas, seja em um caderninho ou em um smartphone.

A circunstância para esta anotação pode surgir a qualquer hora e em qualquer lugar. Na leitura de um email, na participação em uma reunião, em um telefonema, no corredor, no elevador.

Vivemos conectados, a cada segundo estamos sendo interrompidos. Por um telefone que toca, uma mensagem que chega por whatsapp, alguém que entra na sala. E de repente nossa atenção é desviada, e depois desviada de novo, de maneira que aquela tarefa, aquela pendência, que não foi anotada em nenhum lugar, acaba sendo esquecida. E não são só tarefas. Qual é mesmo o nome daquele restaurante que o fulano mencionou? Porque não anotou, mané?

Eu sou muito chato no trabalho. Chato mesmo. A partir do momento que alguém se compromete com alguma coisa, me coloco em modo observação. A pessoa vai ou não vai anotar? Se não anota, me coloco em modo desconfiança. Acho que não vai fazer. E quer saber? 80% das coisas que não são anotadas não são feitas. Não é uma estatística oficial, só uma constatação minha, “chutada”, baseada no meu dia a dia de anos implorando para as pessoas anotarem as coisas.

O americano anota (demais), eles tem etiquetas coloridas para cada tipo de tarefa. Os europeus anotam, e depois priorizam, ordenam. Porque nós brasileiros, achamos que vamos nos lembrar de tudo?

Sim, passo por chato por ter que ficar lembrando as pessoas o tempo todo deste princípio básico. Mas mais chato ainda é perder tempo discutindo coisas que não terão sequência porque nenhuma anotação foi feita. E pior ainda, constatar que aquele assunto terá que ser re-discutido simplesmente porque ninguém anotou nada. Não dá. O mundo pune a ineficiência.

As 3 melhores dicas que eu já li sobre sucesso no trabalho: faça muitas coisas. Faça bem feito. Faça no prazo que você falou que iria fazer. Simplesmente faça. Anote e faça!

O mito do carisma

É uma unanimidade: todo mundo quer ter carisma. E não é pra menos. As pessoas carismáticas parecem se dar melhor na vida, se sair melhor nos negócios, contornar melhor situações constrangedoras. Elas parecem derreter o gelo de um ambiente tenso somente com o seu sorriso aberto.

Mas afinal, o carisma é algo que nasce com a pessoa ou é algo que se aprende?

Recomendo muito o livro da Simone Cox Cabane sobre o assunto, chamado “The Charisma Mith”. Ela dá boas dicas aos interessados e responde a questão acima com um sonoro “sim”.

O que faz de alguém uma pessoa carismática?

Estar presente – quer dizer, a pessoa está prestando atenção total naquilo que está rolando. Não se distrai com pensamentos do passado ou do futuro. Se está falando com você, está 100% concentrada naquilo que você está falando. Não tenta te interromper ao menor suspiro que você dá entre uma sentença e outra. Quando somos interrompidos deste jeito, temos a impressão de que a pessoa não estava prestando atenção naquilo que estávamos falando, mas sim elaborando a sua próxima fala. Quando nosso interlocutor demonstra estar presente, nos sentimos ouvidos, valorizados e respeitados, não é mesmo?

A autora sugere a técnica dos 2 segundos, que já mencionei em outro post. Esperar 2 segundos antes de rebater o que alguém acabou de falar.

O carismático tem foco. Quando a sua atenção começa a querer “viajar”, ele tem um repertório de truques que o trazem de volta para a conversa do presente. Simone Cox cita um bem simples que tem origem na meditação, nas técnicas de “mindfulness”. Concentre-se na sua respiração, repare no caminho do ar, desde as narinas até os dedos do pé. Olhe pra dentro. O foco voltará.

A autora entra na questão do bem estar pessoal como um componente importante da expressão do carisma. O que também pode ser trabalhado com a meditação. Mas ela dá outras dicas mais objetivas.

Fala sobre como nosso estado de espírito é afetado por nossa incapacidade de tolerância às incertezas de nossas vidas. Esta incapacidade nos faz tomar decisões precipitadas, nos prejudica até em pequenas negociações do dia a dia, nos faz revelar mais do que seria necessário simplesmente porque queremos preencher aquele vazio da conversa. Não somos capazes de aguentar a incerteza sobre o que a outra pessoa está pensando e portanto vivemos momentos de ansiedade. E a ansiedade é um inibidor do carisma.

A má notícia é que a incerteza não vai embora nunca, ao contrário. Ela só aumenta, principalmente em um mundo onde as coisas andam num passo mais rápido, a tecnologia avança e nos deixa pra trás. Aqueles que sabem como domar a incerteza terá uma grande vantagem sobre os outros. As pessoas chamarão de carisma.

A maneira mais fácil de abraçar a incerteza é adotar o mantra do “eu não sei”. Não sei o que vai acontecer, não sei quem é quem aqui, não sei por onde eu começo, enfim, não sei um monte de coisas. Vamos de cara admitir que não sabemos e nos livrar do peso de ter que saber. Isso significa estar aberto ao aprendizado, à novos formatos, à escuta ativa. Vire a chave do “deixa eu dar minha opinião inteligente sobre este assunto” para o “eu não sei” e você estará flertando com a incerteza, aceitando-a, de uma maneira suave.

Para quem está no mundo dos negócios, estar confortável com a incerteza e com a ambiguidade é importante não só porque aumenta o nosso carisma mas porque esta habilidade é um dos grandes sinalizadores do sucesso profissional.

A auto-crítica é um dos obstáculos mais comuns à performance das pessoas. Todos nós nos sentimos mal em muitos momentos, faz parte da vida. Sentimos raiva, inveja, ansiedade…muitas vezes aquilo que mais nos incomoda e nos prejudica não é nem o sentimento em si, mas a vergonha que sentimos de estar vivenciando estes sentimentos.

Uma das principais razões pelas quais somos tão afetados por nossos sentimentos negativos é o fato de acreditarmos que nossa mente está fazendo uma leitura correta da realidade. E pior ainda, que as conclusões da mente por conta desta leitura são válidas. Não são. Muitas vezes a visão que nossa mente tem da realidade é distorcida.

Quando nossa mente começa a criar cenários negativos, temos que nos lembrar que talvez não estejamos fazendo uma leitura correta da realidade. Em outro livro que li recentemente, o autor diz que nossa mente é como TV a cabo. Nos dá acesso a um montão de canais, mas só vale mesmo a pena assistir a alguns. Os canais que não valem a pena estão lá, mas não precisamos necessariamente acessá-los.

Parte do estar presente, do estar consciente do que está se passando ao nosso redor, é conseguir enxergar estes sentimentos negativos com naturalidade, com distanciamento. Como se estivéssemos vendo um filme de nós mesmos passando à nossa frente. “Olha só, tá rolando uma irritação aqui dentro” é uma self-talk muito mais efetiva que “tô muito puto”. Também ajuda termos consciência de que não é só conosco que estas coisas acontecem. O mesmo sentimento afeta a todos os humanos, em um ou outro momento, em maior ou menor grau. Temos que ter a tranquilidade de que este estado passará, assim como sempre passa.

E não precisamos nos envergonhar dele. Simplesmente reconhecê-lo e tocar a vida em frente.

Acordar cedo é vida!

Diálogo com a caixa da padaria:

Ela:
– hoje tô com um sono…
– que horas vc acorda?
– dez pras quatro
– mas que horas vc chega na padaria?
– 5:30h
– é a hora que eu tô acordando..
– jura? Que delícia!

Veja o que é perspectiva…

Fiquei imaginando o que ela já não teria feito das 3:50h até as 5:30h, hora que eu estou acordando.

Tenho acordado as 5:30h mas não foi sempre assim. Pelo contrário, dormia tarde (depois das 2h) e acordava tarde (entre 8 e 8:30h), a não ser no único dia da semana que tinha que levar minha filha menor na escola, o que fazia com um tremendo mau humor. Aliás, os 2 de mau humor. Minha filha também tem hábitos noturnos, acho que é meio genético.

Mas mudei meus hábitos de sono e ganhei qualidade de vida. Não quero doutrinar ninguém mas vou compartilhar minha motivação.

Acordar de madrugada te dá uma grande vantagem com relação ao resto da humanidade. Te dá uma sensação de largar na frente, de já ter feito um monte de coisas enquanto as pessoas ainda estão saindo da cama.

Te dá a chance de se dedicar a projetos pessoais sem que ninguém te interrompa. Você pode ler em paz, escrever em paz, fazer sua ginástica, dar um passeio pelo bairro, meditar, ler o jornal tranquilamente, usar como bem entender aquele período, que é só seu. Olha que maravilha!

Anne Janzer, que escreve sobre o processo da escrita diz: “Quando a escuridão silencia as demandas do mundo, fica mais fácil se concentrar na escrita.

Quando a casa começa a “ferver”, as pessoas começam a circular, o telefone começa a tocar, você já fez tudo o que queria fazer e pode se dedicar a simplesmente “estar presente”, sem ansiedade. Aliás, este “estar presente” me remete ao gatilho que me levou a este hábito. Foi quando comecei a ler sobre mindfulness, que será objeto de outro post, em breve.

Antes eu acordava as 8h-8:30h, já no meio do furacão, e ficava sempre com a esquisita sensação de que todo mundo estava tentando roubar preciosos minutos da minha manhã, querendo interagir, mandando mensagens, perguntando coisas, me interrompendo. Meio paranóico, né?

Quando passei a acordar as 5:30h me vi com tempo de sobra pra fazer um monte de coisas que antes me dava uma certa “vergonha” de fazer. Como, por exemplo, escrever para o meu blog, meditar,… Bobagem minha, eu sei, resquícios de uma mentalidade meio calvinista, de quem morou na Suiça. Achava que depois de uma certa hora da manhã meu tempo deveria ser dedicado a coisas “produtivas”, relacionadas a trabalho “verdadeiro”, muito embora há tempos não tenha que me reportar a ninguém sobre meu desempenho profissional ou sobre o uso que faço das minhas horas.

Talvez eu tenha saído há anos do emprego 9-17h mas ele ainda habita em mim. Sabe aquela sensação de chegar no escritório às 9:15h e ver que já está todo mundo lá?

Ainda hoje, acho que fruto dos meus tempos de executivo, meu espírito competitivo acorda junto comigo. Só que agora eu o tiro da cama mais cedo e vou acalmando-o. Vou rapidamente ao terraço e dou uma olhada nos prédios em volta para ver quantas luzes estão acesas na vizinhança a esta hora. Vejo muito poucas. 3 ou 4, no máximo. Esboço um silencioso “yes” e vou ligar a cafeteira. Sensação de que larguei na frente.

Estou pensando seriamente em antecipar meu despertador para as 5h. E esperar pela moça do caixa na padaria. Duvido que tenha alguma luzinha acesa a esta hora.

Muito babaca, né?

Lição de Persistência – Um paulista querendo aprender futevolei no Rio de Janeiro

O ano era 1999. Tinha acabado de chegar ao Rio de Janeiro para inaugurar o Hard Rock Cafe. Passava todos os dias pela orla do Leblon e via as partidas de futevolei rolando na areia, do lado do calçadão. Parava e ficada observando por horas.

Nunca tinha visto. Sempre fui aficcionado por futebol, mas aquilo…igualzinho o volei de areia, com a diferença que você não pode usar as mãos. O que obviamente muda tudo, transforma em um outro esporte. Não usar as mãos significa usar a cabeça, o peito, o ombro, a coxa, os pés. Significa desenvolver habilidades com todos estes outros membros que nem o futebol nem o volei proporcionam.

Fiquei imediatamente fascinado e pensei com meus botões: isso é pra mim!

Qualquer jogador de futebol, ao ver uma partida de futevolei, tem a ilusão de que não deve ser tão difícil. Afinal de contas, se ele é bom com a bola nos pés…Mas não é bem assim que a banda toca. No futebol você usa o peito para amortecer a bola. No futevolei é o contrário, você usa o peito para rebater a bola, um fundamento que nenhum jogador de futebol aprende. Ao invés de chutar a bola pra frente, o objetivo é colocar a bola pra cima. Você não usa jamais o peito do pé, somente a lateral interna. As diferenças são gritantes, mas isso você só percebe ao entrar na areia, até então você tem a triste ilusão de que o aprendizado será um “passeio no parque”.

Se tenho uma característica da qual me orgulho é a persistência. Decidi que iria aprender a jogar futevolei.

Mas como aprender sendo um paulista, branquelo, de quase 40 anos? O futevolei é similar ao tênis no sentido de que ninguém se inicia no esporte chegando em um rede de jogadores experientes e pedindo para jogar uma partida. Não rola. Os caras vão olhar pra você e dizer: meu amigo, vai treinar durante 4 anos e depois volta aqui. No futevolei é a mesma coisa, com a diferença de que o tenis nasceu na Inglaterra e o futevolei, no Brasil. Vão te dizer a mesma coisa, mas de uma maneira, digamos, menos polida. Do tipo: “cai fora, mané!”

Só existe uma marca e um tipo de bola de futevolei. É a Mikasa FT 5. Importada. Hoje já se compra facilmente aqui no Brasil. Naquela época era um pouco mais difícil.

Minha primeira tentativa de me enturmar com a galera do futevolei foi frustante. Em uma viagem para Miami comprei uma bola e pensei. Se eu chegar na areia com a bola, quem sabe não me deixam jogar? Triste ilusão. Eu ficava sentadinho na areia, ao lado da quadra, com a minha bola reluzente de nova, esperando uma oportunidade, um chamado de alguma alma piedosa. Mas não rolava. Algumas vezes um dos jogadores vinha em minha direção, eu ficava meio nervoso achando que teria chegado minha hora, mas que nada. Ele falava: aí Russo, empresta essa bola aí? Eu emprestava. E depois eles me devolviam a bola toda suada, e eu ia pra casa, desanimado. Reparou no detalhe? Me chamavam de “russo”…

Minha mulher é ponta firme. Ficava ali do meu lado, enfrentando o areião quente perto do calçadão, ao invés da beira do mar, onde era mais fresco, pra me dar uma força. Pensando em retrospectiva, talvez eu tivesse preferido uma humilhação solitária do que uma com testemunha.

Como já tinha a bola e uma esposa parceira, ela virou uma espécie de técnica, ou melhor, rebatedora. À noite, depois do trabalho, passávamos horas na praia, ela lançando a bola para mim e eu rebatendo de volta. Fazíamos este treinamento todos os dias, inclusive nos dias de chuva, quando não havia mais ninguém na praia. Aos poucos fui aprendendo os fundamentos. Pé, coxa, peito, cabeça. Pé, coxa, peito, cabeça. Ela lançando e eu rebatendo. Horas a fio. Semanas a fio.

E assim se passaram 6 meses de treinamentos solitários, muitas vezes na chuva, intercalados com a observação intensa dos jogos que ocorriam nos finais de semana, sentado do lado de fora da quadra, com a minha bola novinha pronta para ser oferecida aos “craques”. Que me chamavam de Russo.

Numa manhã ensolarada de sábado, no posto 11, estávamos sentados no quiosque, tomando um côco, observando uma partida que acontecia bem na nossa frente. A partida terminou e um dos jogadores foi para o mar. Ficaram 3 jogadores em quadra olhando para os lados para ver se encontravam um quarto elemento para compor a partida. Olhei para minha mulher, peguei na mão dela, olhei dentro dos seus olhos e disse: é a minha chance! Ela me disse: vai que é tua! E eu desci para a areia e perguntei: dá pra jogar uma partidinha com vocês?

Um olhou para o outro, que olhou para o outro, os 3 olharam em volta para se certificar de que realmente não haveria um quarto elemento mais qualificado do que este paulista branquelo que não tinha a menor pinta de jogador de futevolei, e finalmente saiu o veredito: “tá bom, vamos jogar umazinha”. Tá ótimo! Umazinha é tudo o que eu preciso, pensei. Eles não tinham idéia da minha saga até aquele momento, da minha vontade e da importância daquela primeira partida na minha cabeça ansiosa.

Já entrei em quadra com a boca seca e comecei a suar antes de tocar na bola. Minha mulher observava do quiosque com ar de condescendência, tipo: a primeira é assim mesmo. Teria preferido que ela fosse dar uma voltinha pelo calçadão, mas não, ela ficou até o fim, me vendo sofrer, errando uma bola atrás da outra, correndo sem rumo, nenhuma noção de quadra.

Ao final da partida nada de um “legal Paulista, aparece aí”, “jogamos bem mas não deu”, nada disso. Foram os 3 para o mar sem falar nada e eu achei mais prudente não acompanhá-los. E também não queria voltar para o quiosque e encarar a minha mulher, com aquele olhar de quem foi buscar o filhinho na escola no primeiro dia de aula. Fiquei ali, sentado na areia, pensando: preciso mudar de estratégia.

Me matriculei em uma escolinha de futevolei, mais para o final do Leblon, em direção à Ipanema. O professor chamava-se Dico e a turma tinha uns 4 alunos. Meu melhor amigo era o João, um menino de 12 anos. Treinávamos recepção de saque, levantamentos e ataques e no final do treino fazíamos uma partida. Foram meses de treinamento com o Dico. Comecei a melhorar os fundamentos, mas treino é treino e jogo é jogo. Os treinos, além de melhorarem a nossa performance, também nos dão a exata noção do quanto nos falta ainda para jogarmos o mínimo para “dar jogo” no jogo real. Não digo nem de jogar de igual para igual, mas simplesmente para não acabar com o jogo dos caras que sabem jogar.

Fui encontrando meu caminho. Observei que os jogos de sábado e domingo começavam lá pelas 11h. E que o pessoal ia chegando na quadra a partir das 10:30h. Então eu chegava na praia as 10:20h. Quando chegava o terceiro jogador e os 3 estavam esquentando na “altinha” (jogando a bola para cima, entre si), eu chegava junto, na cara dura, e perguntava: posso completar a quadra só até alguém chegar. Esta abordagem funcionava bem, pois mesmo que eles vissem que eu era iniciante, seria só até o quarto jogador chegar. Ocorre que, mesmo sendo cariocas, eles ficavam meio sem jeito de me dispensar quando o quarto jogador chegava, e me deixavam jogar a partida até o final. Eu geralmente perdia, mas fui adquirindo experiência de jogo “real” e não só de treino. E mais importante, fui conhecendo a galera, interagindo. Fazia isso todos os sábados e domingos.

Eu havia inaugurado o Hard Rock Cafe na Barra, e rapidamente se transformou numa balada de sucesso na noite carioca. Minha vida no futevolei deu um grande “up” quando eu percebi que os ingressos para o Hard Rock Cafe tinham um grande valor junto à galera do futevolei. Cheguei junto do melhor jogador da rede e mandei na lata: “tó aqui uns ingressos para o Hard Rock, pra você levar uma galera”.

No dia seguinte, quando eu cheguei na rede, ele gritou bem alto, para os outros escutarem: “o Paulixxxta é minha dupla. Faz a dupla de vocês aí..”. Completamente despudorado, passei a distribuir ingressos do Hard Rock a torto e a direito. Quando estávamos só eu e o professor no treino, oferecia R$5,00 para cada jogador que se dispusesse a formar uma dupla para jogar conosco. Pode chamar de propina, mas para mim era apenas um investimento de R$10,00 na minha formação.

Jogando com o melhor da rede em troca de ingressos, pagando cincão aqui, cincão ali, meu futevolei começou a melhorar, as vitórias começaram a aparecer, fui ganhando moral com a galera, ganhando confiança, fazendo amizades e consegui, enfim, viver o meu sonho de viver no Rio como um carioca nativo, praticando um esporte pelo qual me apaixonei à primeira vista. Em 2004 vim morar em São Paulo e consegui convencer a diretoria do meu clube a investir na construção de uma quadra de futevolei, sendo que não havia uma única alma que praticasse este esporte no clube. O sucesso foi tão grande que uma segunda quadra foi construída. Depois disso, quase todos os clubes de São Paulo construíram suas quadras, o esporte se popularizou, começaram os campeonatos inter-clubes e novas gerações vão sendo formadas. Quem sabe um dia se torne um esporte olímpico.

Continuo indo para o Rio com muita frequência, jogar com meus amigos no Leblon. Não me chamam mais de Russo e não preciso mais comprar ninguém. Até do grupo de whatsapp da rede eu participo. Em São Paulo eu participo dos campeonatos “master”. Quer me encontrar? É só perguntar pelo “Corôa” do futevolei.

Conclusões:

Se alguma coisa te desperta uma verdadeira paixão, persista.

Não tenha receio de se humilhar um pouquinho para conseguir seus objetivos.

Valorize o sonho do seu parceiro (parceira) e mostre apoio. Mas vá dar uma volta na primeira “exposição pública”.

Se o único recurso possível for comprar o acesso, não seja moralista, compre.

De onde vem as boas ideias?

Vagando pela internet descobri um cara interessante chamado Steven Johnson, que aborda o tema do surgimento das grandes idéias. Vejam a sua palestra no TED. É sensacional. E depois da palestra, descobri ainda um outro video, um pouco mais curto, com uma representação, em desenhos “real time”, das ideias dele.

Nada daquele momento mágico no banho, daquela inspiração caminhando por um campo de girassóis. Muito a ver com a conectividade entre as pessoas, com o encontro de uma pequena idéia na cabeça de uma pessoa com outra pequena ideia de outra pessoa produzindo algo maior que nenhuma das 2 cabeças haviam pensado inicialmente.

Nosso cérebro trabalha assim, de maneira conectada, com os neurônios interagindo entre si para produzir um pensamento. E quando um cérebro, cheio destas conexões, encontra outro igualmente ativo, é neste momento que surgem as grande inovações.

Ele fala também sobre o ambiente onde as ideias são geradas. Raramente elas surgem olhando-se pelo cano de um microscópio ou sentado sozinho em uma baia de trabalho. As grandes idéias do Renascentismo ou do Iluminismo apareceram nos cafés franceses e pubs ingleses. O surgimento de uma ideia inovadora é mais provável em um encontro fortuito, em um papo informal, no ambiente descontraído de um café ou até um pouco anárquico, de um pub, onde as conversas fluem, transitam, às vezes até auxiliadas por um pouco de álcool.

O convívio com a tecnologia tem sido responsabilizado pela falta de concentração das pessoas, com a quase obrigação de sermos todos multi-tarefas o e de portanto, não conseguirmos nos concentrar em uma leitura profunda, de onde, supostamente, extraímos as boas ideias.

Mas a tecnologia nos trouxe a internet, e seu papel importantíssimo para a criação desta conectividade, onde você discute algo aqui, rouba uma idéia ali, pesquisa sobre um assunto acolá, assiste a um vídeo, vê fotos, e de repente, todas estas conexões estão caminhando, muitas vezes meio desorganizadamente, em direção a um ponto de convergência, a uma solução para um problema, a uma boa idéia.

Contrariamente ao senso comum, muitas das inovações levam tempo para acontecer. Requerem um tempo de amadurecimento, vão sendo construídas, discutidas, alimentadas, até que se chegue a alguma coisa acabada. O próprio projeto de criação da internet foi “incubado” durante 10 anos, pois seu suposto criador, Tim Bernes-Lee, o abandonou antes de retomá-lo, porque preferiu se dedicar a outras prioridades.

Conclusão: as coisas vão aparecendo, as ideias vão amadurecendo, as pessoas vão compartilhando, de repente um movimento vai ganhando força, um ambiente bacana acolhe estas pessoas e estas ideias, que começam a se encontrar, a agir em rede, a esbarrar umas às outras em colisões que geram energia, e quando menos se espera, voilá, criou-se uma grande inovação.

Para os anais da história pode parecer um momento de eureka, uma maçã que caiu no chão e deu a alguém a ideia da gravidade. Mas com certeza os encontros entre as pessoas, os bares e cafés, e quem sabe até um pouco de álcool, desempenham um importante papel para a inovação, papel este que a história não conta.

Há que se dar tempo ao tempo, criar um ambiente propício, procurar se conectar ao máximo, compartilhar conhecimento e sobretudo, andar com os ouvidos bem abertos se quisermos evoluir através da inovação. Esta é a mensagem do Steven Jonhson.

Os 2 segundos mais importantes da sua vida

Não sou um especialista em comunicação, mas aprendi uma coisa que tem me ajudado nas interações pessoais, sempre que consigo me lembrar de colocar em prática. Ou seja, quase nunca.

Introduza 2 segundos de intervalo entre o que você acabou de escutar e o que você quer falar. Em qualquer conversa. Este será o melhor investimento de 2 segundos que você terá feito na vida.

Todos nós, seres humanos, temos 2 tendências que prejudicam nossa comunicação. 1 – não escutar com atenção total aquilo que está sendo dito, porque ao mesmo tempo em que estamos escutando, estamos preparando o que iremos falar em seguida. E 2 – temos o hábito de interromper o que o outro está falando no meio da frase porque achamos que temos algo mais importante/relevante para colocar na conversa, naquele momento.

Os 2 segundos te livrarão destas 2 tentações, te trará a reputação de ser uma pessoa que “escuta” e te ajudará a aprender muito mais coisas durante as conversas, pois estará com o ouvido “atento”. Difícil é se lembrar disso durante nossas conversas. Mas fica a dica.

Zona de desconforto – Uma aventura na Venezuela

Eu trabalhava no Grupo Accor, na divisão de hotéis Sofitel. Alguns hotéis na Venezuela pertenciam ao Estado e foram privatizados. O primeiro deles a ser privatizado foi o Hotel Cumanagoto, na cidade de Cumaná, no litoral. O vencedor da licitação foi um milionário venezuelano de nome Nelson Mezerhane, que assinou um contrato com o grupo Accor, que passaria a fazer a gestão do hotel.

Quando a matriz da Accor na França ligou para o Roland de Bonadona, meu chefe à época,  perguntando se ele poderia indicar alguém que falasse espanhol e francês e que estivesse interessado em uma missão especial na Venezuela, eu nem procurei saber muito do que se tratava. Eu estava atrás de emoções e eles pagavam bem.

O ano era 1992, e tinha acabado de acontecer uma tentativa de golpe contra o governo de Carlos Andres Perez. Com a baixa do preço do barril de petróleo decorrente do aumento da produção dos países árabes, a Venezuela viu minguar sua principal fonte de receita e seu governo se viu obrigado a seguir a cartilha neo-liberal do FMI, o que não agradava a muitos setores da população. O insurgente era um jovem coronel do exército de nome Hugo Chavez. Chavez estava preso quando eu cheguei na Venezuela.

Uma das consequências desta política neo-liberal era a privatização de alguns setores em que o estado estava envolvido e que o governo achou que deveria passar às mãos da iniciativa privada, entre os quais a hotelaria.

O representante da Accor que havia assinado os contratos com o novo proprietário do hotel me recebeu no Aeroporto, em Caracas, e me disse que não poderia me acompanhar até Cumaná porque teria que voltar para a França. Me entregou uma cópia de todos os documentos referentes tanto à privatização quanto à gestão por parte do grupo Accor. Explicou a minha missão e se despediu. Eu deveria assumir o hotel, fazer uma avaliação das instalações e da qualidade da mão de obra e fazer um levantamento do que seria necessário para convertê-lo em um hotel de padrão Sofitel.

Peguei o avião no dia seguinte e depois de uma hora de voo, desci em Cumaná, o primeiro povoado fundado por europeus na América. Fui direto para o hotel e nem consegui apreciar a linda paisagem entre o aeroporto e a praia de San Luiz, onde ficava o hotel.

Eu estava tenso e sozinho. O hotel havia sido privatizado e portanto os 250 funcionários  eram, até a semana anterior, funcionários públicos. Todos os funcionários, inclusive o gerente geral. Eu nunca havia estado em um hotel tocado por funcionários públicos. E pelo pouco que eu havia pesquisado sobre a Venezuela, o funcionalismo público por lá tinha a mesma fama do funcionalismo público do Brasil, ou seja, uma máquina de ineficiência. Poderia funcionar em um hotel? O que levou o milionário a comprar o hotel? Terá sido uma barganha? Como os funcionários reagiriam a um estrangeiro muito jovem representante dos novos proprietários? O que eu estava fazendo naquele lugar? Todas estas questões foram respondidas em menos de 10 minutos após minha chegada no hotel.

Era a o fim de semana de Páscoa, hotel lotado de turistas. Sim, o hotel estava funcionando normalmente. Quer dizer, não estava funcionando, como normalmente não funcionava. Como pode funcionar um hotel onde a presidente do sindicato nacional do trabalhadores hoteleiros da Venezuela era a chefe da recepção?

A privatização do hotel havia sido radicalmente rejeitada pelos funcionários, que obviamente estavam preocupados em perder as “regalias” de um emprego público. Mas desde o dia da privatização até o dia da minha chegada ao hotel, nada na vida deles havia mudado. A chefe do sindicato continuava a mandar mais do que o gerente, sempre escoltada por 2 funcionários que, segundo a folha de pagamentos, estavam registrados como caixa de restaurante, mas que nunca haviam fechado uma conta na vida.

A minha chegada foi como a aparição do satã. O representante dos exploradores capitalistas que usurparam o patrimônio venezuelano. Eu era o Yankee que iria dominar os pobres nativos. O clima de hostilidade era palpável. O gerente nem me recebeu na recepção do hotel. Tive que ir até a sala dele e me apresentar. Ele me olhou com um certo desdém e me perguntou de onde eu iria trabalhar, em qual sala. Neste momento eu decidi me posicionar. Ou mostrava a que tinha vindo ou seria engolido vivo em uma pequena cidade distante na costa venezuelana do Caribe. “Aqui mesmo. Esta mesa passa a ser minha e voce vai encontrar um outro lugar para se sentar, voce deve conhecer bem o hotel”. Geralmente eu sou um cara simpático em qualquer interação inicial com outro ser humano. Mas ali era uma questão de posicionamento, de deixar um recado.

Percebi imediatamente que a minha estadia na Venezuela não seria um passeio. Seria impossível converter aqueles cozinheiros e garçons de 30 anos de serviço público em funcionários padrão Sofitel. O hotel estava caindo aos pedaços, a muito tempo o governo não fazia investimentos.  Seria necessário fechar o hotel para reinaugurá-lo depois de uma profunda reforma. Mas antes de fechá-lo arquitetos deveriam ser contratados, o mercado deveria ser estudado, etc. O fechamento não poderia ser algo imediato. Um plano com etapas e metas deveria ser desenvolvido e o ponto mais importante de todos, deveria ser equacionado: o que fazer com os funcionários? Eram todos sindicalizados, conservadores, avessos à novos aprendizados e claramente contrários a qualquer mudança que pudessem alterar o status de funcionários públicos de que disfrutavam.

Eu tinha que tocar aquele barco e tinha 3 pessoas de confiança para me ajudar na missão. Um gerente operacional chamado Tulio Corrales, um gerente financeiro chamado Juan Carlos Bugallo e uma secretária/assiste chamada Mary.

Em um sábado no meio do feriado de Páscoa,  a Mary vem me dizer que a presidente do sindicato estava organizando uma reunião com os funcionários as 15h no centro de convenções do hotel. Como assim?? No meio do feriado? Com o hotel lotado? Esta mulher pirou. “Mary, vai lá, tranca a sala e me traz a chave”. “Pero señor Marcelo, y la presidenta del sindicato? És una persona terrible!! No le dá miedo?”. “Mary, vai lá e tranca!”.

Fiquei na minha, olhando aquela imensa sala e não conseguia pensar em nada. É lógico que eu estava com medo. Até aquele momento eu sentia a animosidade mas ainda estava tateando, ainda não havíamos nos confrontado. Eu só escutava falar dela, do seu jeito bruto, de sua intempestividade e autoritarismo. Ainda não tinha tido nenhum contato com ela, eu a havia chamado para que nos apresentássemos mas ela havia ignorado o convite.

As 14:50h eu escuto o maior barulho na ante sala, uma discussão, e em seguida a Mary entra com a cara assustada e anuncia: “A Nelly Bettancourt veio falar com o Sr”. “Mary, eu tenho 31 anos, pára de me chamar de ..”. Antes de terminar a frase, entra na sala uma mulher grande, com jeito masculino, a pele bem escura, o pescoço atarracado, o cabelo cortado bem curto, com seus 2 capangas (caixas do hotel) também grandes, um marchando de cada lado. Ela venceu a distancia de 10 metros entre a porta da sala e a minha mesa em 3 passadas e parou na minha frente. Nunca tinha tido medo de mulher..até aquele momento. Mas não podia dar bandeira.  Fingi que estava terminando alguma coisa muito importante antes de me virar para ela.

“Usted sabe con quien estás hablando? Yo soy Nelly Bettancourt, la presidenta del sindicato nacional…y exijo que la sala de reuniones sea abierta ahora!”

Até então eu vinha tentando me posicionar de uma maneira mais “soft”, tentando explicar minha missão, dialogar, porque sabia que teria que trabalhar com aqueles funcionários durante um bom tempo, portanto seria melhor uma convivência pacífica do que belicosa. Mas eu sabia que o conflito seria iminente, que iria chegar mais cedo ou mais tarde. Me levantei da cadeira e mandei na lata:

“Sra Nelly, muito prazer, meu nome é Marcelo, representante dos novos acionistas do hotel. A sala continuará fechada. O hotel está cheio, os funcionários devem estar cada um nas sua posição de trabalho e isto é uma ordem que não está aberta a discussão. Se a senhora quiser promover uma reunião do sindicato, o hotel empresta a sala, desde que seja em um dia de baixa ocupação e a solicitação seja submetida a minha aprovação com pelo menos 1 semana de antecedência.” Dei meio sorriso e me sentei.Ela ficou vermelha, seus olhos quase pularam para fora da sua cara redonda, fez meia volta, empurrou a coitada da Mary para o lado e marchou de volta para a porta. Os capangas, antes de se virarem também,  ainda ficaram alguns segundos me fitando com olhar ameaçador, do tipo que quer dizer: “voce não sabe,  definitivamente,  com quem está se metendo.”

E eu realmente não sabia. Ameaças começaram a vir de todos os lados, tive inclusive que me mudar de hotel, para um hotel ao lado que se chamava Los Bordones. Ligava para o pessoal da Accor na França e eles me diziam: “Marcelô, voce tem todo o nosso apoio, faça o que tiver que ser feito”. Ligava para o pessoal do Nelson Mezerhane em Caracas e eles diziam: faça o que tiver que ser feito.

Fiz o que tinha que ser feito mas minha vida virou um inferno. Contratei uma equipe de seguranças que se revezavam nas 24 horas do dia, inclusive se posicionando na porta do meu quarto. Me deram um rádio com um fone de ouvido através do qual eu passava o dia escutando os movimentos de cada um através de códigos. Eu era o “Aguia 1” , os 2 gerentes “amigos” eram “Aguia 2” e “Aguia 3”. O pessoal da segurança eram os “falcões”, sendo o chefe da segurança o “Falcão 1” e assim por diante.

Para que o hotel funcionasse nos padrões do grupo Accor, era fundamental trocar os funcionários antigos por novos, que pudessem ser treinados nos novos padrões, que tivessem sede de aprendizado. E era fundamental também romper os vínculos com o sindicato. O sindicato não tinha a menor comprometimento nem com a evolução profissional de seus membros nem com a qualidade da prestação de serviços no hotel. O que eles queriam era tumultuar. Mas mesmo uma simples demissão representava um problema político, reascendia a ira daqueles que estavam contra o processo de privatização. Portanto ou se mexia no vespeiro de uma vez, arrancando-o do galho da árvore, ou seríamos comidos vagarosamente pelas vespas. Nosso plano inicial de tocar o hotel até que os projetos de reforma ficassem prontos teve que ser modificado. Tivemos que antecipar o fechamento e assumir o prejuízo por tal decisão.

Começou uma enorme batalha jurídica com a contratação dos melhores advogados trabalhistas de cada lado. O sindicato apareceu com um advogado conhecido como “El Tigre” e nós contratamos “El Leon”. Eu andava para cima e para baixo com um livrinho chamado “Ley Organica del Trabajo” para entender como eram as leis trabalhistas locais e poder ter um mínimo de conversa inteligente com os advogados.

Acabamos conseguindo demitir todo mundo ao custo de mais de 1 milhão de dólares e fechar o hotel. Ainda tivemos que trasladar todas as coisas do hotel, equipamentos, mobiliários, etc, para um galpão alugado. Tudo com a mesma equipe que estávamos demitindo. Um segurança ficava posicionado em cada esquina para assegurar que nada seria desviado no meio do caminho.

Nestes 6 meses de Venezuela eu sofri todo tipo de ameaças, tive que aprender a trabalhar em um país diferente, sob enorme pressão, em um ambiente de trabalho hostil. Foi o melhor aprendizado que eu tive na minha vida.

Conclusão: se você quer evoluir, se jogue para fora da zona de conforto. É como fazer o exército. Na hora você reclama, mas depois, quando olha pra trás, não se arrepende.

A importância da leitura (e dos idiomas)

Sempre fui um péssimo aluno. Fiz o colegial em 4 colégios diferentes até até terminar no Objetivo, que na época era um dos únicos onde era impossível “tomar pau”. Bastava ir à escola para passar de ano.

Meu pai era um leitor voraz. Lia muito. Era muito tímido, não era de falar muito. E eu gostava de ficar com ele. Então comecei a adquirir o hábito da leitura. No café da manhã ele lia economia, eu lia esporte. E então trocávamos, e eu lia economia. Com 12/13 anos. No começo eu não entendia muito bem as coisas que lia mas com o tempo fui percebendo que as notícias do jornal tem uma certa narrativa, uma continuidade. E você acaba ficando na expectativa do que acontecerá no dia seguinte. Me habituei tanto com esta rotina de ler jornal que quando ia passar as férias no Recife com os pais do meu melhor amigo e um monte de moleques, e eu ia todo dia de manhã comprar o jornal na banca. E tomava o café lendo o jornal, nas férias, com 13 anos. Juro que eu não era um Nerd, muito pelo contrário. Mas a galera me zoava muito.

Era o jornal local, não era como hoje, que o Estadão e a Folha chegam no Brasil inteiro na mesma hora. Era o Diário de Pernambuco. E eu me interessava pela notícias locais, pela narrativa. “Pegou fogo na favela de Brasilia Teimosa, 50 famílias ficaram sem casa”. No dia seguinte tinha a versão dos bombeiros, no outro dia os moradores acusavam a prefeitura, no outro o jornal entrevistava o governador, que culpava o governo federal, e assim a estória ia se desenrolando. Eu estava de férias, mas ligado na estória, sabia todos os detalhes, discutia com o barraqueiro na praia, com o garçon do restaurante, com o cara da banca. Não conseguia imaginar minha vida sem ler o jornal de manhã. Meu pai passou isso para mim. Sem me pedir, sem falar uma palavra. Era meio por osmose.

A noite, depois do Jantar, meu pai lia livros. Todas as noites. Ele não curtia TV. E todos os livros eram em inglês, idioma que ele dominava. Não era uma leitura profunda, ele lia conteúdo “mamão com açúcar”. Sidney Sheldon, David Baldacci, aqueles romances bem light, para ir dando sono. Eu frequentava o Cel Lep, um curso de inglês bom, mas bem basicão. E ali, sentado ao lado do meu pai, ia folheando os livros que ele já havia lido e ia me passando. No começo eu lia devagar, entendia só a metade, mas me dedicava aquilo todas as noites, depois do jantar, antes de sair para encontrar os amigos. Com o tempo eu ia entendendo mais, aumentando a velocidade, até que quando eu percebi, estava lendo livros de 800 páginas, em inglês, numa batida só. 13/14 anos. E foi assim por anos. No começo ele ia dormir e eu ia para a rua brincar com os amigos. Mais tarde ele ia dormir e eu ia para a balada com os amigos já crescidos.

Eu agradeço meu pai todos os dias – hoje em pensamento – porque a leitura me propiciou absolutamente tudo o que eu consegui na vida.

Até a escolha da minha Profissão foi determinada por um livro, O Hotel, de Artur Hailey. Imagine que em 1975/76 não existia nenhuma escola de hotelaria no Brasil. As escolhas de profissão eram restritas. Engenheiro, administrador, advogado ou médico. E eu descobri, no livro, o Peter McDermmot, gerente geral de um hotelzaço em New Orleans que tinha se formado em hotelaria na Universidade de Cornell. O hotel estava cheio de problemas financeiros e em vias de ser adquirido por uma rede hoteleira. Então o Peter tinha que salvar o hotel de uma aquisição forçada e ao mesmo tempo lidar com os problemas mais bizarros, que acontecem no dia a dia de um hotel, envolvendo inclusive o romance dele com uma funcionária. Eu descobri um mundo do qual eu nunca tinha ouvido falar. Aquele hotel era uma loucura, acontecia de tudo ali. Decidi minha profissão naquele momento, em um dos livros do meu pai.

E fui parar numa faculdade de hotelaria na Suiça. Suíça francesa, mas o idioma da escola era o inglês. E o meu inglês era muito bom, por conta da leitura dos livros. Fiz os testes e passei. Me formei no segundo grau no Objetivo depois de passar por 4 escolas e fui cursar a melhor escola de hotelaria do mundo, na Suiça.

Quando minha primeira filha nasceu o nome dela saiu do livro que nós, eu e minha mulher à época, estávamos lendo. O livro é tão bom que líamos juntos. O título é “The clan of the cave bear” (título em Português: Ayla a garota das cavernas). Ayla era uma garota alta, loira, ereta, de 5 anos de idade, cuja tribo foi soterrada por um terremoto e ela ficou sozinha no mundo. Acabou sendo criada por uma tribo de neandertais baixinhos, escuros, peludos e curvados que representavam a espécie humana de uma outra era. A autora, Jean Auel, fez conviver estas 2 espécies na mesma estória, espécies que certamente nunca conviveram na mesma era. O livro é magnífico, ela descreve em detalhes como era a vida de uma tribo nomade na pré-história. Antes do ferro. Você imagina como era cozinhar uma batata numa cumbuca de madeira? Pois é, eu aprendi lendo esse livro. E a personagem principal é Ayla, o nome de uma de minhas filhas.

Depois do inglês aprendi o francês, o espanhol e o italiano, sempre da mesma maneira. Fazia um curso para pegar o básico e mergulhava na leitura de romances nestes idiomas. E os idiomas foram me abrindo portas.

O espanhol me levou primeiro para a fronteira da Argentina com o Chile, para inaugurar um hotel no Valle de Las Lenas, uma estação de esqui. E depois para a Venezuela, para assumir a direção do primeiro hotel que foi privatizado pelo governo Venezuelano. Esta é uma estória bem interessante e será contada no próximo post.

Conclusão: a leitura nos enriquece e nos transforma. Warren Buffet, um dos caras mais ricos do mundo, passa 80% do seu tempo lendo, sentado na sua sala. Bill Gates lê pelo menos 1 livro por semana. Mark Zuckerberg se lançou o desafio de ler pelo menos 26 livros por ano. Steve Jobs era um leitor voraz. Alguma lição podemos tirar.

Além disso a leitura é o veículo mais óbvio para o aprendizado dos idiomas, que nos leva à descoberta de novos lugares, de novas pessoas, o que nos faz sair de nossa zona de conforto. A leitura nos propicia aprendizado e evolução.

O que seria de nós sem os livros?

Introdução ao Blog – O primeiro post no Facebook

Li em algum lugar que ter sucesso é aceitar o risco de ser humilhado na tentativa de se ter sucesso. E talvez não só uma, mas várias vezes…adorei esta frase.

Eu já tentei o sucesso em várias frentes. Tentei ser professor de capoeira, jogador de futebol, surfista, esquiador na neve, campeão de futevolei, só para ficar no campo dos esportes. Não cheguei a ser humilhado nestas tentativas mas sucesso mesmo…não rolou.

Depois tentei ser hoteleiro, gerente de parque de diversão, de boliche, de nightclub, de restaurante temático, dono de restaurante na praia, na cidade, de buffet, de loja de sanduíches, de centros de convenções. Também tentei ser consultor, diretor de fórum de negócios, de shows, de cirque du soleil. Alguns chamam isso de carreira.

Mais recentemente me aventurei com um canal de culinária no youtube e comecei a escrever alguns posts, sem grandes pretensões, para o blog do Rooftop 5. Quando você começa a “se publicar” o perigo da humilhação começa a se aproximar. Surgem comentários legais, do tipo: nossa, como você escreve bem, cara, escreve mais. E outros do tipo: quem foi mesmo que disse que você sabe escrever/cozinhar/filmar/whatever?

E li também em algum lugar (hoje inclusive) que tem 2 maneiras de ser um aluno nota 5. Tem aquele que é mais ou menos em tudo, que sempre tira 5, portanto sua média é 5. E tem aquele que tenta de tudo, que se joga em algumas matérias e tira 10 e se lambuza todo em outras e tira 0. Sua média final acaba ficando em…5. Eu me orgulho de achar que sempre fui um 5 do segundo tipo. E estou até hoje buscando as matérias nas quais me jogar de cabeça para conseguir um 10.

Minha próxima aventura é um blog, só meu, onde vou escrever sobre….sei lá, o que pintar na cabeça; sobre coisas que eu acredito que possam ser úteis para as minhas 3 filhas, para algum amigo. Se não for útil para ninguém, não ficarei chateado. Descobri que escrever me faz bem, me ajuda a organizar o pensamento. Assim como o canal de culinária me ajuda a organizar minhas receitas.

Se o blog tiver 1 milhão de acessos, um monte de gente se inscrevendo para receber os posts no email, eu vou ficar muito feliz. Se não tiver, me contento com a nota 5. E mesmo se me lambuzar, não será a primeira vez.